Advent capta US$ 30 bilhões para novo fundo global e empresas brasileiras estão no radar
Negócios concretizados e potenciais envolvendo grandes e médias empresas brasileiras como Natura, Yduqs, Amil e Skyone ganharam destaque no noticiário nos últimos meses. Em comum a esses casos esteve a Advent, gestora global de private equity, ou seja, especializada em comprar participações em empresas. Esse noticiário tende a ser ainda mais frequente nos próximos meses e anos, a depender dos novos planos da empresa americana, com base na mais recente captação global de US$ 30 bilhões, anunciada nesta terça-feira (27): o equivalente a até 20%, ou US$ 6 bilhões, será destinado a mercados fora da América do Norte e da Europa, como o brasileiro e o latino-americano.
“Esse fundo novo nos dá mais poder de fogo para investir em empresas no Brasil e na América Latina, em que já estamos bem ativos e com um pipeline [ lista de empresas potenciais em estudo ou estágio mais avançado de negociação ] bem forte”, disse Juan Pablo Zucchini, sócio diretor da Advent em São Paulo e Head de Private Equity para a América Latina, em entrevista ao InvestNews . Atualmente, a Advent , que conta globalmente com US$ 109 bilhões em ativos sob gestão, já investe no Brasil e na região por meio de um fundo dedicado chamado Lapef VII. Os novos recursos do fundo global vão se somar, portanto, aos já existentes para a América Latina.
Leia também Negócios Afya e Yduqs acertam fusão que cria nova gigante em educação e medicina, com R$ 9,4 bilhões em receitas Negócios Fundo global HIG tem US$ 100 mi para investir em empresas médias do país. E vê oportunidade maior Segundo Zucchini, o interesse da Advent está concentrado em empresas de bens de consumo, varejo, tecnologia, saúde e negócios industriais. Os recursos captados devem ser destinados em grande parte para novas empresas para o portfólio no Brasil e em LatAm, embora investimentos em companhias presentes também possam ocorrer.
A Advent se tornou o segundo maior acionista independente da Natura neste ano, com 8% do capital, atrás apenas da gestora brasileira Dynamo. No fim do ano passado, liderou uma rodada de investimento na Skyone, empresa brasileira de tecnologia que oferece soluções em nuvem, de dados, inteligência artificial e cibersegurança, com aporte não revelado. No caso da Amil, cujo interesse a Advent não confirma nem comenta, as negociações chegaram a avançar, mas acabaram não concluídas pela decisão do controlador, José Seripieri Filho, o Júnior.
Leia também Negócios Amil encerra processo de venda e nega acordo com Bain e Advent Investimentos Natura (NATU3): O que a chegada da Advent muda para os investidores? Mais recentemente, o fundo participou das negociações para a fusão da Afya com a Yduqs, da qual é acionista relevante. A operação, que envolveu apenas troca de ações e ainda depende de aprovações dos acionistas e regulatórias, vai dar origem a um dos maiores grupos de educação do país, líder em ensino de medicina.
A nova captação global, que acontece em um momento ainda desafiador da indústria global de private equity no mundo, com juros em alta nos Estados Unidos, foi favorecida no caso da Advent pelo histórico recente de devolução de capital aos investidores, segundo o executivo. “O nosso track record em saídas [ vendas de participações de empresas ] na América Latina nos últimos 12 a 18 meses tem sido muito bom na comparação com métricas da indústria”, disse Zucchini. Entre os negócios estiveram as vendas das empresas argentinas Prisma e Newpay à Visa em fevereiro, em negócio avaliado no mercado em US$ 1,5 bilhão e considerado o maior exit de private equity já realizado no país.
— Em atualização. ]]>
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