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    A Aposta do Cinema de Rua para Vencer a Era Digital? Charme e Hospitalidade
    Forbes Brasil·30 de out., 14:54

    A Aposta do Cinema de Rua para Vencer a Era Digital? Charme e Hospitalidade

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Que tal, em vez de praças de alimentação lotadas, salas imensas e uma decoração cinza sem personalidade, seu cinema tivesse poltronas floridas e design de grandes nomes da arquitetura? E ainda ter taças de vinho, bons drinks e quitutes além da pipoca à disposição?

    Para atrair um público saturado de telas e convencê-lo a sair de casa, uma nova geração de cinemas de rua aposta no charme e na hospitalidade . Com filmes no streaming a um clique de distância, o desafio é oferecer algo além da projeção: um destino em si, com curadoria, gastronomia e design no centro da experiência. Leia Também Forbes Mulher Produtora por trás de “100 Dias”, Paula Cosenza Leva o Cinema Brasileiro para o Mundo Forbes Life Nostalgia em Alta: Por Que a House Music Voltou à Moda Forbes Life “Minha Melhor Amiga” Supera Bilheteria do Vencedor do Oscar “Ainda Estou Aqui” Forbes Life Novo Documentário Sobre Elizabeth Holmes Estreia com Aprovação Recorde e Arrecada US$ 15 Milhões nos EUA Forbes Life Os Filmes Imperdíveis da 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo Forbes Money Reese Witherspoon Retoma o Controle de Sua Produtora Hello Sunshine Em São Paulo, o movimento de salas menores e independentes é bem ilustrado por um nome: Paulo Velasco .

    Sócio-fundador da Cinesala – espaço que já conquistou uma legião de fãs pela cidade –, o empresário busca há uma década (transformar a ida ao cinema em um destino cultural e de convivência. Agora, com o recém-inaugurado Cine Tutu , amplia essa proposta para um novo endereço na Vila Madalena. A novidade aberta no começo de outubro ocupa um edifício projetado por Isay Weinfeld e combina cinema, arquitetura e gastronomia em uma sala de 114 lugares.

    Divulgação O foyer do novo Cine Tutu E não para por aí. A cidade também se prepara para a abertura do Nu Cine Copan , prevista para junho de 2027, e do Cine Rosário , no Edifício Martinelli, em 2028. Newsletter Forbes Money Sua cápsula diária de notícias De segunda a sexta-feira no seu email Assinar Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.

    O cinema não é mais só cinema No Cine Tutu, a experiência começa antes da sessão. Na entrada, pôsteres de filmes garimpados em galerias pelo mundo dividem espaço com sofás e uma cabine fotográfica. Na sala, poltronas revestidas com tecido floral da Entreposto contrastam com cortinas de veludo verde.

    O cuidado com o design não é mero detalhe. Para Velasco, o ambiente precisa ser um convite para sair de casa e valorizar o tempo dedicado ao cinema. A gastronomia é parte importante dessa equação.

    Em ambos os cinemas do empresário, o Barouche funciona como café-bar . O objetivo é que o público possa chegar antes da sessão, estender a conversa depois do filme ou frequentar o espaço mesmo sem ingresso. No Cine Tutu, o cardápio inclui croissants, chocolate Mission, sorvete Pinguina e rótulos de vinhos da Argentina à França.

    A carta de drinks, criada por Danilo Nakamura, inclui coquetéis com açaí e guaraná, além de clássicos como Negroni e Portonic e um vermute produzido pela Vinhas do Tempo exclusivamente para a casa. Assim também como chope e cervejas artesanais de produtores nacionais, como Tarantino e Trilha. Fran Parente O Barouche é um dos pilares da receita do Cinesala e do Cine Tutu, com frequentadores independente da sessão dos filmes Outro pilar de sustentação é a curadoria cuidadosa, na fronteira entre o cinema de arte e o comercial.

    Na era de catálogos infinitos nos serviços de streaming, isso atua como um alívio para a ansiedade da escolha. “ No fundo, ajudar a escolher o que você vai ver é um serviço muito bem-vindo hoje “, avalia Velasco. Essa combinação tem atraído uma mistura de gerações.

    O público saudosista divide agora as fileiras com a Geração Z. “Para uma geração que tem hoje 20 e poucos anos, o streaming sempre esteve lá. Então, o ‘novo’, muitas vezes, é você tomar um café, uma taça de vinho e sentar no sofá para ver um filme que alguém escolheu para você”.

