8 Maneiras de Vivenciar a África de um Jeito Diferente em 2026
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. As manchetes vêm destacando os efeitos que passeios turísticos podem ter na vida selvagem da África . Um vídeo viral que mostra veículos de safári atrapalhando a Grande Migração no Serengeti, na Tanzânia, acendeu mais uma vez o alerta sobre a superlotação e os impactos do turismo de natureza .
Embora ver o Big 5 ou a Grande Migração ainda seja o carro-chefe das férias pelo continente africano, os viajantes estão, cada vez mais, querendo ir além do comum. O relatório mais recente da Go2Africa, State of Safari , aponta para um interesse crescente em experiências ativas e imersivas. “A maioria das pessoas acha que passar férias na África significa ficar sentado em um carro procurando bicho”, diz Justin Chapman, especialista em safáris africanos da Go2Africa .
“A mudança mais interessante que estamos acompanhando não é a desistência dos safáris. O ponto é que as pessoas estão planejando viagens muito mais amplas em torno deles. ” A Forbes entrevistou vários especialistas em turismo para descobrir como curtir a África fora do comum.
Observação de pássaros na Etiópia Getty Images Um grupo de marabus etíopes à beira de um lago. A Etiópia registra mais de 860 espécies de aves; 20 delas são endêmicas, ou seja, não são encontradas em nenhum outro lugar do planeta. As paisagens diversificadas do país – do Planalto Etíope aos lagos do Vale do Rift – permitem aos viajantes encontrar uma variedade fora da curva de espécies de aves em uma área relativamente concentrada.
“Entre os melhores destinos para observação de aves estão o Parque Nacional das Montanhas Bale, o Parque Nacional de Awash, os lagos do Vale do Rift, Debre Libanos e o Parque Nacional Nech Sar”, conta Molla Miheretu, fundador da Anbessa Travel , agência especializada em roteiros personalizados no Chifre da África, em entrevista por e-mail. Getty Images Hipopótamos e pelicanos no Lago Chamo, Etiópia Embora a observação de pássaros seja possível durante o ano todo, Miheretu recomenda o período de outubro a fevereiro como uma época especialmente proveitosa para visitar a Etiópia. Nesses meses, o clima seco coincide com a chegada de diversas espécies migratórias vindas da Europa e da Ásia.
Corrida em meio à vida selvagem A corrida surge como mais uma alternativa para os viajantes explorarem as paisagens africanas para além dos tradicionais safáris de carro. Na reserva Ol Pejeta Conservancy , no Quênia, a experiência Run the Wild leva os hóspedes para uma corrida de 5 a 6 km ao lado de guardas florestais, enquanto o Emboo Camp, no Masai Mara, criou até um percurso exclusivo no Strava para quem não quer furar o treino. Go2Africa Corrida Para quem busca algo mais desafiador, a ultramaratona Okavango to Tsodilo Ultra-Trail , em Botsuana, conecta dois Patrimônios Mundiais da UNESCO ao longo de quase 100 km de natureza selvagem em uma expedição de quatro noites.
Já a Ubumwe Women’s Trail , em Ruanda, organizada pela Singita, combina corrida de montanha com a observação de gorilas e uma caminhada até o Centro de Pesquisa Karisoke, fundado originalmente por Dian Fossey. Go2Africa Um homem correndo na ultramaratona Okavango to Tsodilo Ultra-Trail No entanto, algumas das experiências mais inesquecíveis passam longe de eventos de resistência organizados. Liesel van Zyl, responsável por desenvolvimento de produtos na Go2Africa , relembra um dos seus dias favoritos em Uganda durante entrevista por e-mail.
“Cruzamos um dos lagos vulcânicos de barco, pegamos um boda boda [moto-táxi local] rumo às encostas, passamos um tempo com um produtor de café torrando grãos na lenha e degustando a bebida em um vilarejo cercado por plantações e bananeiras. Depois, descemos o morro de bicicleta, paramos para tomar uma cerveja local e voltamos de caiaque pelo lago. ” Escalada nas montanhas mais selvagens O Kilimanjaro pode até ser o trekking mais famoso da África, mas Oliver Browne, fundador e CEO da True Summit Adventures , afirma que o seu encanto vai muito além de pisar no ponto mais alto do continente.
