Acariciar o seu cão ajuda a proteger o corpo contra o estresse diário
Acariciar um cachorro durante alguns minutos pode influenciar a maneira como o organismo reage a uma situação estressante que ainda está por vir. É o que indica um estudo publicado na revista Biological Psychology , no qual pesquisadores da Universidade de Innsbruck, na Áustria, observaram respostas fisiológicas menores ao estresse entre tutores que puderam tocar seus animais antes de enfrentar uma nova rodada de testes. O resultado chama a atenção por um detalhe: o contato com os cães não acelerou a recuperação dos participantes após a primeira situação de pressão .
A diferença apareceu depois, quando eles precisaram enfrentar outro desafio. Especialistas destacam que tutores buscam instintivamente o toque nos animais para amenizar ameaças futuras. – Imagem: Miachikova Natalia/Shutterstock Como os pesquisadores provocaram o estresse O experimento reuniu 64 tutores adultos de cães saudáveis com pelo menos dois anos de idade.
Os participantes tinham, em média, 34,1 anos; 51 eram mulheres e 13, homens. Para provocar estresse, os pesquisadores submeteram os voluntários a tarefas de conhecimentos gerais com tempo limitado ou a exercícios matemáticos nos quais precisavam fazer contagens regressivas em intervalos numéricos determinados. Durante as atividades, um avaliador acompanhava o desempenho remotamente e fazia comentários negativos.
As reações foram monitoradas por eletrocardiograma (ECG) e eletroencefalograma (EEG). O primeiro registrou a atividade elétrica do coração, enquanto o segundo acompanhou a atividade elétrica cerebral. Com esses dados, a equipe pôde observar mudanças fisiológicas que nem sempre correspondem à maneira como uma pessoa descreve o próprio nível de estresse.
Após a primeira rodada, os participantes tiveram cinco minutos de pausa. Parte deles pôde interagir fisicamente com os cães; os demais ficaram sem acesso aos animais, que permaneceram presos à guia e fora de alcance. Em seguida, todos foram submetidos a uma segunda rodada de testes.
O efeito apareceu diante de uma nova pressão Os primeiros exercícios produziram as alterações esperadas em situações estressantes: a frequência cardíaca aumentou e a variabilidade da frequência cardíaca diminuiu. Essa variabilidade corresponde às mudanças no intervalo entre batimentos e é utilizada para avaliar aspectos da regulação do organismo. Os registros cerebrais também mudaram.
As ondas alfa, associadas ao relaxamento, foram suprimidas, enquanto a atividade das ondas beta aumentou, indicando maior ativação cognitiva. A comparação entre as duas etapas revelou o principal achado. Os participantes que tocaram seus cães durante a pausa apresentaram sinais fisiológicos menores de estresse na segunda rodada.
A interação, portanto, não pareceu acelerar a recuperação imediata, mas esteve associada a uma resposta corporal mais branda diante de uma nova situação de pressão. Os pesquisadores resumiram a observação: “Esses resultados indicam que tocar o próprio cão atenua o impacto corporal de um fator estressante futuro”. O resultado sugere uma possível ligação entre acariciar cães e uma resposta corporal mais branda a um estressor futuro.
Imagem: Iryna Inshyna/Shutterstock – IA ajuda cientistas a identificar padrões em latidos e outros sons de animais. (Imagem: Iryna Inshyna/Shutterstock) O que o toque pode explicar O trabalho investiga um aspecto específico da relação entre humanos e animais. Pesquisas anteriores já haviam associado a convivência com pets ao bem-estar , mas, segundo os autores, o contato físico raramente era analisado como um fator isolado dos demais tipos de interação.
A equipe também identificou uma diferença entre as medições fisiológicas e as avaliações feitas pelos próprios participantes. Os relatos subjetivos não refletiram integralmente as alterações registradas pelos equipamentos. Isso indica que a percepção consciente do estresse nem sempre acompanha todas as mudanças observadas no organismo.
Os autores consideram que o toque pode ser uma das vias pelas quais situações futuras de pressão passam a provocar uma resposta corporal menos intensa. Como o experimento avaliou um grupo específico de tutores e uma situação controlada, porém, os resultados não demonstram que acariciar um cão produza o mesmo efeito em todas as pessoas ou circunstâncias. O estudo oferece uma pista sobre como o contato físico com animais pode participar da resposta ao estresse.
A descoberta central não é que o carinho elimina a tensão, mas que a interação com o cão antes de um novo desafio esteve associada a um impacto fisiológico menor. O post Acariciar o seu cão ajuda a proteger o corpo contra o estresse diário apareceu primeiro em Olhar Digital . ]]>
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