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    A doença troca de álibi
    Revista Oeste·26 de set., 17:00

    A doença troca de álibi

    *Alex Pipkin O antissemitismo não voltou. Apenas conseguiu um novo atestado de virtude para circular em público. O preconceito mais antigo do mundo jamais exigiu que o judeu fosse culpado; precisou apenas que cada época inventasse uma justificativa respeitável para odiá-lo.

    O que na Idade Média ostentava a túnica da teologia e no século passado vestia a farda da biologia, hoje desfila com a camiseta do ativismo humanitário. + Leia mais notícias de Mundo em Oeste A doença é antiga; o álibi é que se moderniza. Encontrou abrigo na militância juvenil e em velhos sectários ideológicos, alimentados pela liturgia dos slogans de rede social.

    História, geografia e geopolítica exigem estudo. O slogan exige apenas repetição. Quando os fatos incomodam o dogma, pior para os fatos.

    Para essa gente, o judeu só parece aceitável enquanto vítima. Defender-se é a sua transgressão. Criticar governos israelenses e suas operações militares é absolutamente legítimo.

    Israel é um Estado, não um dogma. Outra coisa é responsabilizar judeus coletivamente, relativizar massacres quando os assassinos carregam a bandeira ideologicamente certa, negar a Israel o direito de existir ou cobrar do Estado judeu uma pureza moral que ninguém exige de seus inimigos. Aí a geopolítica deixa de explicar e passa a servir de biombo para o preconceito.

    v=hDkeg884l1Q O antissemita nunca precisou de ideologia própria. Aluga a narrativa disponível. Já acusou o judeu de ser banqueiro capitalista e conspirador comunista, cosmopolita sem pátria e nacionalista com pátria demais.

    Foi condenado por não ter uma pátria e hoje é condenado por tê-la. As acusações se contradizem porque jamais foram a causa. Foram apenas o álibi.

    O figurino muda porque a nudez do preconceito ainda constrange. Hoje ele usa vocabulário acadêmico e aura de superioridade moral. Saiu do porão com pós-graduação.

    O antissemitismo nunca precisou de coerência. Precisou apenas de uma desculpa moralmente aceitável para continuar sendo o que sempre foi. O mais perigoso acontece quando o álibi passa por virtude.

    Quando o ódio recebe diploma, a barbárie entra para o currículo. * Alex Pipkin é PhD em Administração e Consultor Empresarial O post A doença troca de álibi apareceu primeiro em Revista Oeste . ]]>

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