Getty Images Montanhistas se aproximando do cume do Monte Kilimanjaro, Tanzânia Ele descreve a subida do Kilimanjaro como um desafio na medida certa — marcante o suficiente sem deixar de ser acessível para os mais variados perfis de praticantes. “É uma experiência única e genuinamente africana. A camaradagem e o clima do lugar não se comparam a nada”, conta.
Para os viajantes que procuram uma vibe mais selvagem, Browne recomenda as Montanhas Rwenzori , em Uganda, especialmente o Monte Stanley. “Rwenzori é de tirar o fôlego, parece de outro mundo”, explica. Getty Images Rwenzori, as Montanhas da Lua entre Uganda e Congo.
A cordilheira recebe muito menos praticantes de montanhismo do que o Kilimanjaro ou o Monte Quênia, e pode ser combinada com rotas de observação de vida selvagem na Floresta Impenetrável de Bwindi e no Parque Nacional Rainha Elizabeth. O cume coberto por geleira do Monte Stanley exige o uso de grampões, cordas e certa bagagem técnica em montanhismo, sendo ideal para quem quer dar um passo além do Kilimanjaro. O Monte Toubkal , no Marrocos, surge como outra opção.
A subida pode ser feita em dois ou três dias e funciona tanto como uma aventura rápida quanto como parte de um roteiro maior pelo país. Browne destaca em especial o visual das Montanhas do Atlas e a hospitalidade do povo berbere. Pesca esportiva de espécies endêmicas Nas montanhas de Cederberg, o Bushmans Kloof Wilderness Reserve & Wellness Retreat oferece pesca com mosca guiada (no esquema pesque e solte) no Rio Doring, focada em espécies endêmicas como o Clanwilliam Yellowfish e o Sawfin , este último criticamente ameaçado de extinção.
Esses peixes emblemáticos são verdadeiros embaixadores de rios limpos e preservados, além de serem super cobiçados pelos adeptos da modalidade por darem um trabalhão na briga com a vara. The Red Carnation Hotel Collection Pesca com mosca no Bushmans Kloof Wilderness Reserve & Wellness Retreat, nas montanhas de Cederberg, África do Sul “Guiados por nossa equipe especializada, os visitantes passam a admirar ainda mais esses peixes extraordinários e as ações de conservação que os protegem, tudo dentro de uma experiência estritamente de pesque e solte”, afirma Coenraad Boucher, gerente geral do Bushmans Kloof Wilderness Reserve & Wellness Retreat . O trabalho ambiental da reserva se estende aos seus tanques de berçário para o Clanwilliam sandfish, que oferecem um habitat seguro para esses peixes ameaçados até atingirem o tamanho ideal para soltura no Rio Biedouw.
Bushmans Kloof Wilderness Reserve & Wellness Retreat Passeio de canoa no Bushmans Kloof Wilderness Reserve & Wellness Retreat “Ao cuidar dos alevinos até estarem prontos para voltar à natureza, ajudamos a repovoar a espécie e proporcionamos aos hóspedes um olhar real sobre a conservação que acontece por toda a reserva. É essa união entre vida selvagem, educação e gestão responsável que faz do Bushmans Kloof um lugar tão marcante tanto para pescadores quanto para amantes da natureza”, explica Boucher. Cruzeiro por uma das regiões menos visitadas O Rio Congo entrega um estilo de aventura completamente diferente no continente.
