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    Forbes Brasil·31 de out., 08:05

    A Estratégia do K-pop Que Conecta Cultura, Marketing e Consumo

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. O K-pop , abreviação de Korean pop , é o gênero musical sul-coreano que se tornou um fenômeno global e une entretenimento , marketing e consumo . 208% no número de execuções desde 2014.

    Um dos principais representantes do K-pop é o BTS, grupo de sete integrantes lançado em 2013. No YouTube, o clipe de “Dynamite” ultrapassa 2 bilhões de visualizações, o que mostra o alcance da banda e o engajamento dos fãs. Esse número equivale a uma visualização para cada quatro habitantes do planeta, que tem cerca de 8 bilhões de pessoas.

    Para Hertz Wendell de Camargo, professor da UFPR (Universidade Federal do Paraná) e consultor de branding, o marketing é peça-chave para entender como a música se transformou em fenômeno cultural. “O K-pop vai muito além de exportar canções sul-coreanas. Ele desenvolveu um ecossistema que une experiências, narrativas, storytelling, símbolos e comunidade, resultando nessa febre e conexão cultural, principalmente com os jovens”, afirma Wendell .

    Identidade e relacionamento Cada grupo de K-pop é lançado com uma proposta estética e narrativa própria. Identidade visual, conceitos, coreografias elaboradas e performances ajudam a diferenciar os artistas e a aproximá-los do público. Esse processo envolve a construção de um universo simbólico que reforça vínculo entre os grupos e os fãs.

    “A mitologia da marca cria um senso de pertencimento e de comunidade, e traz símbolos e storytelling. Os shows, os rituais de consumo e os espetáculos fazem parte dessa ritualização”, diz o especialista. Propagação da cultura coreana A expansão do K-pop também está ligada à estratégia de internacionalização da cultura sul-coreana.

    O gênero ganhou força a partir dos anos 1990, quando a Coreia do Sul passou a tratar a cultura como uma indústria capaz de gerar empregos e exportações e de ampliar a presença do país no mundo. O retorno do BTS, após concluir o serviço militar obrigatório na Coreia do Sul em 2025, ilustra esse movimento. “Ao lançar um álbum inspirado em ‘Arirang’, uma das canções tradicionais mais conhecidas da Coreia, o grupo mostra que elementos profundamente coreanos podem ter apelo global”, afirma Jeonghee Jeong, diretora do Centro Cultural Coreano no Brasil.

    A estratégia se relaciona ao conceito de soft power, que descreve a capacidade de um país de exercer influência por meio de sua cultura, de seus valores e de sua imagem. No caso sul-coreano, essa projeção internacional também envolve políticas públicas e iniciativas de promoção cultural. Para Jeong, o apoio governamental foi importante, mas não explica sozinho o sucesso da indústria.

    ” Redes sociais e fandoms O formato moderno das boy bands ganhou força com grupos britânicos e norte-americanos, como Beatles, New Kids on the Block e NSYNC, e foi renovado por nomes como Jonas Brothers e One Direction. Esses grupos cresceram em um mercado dominado pelo rádio, pela televisão e pela língua inglesa. Os artistas sul-coreanos, ao contrário, apostaram na comunicação direta com o público pela internet e na forma de apresentar suas produções.

    “O caminho foi investir em uma experiência completa, em que a música é inseparável da coreografia, da estética visual e das narrativas construídas ao longo dos álbuns. E as redes sociais foram fundamentais para levar essa experiência ao mundo”, diz Jeong. Nesse processo, os fãs fazem mais do que consumir conteúdo.

    Os chamados fandoms formam comunidades, interagem nas redes sociais, traduzem publicações, divulgam lançamentos e organizam apresentações de cover dance. “Eu acompanho os fandoms desde o início justamente por causa das traduções. Quando não entendia o idioma, as produções dos fãs me ajudavam a entender melhor o que eles estavam falando, as histórias dos álbuns e as letras das músicas”, afirma Natália Barbosa, fã do grupo há 10 anos.

    No Brasil, segundo Jeong, essa mobilização aparece na identificação do público com as músicas, as coreografias e a cultura sul-coreana. “O brasileiro tem uma relação muito afetiva com a música e com a dança, e o K-pop oferece uma experiência coletiva, intensa e alegre. ” A relação com os artistas, porém, não se restringe ao ambiente digital.

    O interesse pode se estender ao aprendizado do idioma, à gastronomia, à moda, aos cuidados com a pele e à busca por experiências ligadas à Coreia do Sul. Da música ao consumo Uma pesquisa da Serasa realizada em agosto ajuda a medir como esse interesse chega ao bolso. Segundo o levantamento, 47% dos brasileiros interessados em cultura coreana gastam até R$ 250 por mês com esse universo, e 18% ultrapassam R$ 500 mensais.

    Quando um fã reconhece um cantor ou grupo como referência, os produtos associados a esses artistas podem ganhar um significado que vai além da função original e passar a representar pertencimento e identificação. Segundo o professor da UFPR, dependendo da intensidade do vínculo, essa relação pode interferir na atenção dedicada às marcas, na preferência por determinados produtos e até na intenção de compra. “Se o público tem essa identificação, tudo que o artista fizer vai influenciar e ter um impacto no consumo da marca, seja ele positivo ou negativo.

    O fandom se vê no artista e se projeta nele como um reflexo”, afirma Hertz. No Brasil, onde o fandom se destaca pela intensidade afetiva e pela capacidade de mobilização, esse vínculo vai da tela do celular ao carrinho de compras e chega até os planos de viagem. A pesquisa do Serasa mostrou também que um em cada quatro entrevistados passou a economizar dinheiro para realizar sonhos ligados à Coreia do Sul, como ver um show ou morar no país.

    “Desde que comecei a acompanhar o movimento, eu ficava sonhando e vendo vídeos de intercâmbio para a Coreia. Também sempre fiquei com muita vontade de conhecer outras coisas além dos grupos de K-pop, como os Doramas”, afirma Natália. O post A Estratégia do K-pop Que Conecta Cultura, Marketing e Consumo apareceu primeiro em Forbes Brasil .

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