A indústria da Europa está sofrendo com a China. Mas o estrago não é geral
A Volkswagen anunciou neste mês que vai aprofundar sua reestruturação. Outras montadoras europeias também alertaram para a queda dos lucros, pressionadas pela concorrência chinesa. Mas a crise dos carros não conta toda a história da indústria da Europa.
Enquanto montadoras e fabricantes de produtos químicos perdem terreno, empresas como Schneider Electric , Siemens e Prysmian crescem com a demanda por equipamentos para data centers. Rheinmetall e Leonardo , por sua vez, ampliam a produção para atender aos gastos crescentes com defesa. É esse contraste que uma análise publicada pela The Economist neste domingo (27) põe em foco: a energia cara e a competição chinesa atingem duramente parte das fábricas da Europa, mas outras encontraram mercados em expansão ou mudaram a maneira de ganhar dinheiro.
A indústria automobilística está entre as mais expostas. A produção de veículos na União Europeia está 17% abaixo do nível anterior à pandemia, segundo a revista. A China , antes uma importante fonte de lucro para as montadoras europeias, passou a lançar carros mais rapidamente e a custos menores.
Leia também Negócios Volkswagen reduz projeções. Milhares protestam na Alemanha contra cortes de empregos A pressão comercial é ampla. Além disso, a eletricidade para a indústria, antes dos subsídios, custa na França e na Alemanha aproximadamente o dobro do preço praticado nos Estados Unidos ou na China, aponta a Economist .
Ainda assim, o emprego nas fábricas mostra uma crise concentrada. A Alemanha respondeu por quatro quintos dessa perda. No mesmo período, as vagas para profissionais mais qualificados, como engenheiros e técnicos, cresceram 7%, segundo a revista.
Parte da resposta das empresas está em buscar receitas além da venda de equipamentos. A Siemens comprou empresas de software para incorporar tecnologia às máquinas que fabrica. Já a química Solvay e a produtora de fertilizantes K+S recorreram a operações para reduzir sua exposição à oscilação dos preços da energia.
Até a entrada de produtos chineses tem efeitos distintos. Mercadorias prontas e mais baratas disputam clientes com fabricantes europeus. Um estudo do Banco Central Europeu encontrou uma associação entre a importação desses insumos e o crescimento da produção nas indústrias que os utilizam.
Isso não elimina as perdas das montadoras ou das químicas. Mostra, porém, por que os problemas de algumas das maiores empresas europeias não bastam para decretar uma crise de toda a indústria. ]]>
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