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    Al Gore Aponta Cinco Tendências Que Redefinem a Economia da Energia, Clima e Agro
    Forbes Brasil·21 de set., 08:00

    Al Gore Aponta Cinco Tendências Que Redefinem a Economia da Energia, Clima e Agro

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. “Não vemos a transição energética como uma perspectiva distante, mas como um imperativo global urgente” , diz o político, empresário, ambientalista americano e ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore. Como chairman da Generation Investment Management, gestora britânica especializada em investimentos sustentáveis, Gore afirma que segurança energética, estabilidade econômica e ação climática deixaram de ser temas separados.

    Para ele, os recentes conflitos internacionais reforçaram que reduzir a dependência dos combustíveis fósseis passou a ser uma necessidade econômica tão importante quanto ambiental. ” Na quinta (17), a Generation Investment Management publicou a 10ª edição do The Sustainability Trends Report . Publicada anualmente desde 2016, a pesquisa se consolida como um dos principais estudos produzidos pelo mercado financeiro para acompanhar a evolução da economia de baixas emissões.

    O relatório reúne indicadores, dados econômicos e análises sobre os principais movimentos que vêm transformando setores estratégicos, como energia, transportes, indústria, agricultura e infraestrutura. Fundada em 2004, com sede em Londres e presença também em São Francisco, a Generation Investment Management foi criada com a proposta de incorporar fatores ambientais, sociais e de governança às decisões de investimento de longo prazo. Desde então, a gestora passou a defender que sustentabilidade e desempenho financeiro não devem ser tratados como agendas distintas, mas como elementos que influenciam diretamente a geração de valor e a avaliação de riscos para empresas e investidores.

    A edição de 2026 parte de um contexto diferente daquele que marcou os primeiros anos do relatório. Se há uma década o debate girava principalmente em torno das metas estabelecidas pelo Acordo de Paris, agora a discussão incorpora novos fatores, como conflitos geopolíticos, segurança energética, inflação, reorganização das cadeias globais de suprimentos e competitividade industrial. “Enquanto os preços elevados geram lucros extraordinários para executivos do setor de petróleo e gás, consumidores em todo o mundo enfrentam custos cada vez maiores, de combustíveis a alimentos”, diz Al Gore.

    ” É dentro dessa abordagem que o The Sustainability Trends Report 2026 organiza destaca cinco tendências-chave, consideradas essenciais para acompanhar a velocidade da transformação econômica em curso. Elas abrangem os setores de energia, transportes, edifícios e indústria, pessoas, uso da terra e alimentos e financiamento da transição. Cada uma delas reúne indicadores que ajudam a medir se a economia mundial avança ou não para uma matriz energética menos dependente dos combustíveis fósseis.

    Confira as 5 tendências abaixo. 1. Energia passa a depender mais da infraestrutura do que da geração Divulgação Painéis solares A primeira tendência apresentada pelo relatório mostra que a expansão das fontes renováveis deixou de ser o principal obstáculo da transição energética.

    Segundo a Generation Investment Management, o desafio agora está na capacidade de transportar, armazenar e distribuir essa energia. Os dados mostram que, em 2025, a produção de eletricidade proveniente de fontes limpas cresceu o suficiente para atender todo o aumento da demanda mundial por energia e ainda superá-lo. A energia solar voltou a liderar esse movimento, com crescimento de 30% em relação ao ano anterior, enquanto a capacidade global de armazenamento em baterias avançou mais de 40%.

    Na avaliação do relatório, esses números demonstram que o gargalo da transição deixou de estar apenas na instalação de novas fontes renováveis. A ampliação das redes de transmissão, a digitalização dos sistemas elétricos e o aumento da capacidade de armazenamento passam a ocupar posição central para sustentar o crescimento da demanda por eletricidade. O estudo também observa que esse avanço abre espaço para um fenômeno discutido há anos no setor energético: a possibilidade de países em desenvolvimento ampliarem o acesso à eletricidade diretamente por meio de fontes renováveis, reduzindo a necessidade de grandes investimentos em infraestrutura baseada em combustíveis fósseis.

    Para a Generation, esse movimento começa a deixar de ser apenas uma projeção para ganhar escala em diferentes regiões do mundo. 2. Mercado automotivo acelera a eletrificação A segunda tendência aponta uma mudança estrutural na indústria automobilística.

    Segundo o relatório, a participação dos veículos eletrificados continua avançando em ritmo acelerado. Em 2025, um em cada quatro automóveis novos vendidos no mundo possuía algum tipo de conexão elétrica. Ao mesmo tempo, as vendas globais de veículos movidos exclusivamente a gasolina permanecem abaixo do pico registrado em 2017, reforçando a mudança gradual da matriz tecnológica do setor.

    Para a Generation, essa transformação deixou de representar apenas uma mudança de preferência dos consumidores. Ela passou a influenciar cadeias industriais inteiras, alterando a disputa por mercados, investimentos e liderança tecnológica. A China aparece como um dos principais protagonistas desse processo.

    Além de liderar a produção mundial de veículos elétricos, baterias e painéis solares, o país vem ampliando sua presença em mercados emergentes. O relatório cita que, apenas no primeiro trimestre de 2026, as exportações chinesas de tecnologia solar para países africanos cresceram 120% em comparação com igual período do ano anterior. Na Europa, as vendas de veículos elétricos avançaram 30% ao longo de 2025 , sinalizando que a eletrificação continua ganhando espaço mesmo em mercados tradicionalmente dominados por montadoras ocidentais.

