Agro paulista movimenta R$ 657,6 bilhões e responde por 18,9% do PIB
O agronegócio paulista movimentou R$ 657,6 bilhões em 2024 , o equivalente a 18,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado e a cerca de 24% do PIB do agronegócio brasileiro. Apesar do peso econômico, o setor atravessa um período de pressão sobre as margens dos produtores, marcado por juros elevados, aumento dos custos de produção, volatilidade dos preços e eventos climáticos. O cenário foi apresentado nesta segunda-feira (28) pelo secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Geraldo Melo Filho, durante encontro do Conselho do Agronegócio da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
Leia Mais Valor Bruto da Produção recua 4,6% e atinge R$ 1,4 trilhão em maio Cooperativas agrícolas dobram participação no PIB do agronegócio Crédito rural chega a R$ 433 bilhões na agricultura empresarial até maio Um dos principais sinais de dificuldade financeira está no crédito rural . Segundo os dados apresentados pelo secretário, R$ 207,4 bilhões do estoque de crédito rural estavam em situação problemática em julho de 2026 , considerando operações em atraso, inadimplência, extensão ou renegociação. O montante corresponde a 23,5% de uma carteira de R$ 881,6 bilhões.
A deterioração financeira também aparece nos pedidos de recuperação judicial de produtores rurais. 990 solicitações em 2025 , alta de 56,4% em relação ao ano anterior e recorde da série apresentada. No primeiro trimestre de 2026, foram registrados outros 474 pedidos, avanço de 21,9% na comparação anual.
Para o secretário, o problema não está necessariamente associado à perda de produtividade no campo, mas à combinação entre o custo do dinheiro, dos insumos e os preços recebidos pelos produtores. Diversificação reduz exposição A economia agropecuária paulista tem uma característica que reduz a dependência de uma única cadeia. Segundo os dados apresentados, mais de 20 cadeias produtivas movimentam individualmente mais de R$ 1 bilhão por ano .
O valor da produção agropecuária paulista chegou a R$ 174,6 bilhões em 2025 . Entre as principais cadeias estão a cana-de-açúcar, com R$ 55,2 bilhões; a pecuária de corte, com R$ 22,7 bilhões; a citricultura, com R$ 19,7 bilhões; ovos, com R$ 13,7 bilhões; café, com R$ 9,6 bilhões; e soja, com R$ 8,9 bilhões. A diversificação, porém, não elimina os efeitos de ciclos negativos.
A apresentação aponta queda de 22,1% nos preços internacionais do açúcar em 2025 e redução de 8,94% no valor da produção de cana no estado. Na citricultura, 47,6% das plantas do cinturão citrícola foram afetadas pelo greening, enquanto o consumo mundial de suco de laranja recuou 46,5% entre 2010 e 2026. Para a safra 2026/27, a produção paulista é projetada com queda de 12,9%.
No caso da soja, a rentabilidade ficou 36% abaixo da média do ciclo em 2025. Já os preços do amendoim ficaram 22% abaixo do custo no segundo semestre do ano passado. Estoque de laranja saltaram 75% no Brasil, diz diretor-executivo da CitrusBR | CNN AGRO NEWS Comércio exterior A força do agronegócio também aparece no comércio exterior.
São Paulo exportou US$ 17,79 bilhões em produtos do agronegócio entre janeiro e agosto de 2026 , com saldo positivo de US$ 13,83 bilhões. O setor respondeu por 36,6% de tudo o que o estado exportou no período. A pauta é liderada pelo complexo sucroenergético, responsável por US$ 4,29 bilhões, seguido por carnes, com US$ 3,02 bilhões; complexo soja, com US$ 2,39 bilhões; produtos florestais, com US$ 2,19 bilhões; sucos, com US$ 1,22 bilhão; e café, com US$ 1 bilhão.
A China foi o principal destino, concentrando 26,1% das exportações do agronegócio paulista. A União Europeia respondeu por 14% e os Estados Unidos, por 10,1%. A concentração em grandes mercados é apontada como um dos desafios para o setor.
Mais de um quarto das vendas externas do agro paulista depende de um único comprador, segundo os dados apresentados. Produtividade e novas fontes de receita Diante da pressão sobre as margens, o aumento da produtividade e a agregação de valor aparecem como alternativas para preservar a competitividade. Os dados apresentados indicam crescimento de produtividade em diferentes cadeias paulistas.
Na soja, o avanço foi de 21%; na laranja, de 22%; no leite, de 31,2%; e na banana, de 51%. A transformação da produção também abre novas possibilidades de receita. Além das cadeias tradicionais, São Paulo vem ampliando atividades ligadas à agricultura digital, biomethane, bioeletricidade e combustível sustentável de aviação (SAF).
A bioenergia é um exemplo dessa diversificação. A cana-de-açúcar responde por 36,6% da matriz energética paulista, enquanto o estado concentra 53% da bioeletricidade produzida a partir da cana no país. 500 obras e alcança cerca de 60 mil quilômetros.
Entre os projetos de destaque estão intervenções em estradas rurais e a ampliação da capacidade da Hidrovia Tietê-Paraná, de 2 milhões para 7 milhões de toneladas por ano. “Hoje nosso desafio é transformar a escala já alcançada em maior capacidade de geração de valor”, disse o secretário. ]]>
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