A agência Untamed Traveling recomenda uma jornada de nove dias a bordo do Princessa Ngalessa, embarcação para apenas 28 passageiros, navegando de Oyo a Brazzaville por pântanos, florestas tropicais e as chamadas “florestas catedral”, com paradas em comunidades ribeirinhas como Moye e Mossaka. Untamed Travelling Princessa Ngalessa, um pequeno navio de expedição para 28 passageiros, levando hóspedes de Oyo até Brazzaville, no Congo “O Rio Congo mostra aos viajantes um lado da África que pouquíssimas pessoas já viram”, destaca Jozef Verbruggen, fundador e diretor da Untamed Travelling . Pelo caminho, os viajantes podem interagir com moradores locais, visitar o reino Téké e presenciar a dança de iniciação kébé-kébé.
Untamed Travelling / Nuria Ortega Pescadores no reino Téké, no Congo, uma das regiões menos visitadas do mundo “Deixamos claro desde o início que esta é uma das regiões menos visitadas do planeta e que as coisas nem sempre saem como o planejado”, diz Verbruggen. ” O berço do Vodu Togo e Benin oferecem uma imersão no Vodu, uma tradição espiritual viva e fortemente enraizada na ancestralidade, na cura, na natureza e na vida comunitária. “A cultura pop costuma retratá-lo como uma forma de magia negra, mas viajar pelos países onde a religião nasceu revela uma realidade muito mais rica e cheia de nuances”, comenta Hayley Cleeter, gerente de conteúdo da Wild Frontiers , que participou da viagem.
Anton Ivanov, Wild Frontiers Togoleses realizam dança ritualística de vodu. O roteiro da Wild Frontiers por Togo e Benin inclui visitas a mercados de fetiches, encontros com sacerdotes e líderes espirituais do Vodu , cerimônias tradicionais, festivais de máscaras e uma passagem por Ouidah, tida como o centro espiritual da fé. O percurso também passa por Ganvié, pelas Terras Altas de Atakora e por comunidades rurais de ambos os países.
Wild Frontiers Dança das máscaras Egun em Dassa, Benin “É uma oportunidade para mergulhar em uma cultura fascinante e desmistificar velhos preconceitos pelo caminho”, avalia Cleeter. “Não é uma viagem para qualquer um: exige curiosidade, mente aberta e, de vez em quando, estômago forte. ” Rota do Café em Uganda Uganda pode até ser mais famosa entre os turistas por causa dos gorilas-das-montanhas , mas o café desponta como outra porta de entrada para vivenciar as paisagens e vilarejos no entorno da Floresta Impenetrável de Bwindi .
Nkuringo Gorilla Lodge Plantação de café em Uganda perto do Nkuringo Gorilla Lodge. O país ultrapassou recentemente a Etiópia como o maior exportador de café da África , segundo o The Nile Post . 606,7 toneladas métricas do grão, movimentando US$ 243,9 milhões naquele mês.
O café Robusta responde por mais de 80% da produção ugandense, embora o segmento de Arábica de altitude venha crescendo a passos largos. Os viajantes podem vivenciar essa cadeia produtiva de perto no Nkuringo Gorilla Lodge, onde passeiam por vilarejos e cafezais vizinhos , conhecem os produtores locais, colhem os frutos no pé, torram os grãos e levam para casa o café que ajudaram a preparar. Nkuringo Gorilla Lodge Torra de grãos de café no Nkuringo Gorilla Lodge “Produz-se café por toda a África, mas o diferencial de Uganda é a conexão direta entre o café, as pessoas e a vida selvagem”, pontua Lydia Eva Mpanga, fundadora da Nkuringo Safaris .
“Essas propriedades rurais garantem sustento sustentável para as comunidades, reduzindo a pressão sobre a floresta que serve de abrigo para os ameaçados gorilas-das-montanhas”, acrescenta. “Ao apoiar os pequenos cafeicultores locais, não entregamos apenas um produto sustentável aos nossos hóspedes: ajudamos famílias a melhorar de vida e ainda contribuímos ativamente com a preservação da Floresta Impenetrável de Bwindi”, explica Mpanga. com O post 8 Maneiras de Vivenciar a África de um Jeito Diferente em 2026 apareceu primeiro em Forbes Brasil .
]]>
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
Leia a matéria completa em Forbes Brasil →
