A “invasão dos chineses” que preocupa o presidente da Unem
O avanço dos carros elétricos chineses no Brasil se tornou uma das principais preocupações da indústria nacional de biocombustíveis . Para Amaury Pekelman, presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem) , o tema já entrou definitivamente no radar do setor, que vê riscos para o futuro da demanda por etanol. Durante entrevista ao Money Minds, programa do Money Times no YouTube, Pekelman afirmou que a expansão dos elétricos preocupa mais pela forma como vem ocorrendo no mercado brasileiro do que pela tecnologia em si.
“O elétrico preocupa muito, principalmente a invasão dos chineses aqui que a gente está vendo”, afirmou o executivo. Segundo ele, o setor observa com atenção o crescimento de montadoras asiáticas no país, especialmente em um momento em que a indústria de biocombustíveis busca ampliar o consumo de etanol e avançar em novas misturas obrigatórias na gasolina. Críticas aos incentivos e à concorrência Na avaliação do presidente da Unem, uma das preocupações está relacionada às condições concedidas aos veículos importados.
Pekelman questionou o modelo de incentivos adotado para a entrada dos carros elétricos no mercado brasileiro e defendeu maior estímulo à produção local. “Será que isso é sustentável? Por que eles têm esse desconto quando trazem as peças para cá?
Isso tem que acabar. A gente tem que estimular a indústria nacional”, disse. A fala ocorre em um momento de forte expansão de marcas chinesas, como BYD e GWM no Brasil, empresas que vêm acelerando investimentos em eletrificação e ganhando participação no mercado automotivo nacional.
Híbrido flex aparece como alternativa Apesar das críticas aos elétricos puros, Pekelman vê espaço para convivência entre eletrificação e biocombustíveis. O executivo destacou o avanço dos veículos híbridos flex, capazes de combinar motores elétricos com etanol, como um caminho mais alinhado à realidade energética brasileira. “O híbrido flex é uma tendência que está vindo”, afirmou.
A avaliação do setor é que o Brasil possui uma vantagem competitiva única ao combinar uma das maiores produções de biocombustíveis do mundo com uma frota amplamente adaptada ao uso de combustíveis renováveis. Exportar a tecnologia do etanol Durante a entrevista, a discussão avançou para a possibilidade de o etanol brasileiro acompanhar a expansão internacional das montadoras chinesas. Ao comentar o desenvolvimento de veículos híbridos flex por fabricantes asiáticos, Pekelman afirmou que o desafio passa por levar também políticas públicas favoráveis ao etanol para outros países, especialmente a China.
Segundo ele, uma expansão relevante do consumo de etanol no mercado chinês dependeria de mudanças regulatórias promovidas pelo governo local. “O Brasil precisa se estruturar, junto com os americanos, para fazer com que mude a política pública na China”, afirmou. Disputa se soma aos desafios do setor A preocupação com os elétricos surge justamente em um momento em que o setor busca destravar novas fontes de demanda.
Além do aumento do consumo doméstico, a indústria aposta em frentes como o combustível marítimo, o SAF (combustível sustentável de aviação) e a ampliação da mistura obrigatória de etanol na gasolina. Para Pekelman, a expansão dos biocombustíveis depende de uma combinação de políticas públicas, estímulos ao carro flex e desenvolvimento de novos mercados. Nesse contexto, o avanço dos veículos elétricos chineses é visto menos como uma ameaça imediata e mais como um desafio estratégico para o futuro da cadeia do etanol brasileira.
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Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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