2 “Vícios” Diários Que Podem, na Verdade, Fazer Bem
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Café e chá ocupam um lugar curioso no universo do bem-estar. Estão entre as primeiras coisas que as pessoas são orientadas a cortar quando querem adotar um estilo de vida mais saudável e, muitas vezes, são tratados como pequenos vícios que devem ser controlados, em vez de hábitos que podem ser mantidos.
Um grande estudo publicado na JAMA em fevereiro de 2026 traz uma perspectiva mais complexa sobre o tema. H. Chan School of Public Health, do Mass General Brigham e do Br oad Institute descobriram que pessoas que consumiam regularmente quantidades moderadas de café ou chá com cafeína tinham menor probabilidade de desenvolver demência.
O café descafeinado não apresentou a mesma associação, e essa diferença é o que torna o achado particularmente relevante. Isso não significa que seja necessário beber mais. Trata-se de uma análise mais detalhada sobre dois hábitos cotidianos e sobre como os pesquisadores chegaram a essa conclusão.
Vício 1: Um Hábito Moderado de Café, com Cafeína O estudo utilizou dados de dois dos mais antigos estudos de saúde dos Estados Unidos. 606 mulheres acompanhadas desde 1980. 215 homens acompanhados desde 1986.
Nenhum participante tinha câncer, doença de Parkinson ou demência no início do acompanhamento. O que torna esse tipo de pesquisa valioso é sua duração. Imagine uma enfermeira de pouco mais de 40 anos, em 1980, preenchendo um questionário detalhado sobre o que come e bebe e, depois, repetindo o procedimento a cada dois a quatro anos durante décadas.
Os pesquisadores chamam isso de estudo de coorte prospectivo. As pessoas relatam seus hábitos antes que se saiba quem ficará doente, portanto, suas respostas não são influenciadas por um diagnóstico posterior. 033 desenvolveram demência, identificada por meio de diagnósticos médicos e registros de óbito.
Os pesquisadores compararam o grupo que consumia mais café com cafeína com o grupo que consumia menos. Depois de considerar outras diferenças de saúde e estilo de vida, os maiores consumidores de café apresentaram cerca de 18% menos risco de demência. O padrão também apareceu na percepção que as pessoas tinham sobre a própria mente.
Os maiores consumidores de café tinham uma probabilidade ligeiramente menor de relatar a sensação de que sua memória ou capacidade de raciocínio estava piorando, algo que os pesquisadores chamam de declínio cognitivo subjetivo. Os índices foram de 7,8% entre os maiores consumidores e 9,5% entre os menores. Os maiores consumidores também tiveram resultados ligeiramente melhores em um teste cognitivo realizado por telefone.
Vício 2: Uma ou Duas Xícaras de Chá por Dia O chá apresentou um padrão semelhante. As pessoas que consumiam mais chá tinham cerca de 14% menos risco de desenvolver demência e também apresentaram resultados ligeiramente melhores nas avaliações de raciocínio e memória. O achado mais interessante, porém, estava relacionado à quantidade.
Mais nem sempre significava melhor. A associação era mais forte em níveis moderados: cerca de duas a três xícaras de café com cafeína ou uma a duas xícaras de chá por dia, o equivalente a aproximadamente 300 miligramas de cafeína. O consumo acima disso não apresentou um benefício adicional claro.
Na prática, isso aponta para uma rotina comum, com uma xícara pela manhã e chá à tarde, em vez de um quarto espresso às 16h. E, como os participantes relataram seus hábitos repetidamente ao longo de décadas, o resultado reflete padrões de longo prazo, e não o que alguém bebe em um determinado dia. Por Que o “Vício” Pode Ser Melhor que a Versão Descafeinada A parte mais reveladora da pesquisa é o que não apresentou associação.
A maioria dos estudos anteriores sobre café e saúde cerebral não diferenciava o café comum do descafeinado, o que dificultava identificar o que, se é que havia algo, estava fazendo diferença. A equipe analisou os dois separadamente, e os consumidores de café descafeinado não apresentaram menor risco de demência nem melhores resultados nos testes. Isso faz do descafeinado uma comparação útil.
E le preserva grande parte do que o café oferece, incluindo o ritual, o contexto social e muitos dos mesmos compostos vegetais, mas não a cafeína. Se a associação desaparece quando a cafeína é retirada, ela se torna a explicação mais provável. É como comparar duas receitas quase idênticas que diferem por apenas um ingrediente.
Se apenas uma delas apresenta um bom resultado, o ingrediente ausente é o primeiro ponto a ser investigado. A comparação, porém, não é perfeita. Pessoas que escolhem café descafeinado podem ser diferentes em outros aspectos.
Algumas, por exemplo, podem fazer essa mudança por preocupação com a saúde. O Que Esses Dois “Vícios” Têm em Comum e o Que o Estudo Não Pode Afirmar O ponto em comum mais provável é a cafeína, consumida em quantidades moderadas ao longo de muitos anos. Os participantes tinham, em média, cerca de 46 anos, no caso das mulheres, e 54 anos, no caso dos homens, quando o acompanhamento começou.
Portanto, os hábitos analisados eram, em sua maioria, hábitos da meia-idade. Isso está de acordo com a ideia de que essa fase da vida pode ser importante para a saúde cerebral no longo prazo, muito antes do surgimento de sintomas. Ainda assim, os pesquisadores foram cautelosos, e o mesmo cuidado deve ser adotado na interpretação dos resultados.
Esse tipo de estudo pode mostrar que duas coisas tendem a ocorrer juntas, mas não consegue provar que uma causa a outra. Consumidores de café podem ser diferentes de pessoas que não bebem café de maneiras que um questionário não consegue captar. A relação também pode ocorrer parcialmente no sentido inverso: alguém nos estágios iniciais e ainda não percebidos de um declínio da memória pode se afastar gradualmente de sua rotina habitual de consumo de café.
Isso faria com que os não consumidores parecessem estar em pior situação do que o café, por si só, poderia explicar. As diferenças nos testes de raciocínio também foram pequenas, e uma medida geral da capacidade de pensamento ficou pouco abaixo do nível de significância estatístic a. O que dá peso ao achado é o tamanho do estudo, as décadas de acompanhamento e as avaliações repetidas, além do contraste relevante com o café descafeinado.
A conclusão prática é modesta e tranquilizadora. Pessoas que já apreciam café ou chá e lidam bem com a cafeína não têm muitos motivos para tratar esse hábito como um vício do qual precisam se livrar. Os dados apontam para a moderação.
Para quem tem problemas de sono, ansiedade ou outras questões de saúde que tornam a cafeína inadequada, esse achado não muda essa realidade. Seu “vício” em café pode estar fazendo mais por você do que imaginava. Descubra também o quanto o restante da sua rotina diária está contribuindo para o seu bem-estar com este teste baseado em evidências científicas.
Mark Travers é colaborador da Forbes USA. Ele é um psicólogo americano formado pela Cornell University e pela University of Colorado em Boulder. com O post 2 “Vícios” Diários Que Podem, na Verdade, Fazer Bem apareceu primeiro em Forbes Brasil .
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Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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