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    Poder360·04 de nov., 21:55

    Aceleração da inflação justifica Selic em 13,75%, diz Copom

    2026). O colegiado indicou como motivos a aceleração da inflação, o aumento das expectativas para os próximos anos e os riscos associados à política fiscal, ao câmbio e à alta dos preços do petróleo. nov).

    Eis a íntegra do comunicado (PDF – 114 kB). O Banco Central interrompeu o ciclo de cortes da Selic em um cenário de desaceleração mais acentuada da economia brasileira, mas com inflação acima do limite superior da meta. A decisão foi unânime entre os 7 integrantes do Copom.

    O comunicado não apresentou sinalização explícita sobre quando os cortes poderão ser retomados. INFLAÇÃO ACIMA DA META O BC também elevou suas projeções para a inflação e alertou para a deterioração das expectativas de preços. Segundo o comunicado, a inflação acumulada e a média das medidas subjacentes aceleraram nas divulgações mais recentes e ficaram acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta.

    As expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus também se afastaram da meta de 3%. As estimativas passaram a indicar: 2026 – inflação de 5,2%; 2027 – inflação de 4,8%. No cenário de referência do próprio Copom, a projeção para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) chegou a 5,6% em 2026 e 4,7% em 2027 .

    Para o 2º trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, a estimativa subiu para 3,5%, acima do centro da meta. O BC afirmou que incorporou às projeções os choques de oferta observados desde a reunião anterior, principalmente os relacionados ao petróleo e seus derivados. RISCOS FISCAIS E CÂMBIO O Copom destacou que continua acompanhando os efeitos da política fiscal sobre os ativos financeiros e a condução da política monetária.

    “O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza” , afirmou. Entre os principais riscos para a inflação, o BC citou a possibilidade de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada, estímulos ao consumo e manutenção da inflação de serviços acima do esperado. O colegiado também alertou para a desancoragem das expectativas de inflação em prazos mais longos, que dificulta o processo de redução dos preços e aumenta o custo da política monetária.

    PETRÓLEO E CENÁRIO EXTERNO O BC avaliou que o ambiente internacional se tornou mais adverso com o prolongamento dos conflitos armados no Oriente Médio e seus efeitos sobre os preços do petróleo e derivados. A manutenção de políticas monetárias mais restritivas nas economias avançadas também foi apontada como fator de risco para países emergentes, diante da maior volatilidade dos ativos financeiros e das commodities. Segundo o Copom, esses fatores exigem cautela na condução da política monetária brasileira.

    ECONOMIA DESACELERA Apesar dos riscos inflacionários, o BC disse que a atividade econômica brasileira apresenta uma desaceleração mais intensa do que a observada anteriormente. O enfraquecimento se concentra principalmente nos setores mais sensíveis aos juros. O mercado de trabalho permanece resistente, mas já apresenta sinais de perda de força.

    O Copom afirmou que os indicadores são compatíveis com uma trajetória de desaceleração da economia ao longo de 2026. O colegiado destacou que a Selic permanece em nível substancialmente contracionista, ou seja, elevado o suficiente para restringir o consumo e os investimentos e ajudar a conter a inflação. “O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário, para manter a restrição adequada de forma a assegurar a convergência da inflação à meta” , afirmou.

    DECISÃO UNÂNIME A manutenção da Selic foi aprovada pelos 7 integrantes do Copom: Gabriel Galípolo (presidente); Ailton de Aquino Santos; Gilneu Francisco Astolfi Vivan; Izabela Moreira Correa; Nilton José Schneider David; Paulo Picchetti; Rodrigo Alves Teixeira. A decisão interrompeu a sequência de cortes dos juros iniciada anteriormente pelo Banco Central. Na reunião de setembro, o colegiado havia reduzido a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano.

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