    Ligia Skowronski Paulo Velasco: “Nosso maior concorrente não é o streaming ou o cinema de shopping. É o celular” O combo para fazer a conta fechar Para que esse charme analógico sobreviva em um meio tão competitivo e repleto de grandes players, é importante ser pragmático. “Parte da beleza é fazer um cinema de rua, mas a outra é ele ser saudável financeiramente”, explica Velasco, formado em administração pela FGV e um cinéfilo desde a infância.

    Para ele, o pulo do gato do novo cinema de rua é não depender exclusivamente da bilheteria. Embora ela ainda represente a maior fatia da receita, a estratégia é a diversificação dos negócios. Patrocínios e parcerias com marcas (atrás da comunidade engajada dos cinéfilos), locação para eventos e operação gastronômica contribuem para a conta fechar.

    O empresário diz receber mais de 400 propostas de eventos por ano, mas ele bem seletivo, dando prioridade das salas para os filmes. O Cinesala recebe entre 100 mil e 120 mil pessoas por ano; para o Cine Tutu, que tem menos lugares, Velasco espera uma taxa de ocupação elevada. Velasco conta com alguns nomes para viabilizar seus projetos.

    O Cinesala foi fundado em 2014 por ele junto com o futebolista Raí (seu também parceiro na empresa de gestão de talentos Raí+Velasco) e Adhemar Oliveira, um dos maiores exibidores do país pelo Grupo Espaço de Cinema. Já no novo Tutu, detém 70% da operação, enquanto o resto é dividido entre três investidores-conselheiros: Alfredo Setubal, sócio da Editora Todavia; a pesquisadora Mariana Lucas, professora de Cinema e Audiovisual na FAAP; e Marcos Nisti, sócio-fundador da Maria Farinha Filmes. Renato Parada Os sócios do Cine Tutu, da esquerda para direita: Alfredo Setubal, Marcos Nisti, Mariana Lucas e Paulo Velasco Na corrida por relevância, o empresário vê que a disputa pela atenção do público não acontece contra os grandes complexos de shopping ou os catálogos infinitos do streaming.

    “ O nosso maior concorrente é o celular” , decreta ele. “Acho que a pessoa sair de casa e ver a beleza em compartilhar uma tela, ao invés de ficar tendo uma experiência sozinho passando o dedo para cima o tempo inteiro, é o que mais compete com a gente”. Uma tendência que toma o Centro O movimento não é exclusivo apenas da zona oeste da cidade.

    A recuperação de salas históricas amplia os cinemas de rua também para o Centro de São Paulo. Fechado desde 1986, o icônico cinema projetado por Oscar Niemeyer no térreo do edifício Copan tem previsão de reabertura para junho de 2027. 200 lugares fixos para abrigar uma moderna sala de 442 assentos com tela de LED de 17 metros.

    Além dos filmes, a estrutura prevê um palco para shows, peças e sessões com trilha sonora ao vivo. Divulgação Nu Cine Copan abrirá as portas em 2027 A alguns quarteirões de distância, no Edifício Martinelli, o Cine Rosário, inaugurado em 1929 e desativado em 1955, tem reabertura prevista para 2028. O Grupo Tokyo planeja investir R$ 25 milhões no espaço dentro do arranha-céu, que terá programação de clássicos, cópias em película, retrospectivas, debates e sessões especiais, além de outras apresentações artísticas.

    A capacidade será menor que a original, para atender às exigências atuais de acessibilidade, conforto e segurança. Os dois projetos conectam a recuperação do patrimônio à criação de novos pontos de encontro no centro. Também mostram que não existe uma fórmula única para o futuro dos cinemas de rua: alguns partem de edifícios históricos; ou outros, como o Cine Tutu, constroem uma identidade contemporânea.

    Divulgação Projeto conceitual do restauro do Cine Rosário Velasco, por outro lado, não trata a expansão como uma corrida. Ele conta que visita o espaço do Cine Tutu desde setembro de 2020 e que a concepção e as negociações levaram mais de dois anos. A busca por novos endereços continua, mas a ideia é crescer sem padronizar os projetos, respeitando a história e as características de cada lugar.

    “A padronização facilita muita coisa, mas não é nisso onde está o nosso coração”, decreta ele. Enfim resta esperar o que mais de interessante ele deve rodar. O post A Aposta do Cinema de Rua para Vencer a Era Digital?

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