    Ao analisar esse cenário, os autores observam que fabricantes tradicionais enfrentam um ambiente de competição mais intenso, enquanto empresas chinesas ampliam participação em segmentos considerados estratégicos para a economia de baixo carbono. 3. Bombas de calor ganham espaço na indústria A terceira tendência trata de um segmento menos conhecido do público, mas considerado decisivo para reduzir as emissões industriais.

    O relatório identifica as bombas de calor como uma das principais tecnologias para substituir equipamentos movidos a combustíveis fósseis em processos industriais e sistemas de aquecimento de edifícios. Embora tradicionalmente associadas ao uso residencial, essas soluções começam a ser empregadas em operações industriais de maior escala. Projetos desenvolvidos na Finlândia, Alemanha e Estados Unidos já utilizam bombas de calor para produzir vapor e calor industrial, reduzindo o consumo de gás natural em diferentes etapas produtivas.

    Segundo a Generation Investment Management, a expansão desse mercado dependerá menos da maturidade tecnológica e mais da capacidade de governos criarem políticas públicas capazes de estimular novos investimentos. Os indicadores mostram que esse movimento já começa a ganhar escala. As vendas de bombas de calor cresceram aproximadamente 17% em 11 países europeus, enquanto, na Índia, as vendas de fogões de indução aumentaram dez vezes.

    Para os autores, esses números indicam que a eletrificação deixa de ocorrer apenas na geração de energia e passa a atingir também equipamentos utilizados por famílias e indústrias, ampliando a demanda por uma infraestrutura elétrica mais robusta. 4. Agricultura e segurança alimentar entram definitivamente na agenda da transição paulobaqueta/Getty Images Lavoura de soja em pleno desenvolvimento A quarta tendência apresentada pelo The Sustainability Trends Report 2026 aproxima a transição energética de um setor que tem peso direto na economia mundial: a produção de alimentos.

    Segundo a Generation Investment Management, a agricultura moderna continua fortemente dependente dos combustíveis fósseis, principalmente pela produção e pelo transporte de fertilizantes nitrogenados sintéticos. O relatório destaca que esses insumos sustentam a produção de alimentos consumidos por quase metade da população mundial, evidenciando a ligação entre energia, agricultura e segurança alimentar. Essa relação tornou-se ainda mais evidente durante as recentes tensões geopolíticas.

    Como boa parte do comércio internacional de fertilizantes passa por rotas estratégicas, qualquer interrupção logística rapidamente afeta os custos da produção agrícola e aumenta o risco de inflação dos alimentos. O relatório lembra que as restrições no Estreito de Ormuz comprometeram aproximadamente um terço do comércio marítimo global de fertilizantes. Ao mesmo tempo, eventos climáticos extremos e a possibilidade de formação de um forte El Niño ampliam a preocupação com a oferta global de alimentos.

    Na avaliação da gestora, essas variáveis reforçam que segurança energética e segurança alimentar passaram a ser duas faces do mesmo desafio econômico. Embora o documento não trate especificamente do agronegócio brasileiro, a análise dialoga diretamente com uma realidade conhecida pelo setor. Fertilizantes, combustíveis e logística continuam entre os principais componentes do custo de produção agrícola, tornando a eficiência energética e a diversificação das fontes de energia fatores cada vez mais relevantes para a competitividade das cadeias agroindustriais.

    5. Fluxo de capital mostra mudança na economia global Se há um indicador que sintetiza a velocidade da transformação descrita pelo relatório, ele está no comportamento dos investimentos. A Generation aponta que os aportes globais em energia limpa alcançaram US$ 2,2 trilhões (R$ 11,3 trilhões, na cotação atual) em 2025 , aproximadamente o dobro do volume destinado aos combustíveis fósseis.

    Trata-se do maior investimento anual já registrado pelo setor e de um sinal de que o mercado financeiro vem redirecionando recursos para tecnologias associadas à descarbonização da economia. Apesar do crescimento, os autores afirmam que o volume atual ainda está distante do necessário para cumprir as metas climáticas globais. Com base em estimativas da Agência Internacional de Energia (IEA), o estudo calcula que os investimentos em energia limpa precisarão atingir US$ 4,5 trilhões (R$ 23,1 trilhões) por ano no início da década de 2030 para manter o aquecimento global dentro do limite de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris.

    Isso significa praticamente dobrar o fluxo anual de capital direcionado ao setor nos próximos anos. Para a Generation, esse aumento dependerá não apenas da disponibilidade de recursos financeiros, mas também da criação de projetos capazes de transformar investimentos em infraestrutura efetiva, ampliando redes elétricas, capacidade de armazenamento, produção industrial e sistemas de transporte. Ao mesmo tempo, o relatório chama atenção para outro efeito econômico das mudanças climáticas: o aumento dos custos associados a eventos extremos, como ondas de calor, incêndios e enchentes, que vêm pressionando o mercado global de seguros e alterando a percepção de risco dos investidores.

    China ocupa posição estratégica na nova economia da energia Ao longo do documento, poucos países aparecem com tanta frequência quanto a China. A Generation descreve o país como o principal protagonista da atual transição energética por reunir características aparentemente contraditórias. A economia chinesa continua sendo a maior consumidora mundial de combustíveis fósseis e uma das maiores emissoras de gases de efeito estufa.

    Ao mesmo tempo, lidera a produção de painéis solares, turbinas eólicas, baterias de grande escala e veículos elétricos. Segundo o relatório, os investimentos realizados pela indúst

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