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    Agro cobra responsabilidade fiscal e segurança jurídica de Lula depois de reeleição
    Revista Oeste·29 de out., 15:07

    Agro cobra responsabilidade fiscal e segurança jurídica de Lula depois de reeleição

    Entidades do agronegócio se manifestaram sobre a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os diferentes segmentos do setor reconheceram o resultado das urnas, mas apresentaram uma lista de prioridades para o próximo mandato, que inclui responsabilidade fiscal, segurança jurídica, redução dos juros, melhoria do ambiente de negócios e estímulo à inovação. As manifestações mostram que, encerrada a disputa eleitoral, parte do setor busca manter canais de diálogo com o Palácio do Planalto sem abandonar críticas à condução da política econômica e às condições enfrentadas pelos produtores.

    Leia mais: "Risco de calote das famílias brasileiras atinge maior nível desde 2012" A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), por exemplo, afirmou que respeita a decisão dos eleitores, mas defendeu mudanças na condução econômica. A entidade citou a votação recebida pela candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) como um indicativo de que uma parcela expressiva da população espera mudanças. Entre as medidas defendidas pela Faesp estão a simplificação tributária sem aumento da carga sobre o setor produtivo, a redução sustentável dos juros, o controle dos gastos públicos e maior eficiência do Estado.

    A federação também defendeu a proteção ao direito de propriedade e a previsibilidade jurídica para a atividade agropecuária. A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), por sua vez, defendeu diálogo e pacificação política, além de planejamento de longo prazo. A entidade pediu reformas estruturais e políticas que deem previsibilidade a investimentos em infraestrutura, logística, financiamento e seguros.

    Leia também: "Lula diz que ricos gostam de acumular dívidas" A Aprosoja de Mato Grosso também incluiu responsabilidade fiscal, segurança jurídica e redução dos juros entre as demandas apresentadas ao governo. A associação defendeu ainda uma relação comercial pragmática com parceiros como China e Estados Unidos e maior integração entre agricultura, indústria e energia. Já a CropLife Brasil, que reúne empresas dos setores de sementes, biotecnologia, defensivos e bioinsumos, destacou a necessidade de continuidade dos investimentos em ciência, pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

    A entidade também defendeu estabilidade regulatória e condições para ampliar a capacidade de investimento do produtor. Agro cobra posicionamento sobre contas públicas A preocupação com a situação fiscal ganhou peso adicional depois da reação do mercado financeiro à reeleição de Lula. Para representantes do setor produtivo, o comportamento das contas públicas afeta diretamente questões como juros, acesso ao crédito e capacidade de investimento no campo.

    Para o agronegócio, decisões sobre propriedade, regras ambientais, tributação e crédito também são fundamentais. De acordo com as entidades, essas áreas precisam oferecer previsibilidade suficiente para investimentos que, no campo, costumam ser planejados com anos de antecedência. O produtor rural Ireneu Orth, senador e atualmente suplente do senador eleito Ubiratan Sanderson (PL-RS), é uma das lideranças que defendem maior segurança jurídica para o produtor e políticas de crédito compatíveis com a realidade da atividade rural.

    "O governo não dá a devida atenção", comentou. "O campo está na maior parte da vida das pessoas. " Orth já levou ao Congresso, em outras ocasiões, preocupações relacionadas à segurança jurídica no campo e às dificuldades de produtores para obter crédito, especialmente no Rio Grande do Sul.

    "Muita gente ficou fora e não tem acesso ao crédito", relatou. " O suplente afirmou que não esperava o resultado eleitoral e que as entidades estão "sem saber o que vai acontecer". "Temos dúvidas, fiz uma análise dos números, e tem algo errado", contestou.

    "Isso traz uma insegurança jurídica muito grande. Preocupa principalmente quem é ativo, paga impostos, sobretudo na Região Sul do país. " Fim da escala 6x1 Orth defende a ideia de que deve haver ajustes no campo quando for aplicado o fim da escala de trabalho 6x1.

    "Não tem como haver rigidez disso no campo", criticou o suplente. "Quando a planta estiver pronta, deve ser colhida. " As janelas agrícolas, na visão do produtor rural, precisa ser flexibilizada em razão do tipo do trabalho.

    Leia também: "Inadimplência bate recorde e atinge 9,3 milhões de empresas" Para Arlei Romeiro, presidente da Associação dos Produtores e Empresários Rurais do Rio Grande do Sul (Aper), afirma que é favorável, mas com preparação. "Poderiam ter contrapartidas, como redução da folha de pagamento, redução da carga da produção para contratar mais mão de obra", disse. v=H_7bm8MVoGM Endividamento rural preocupa setor produtivo Além das discussões sobre as contas públicas e o ambiente de negócios, o endividamento rural continua entre os principais problemas enfrentados por produtores, especialmente no Rio Grande do Sul.

    O Estado gaúcho passou por sucessivos eventos climáticos nos últimos anos, com perdas na produção e aumento do comprometimento financeiro de agricultores. Entidades locais passaram a cobrar renegociação de débitos, alongamento de prazos e mudanças na relação entre produtores e instituições financeiras. + Entenda sobre Política em Oeste Arlei Romeiro tem concentrado a atuação da Aper justamente nessa pauta.

    A associação sustenta que parte do problema do endividamento não está apenas nas perdas provocadas pelo clima, mas também na forma como as políticas de crédito rural chegam ao produtor. Para Romeiro, uma solução para o endividamento precisa tratar de questões estruturais do crédito e da aplicação das normas pelas instituições financeiras. "Precisamos tratar do Projeto de Lei (PL) n° 320, que está na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, e é a origem da renegociação toda da dívida", explicou Arlei.

    "É ali que tem os valores e prazos. " O presidente da Aper questionou o "pacote de bondades" prometido pelo presidente Lula a poucos dias antes do segundo turno das eleições. "O setor está preocupado e nada otimista com os resultados", afirmou Romeiro.

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