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    Acidente de moto: o capacete pode decidir o futuro do cérebro
    CNN Brasil·23 de set., 07:45

    Acidente de moto: o capacete pode decidir o futuro do cérebro

    Os acidentes de trânsito fazem parte da rotina dos serviços de emergência brasileiros e, entre suas consequências mais graves, está o traumatismo cranioencefálico , conhecido pela sigla TCE. Para nós, neurocirurgiões, esse é um cenário particularmente preocupante porque uma colisão ou queda que acontece em poucos segundos pode deixar consequências para toda a vida . E quando falamos em motociclistas, a vulnerabilidade é ainda maior.

    Os números ajudam a dimensionar o problema. 709 . No mesmo período, a taxa de internação subiu de 3,9 para 6,1 casos por 10 mil habitantes, crescimento de aproximadamente 55%.

    Em 2021, os motociclistas já representavam 61% das internações por lesões de trânsito registradas no levantamento. A Semana Nacional de Trânsito é uma oportunidade para falar sobre prevenção, mas também para lembrar que, em um acidente de moto, proteger a cabeça pode significar a diferença entre uma recuperação relativamente rápida e uma lesão neurológica grave, incapacidade permanente ou morte. Leia Mais Pontos cegos: o que saber para evitar acidentes no trânsito Honda lança XR300L Tornado 2027 focando em segurança e tecnologia Waze atualiza aplicativo e apresenta modo para motociclista; confira O que acontece com o cérebro durante um acidente O traumatismo cranioencefálico ocorre quando uma força externa provoca uma lesão no cérebro.

    Nem sempre é necessário haver uma fratura no crânio ou um ferimento aparente. A desaceleração brusca provocada por uma colisão , por exemplo, pode fazer com que o cérebro se desloque dentro do crânio e sofra lesões. A gravidade varia muito.

    Há casos leves, como algumas concussões, mas também podemos encontrar contusões cerebrais, hemorragias, hematomas intracranianos, edema cerebral e lesão axonal difusa , uma forma grave de trauma causada pelos movimentos rápidos de aceleração e desaceleração do cérebro. O problema é que nem todas essas lesões apresentam sinais evidentes imediatamente após o acidente. Uma pessoa pode estar consciente, conversar normalmente e, horas depois, desenvolver sintomas decorrentes de um sangramento dentro do crânio.

    Por isso, perda de consciência, confusão mental, sonolência excessiva, vômitos repetidos , convulsões, fraqueza em um dos lados do corpo, alteração da fala, dor de cabeça intensa ou qualquer piora do estado neurológico depois de um trauma exigem avaliação médica imediata. Por que o capacete faz tanta diferença Não existe equipamento capaz de eliminar completamente o risco de uma lesão cerebral em um acidente de moto. Mas, entre as medidas de proteção individual disponíveis para o motociclista, o capacete é fundamental porque atua justamente sobre uma das regiões mais vulneráveis e determinantes para o prognóstico: a cabeça.

    Sua função é absorver e distribuir parte da energia produzida pelo impacto, diminuindo a força transmitida ao crânio e ao cérebro. A Organização Mundial da Saúde afirma que capacetes seguros e de boa qualidade podem reduzir em até 74% o risco de lesão cerebral e em mais de seis vezes o risco de morte em acidentes. A própria OMS aponta o trauma de cabeça como a principal causa de morte entre motociclistas.

    Mas não basta simplesmente colocar um capacete na cabeça. Ele precisa ter qualidade adequada, tamanho correto e estar devidamente afivelado. Estudos reunidos pela OMS mostram que capacetes que se soltam durante o acidente perdem parte importante de sua capacidade de proteção, e motociclistas que têm o equipamento ejetado apresentam risco muito maior de lesões na cabeça e na face.

    Esse é um aspecto que muitas vezes é subestimado. Um capacete frouxo, inadequado ou não afivelado corretamente pode não permanecer na posição necessária justamente no momento em que sua proteção é mais importante. Sobreviver não é o único desfecho que importa Quando discutimos acidentes de trânsito, é natural que a mortalidade seja o indicador que mais chama atenção.

    Na neurocirurgia, entretanto, existe outra preocupação: as sequelas de quem sobrevive a um TCE grave. Uma lesão cerebral pode comprometer memória, atenção, linguagem, capacidade de planejamento, equilíbrio e movimentos. Em alguns pacientes, também podem ocorrer alterações importantes de comportamento e personalidade.

    Dependendo da extensão do trauma, uma pessoa jovem, ativa e independente pode passar a necessitar de meses de reabilitação ou de auxílio permanente para atividades que antes realizava sem dificuldade. É por isso que o impacto de um acidente grave não termina quando o paciente recebe alta do hospital. Ele pode atingir a vida profissional, as relações familiares, a autonomia e a capacidade de voltar à rotina anterior.

    Prevenir uma lesão cerebral grave significa também evitar muitas dessas consequências. O capacete não impede que o acidente aconteça e não substitui outras medidas fundamentais de segurança no trânsito, como respeito aos limites de velocidade, condução responsável, manutenção adequada do veículo e ausência de álcool ao dirigir. Mas existe uma diferença essencial: quando a colisão ou a queda acontece, é o capacete que está diretamente entre a cabeça do motociclista e o impacto.

    Como neurocirurgião, muitas vezes recebo o paciente quando o trauma já aconteceu e nosso trabalho passa a ser evitar que a lesão provoque danos ainda maiores. No trânsito, entretanto, uma parte importante dessa proteção começa antes. Usar um capacete seguro, adequado e corretamente afivelado é uma atitude simples diante da dimensão das consequências que um traumatismo cranioencefálico pode provocar.

    *Artigo escrito pelo neurocirurgião e membro da Brazil Health Dr. Cesar Cimonari de Almeida – CRM/SP 150620 | RQE 66640 ]]>

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