Álcool faz bem à saúde? Por que a ideia de proteção merece cuidado
Durante muitos anos, a ideia de que uma taça de vinho tinto por dia protegeria o coração ganhou espaço nas conversas e até nas recomendações de saúde. O hábito passou a ser visto por muita gente como uma forma de prevenção . Mas essa interpretação exige cuidado: observar menos doenças entre pessoas que bebem pequenas quantidades não significa comprovar que a bebida seja responsável por essa diferença.
Boa parte das pesquisas sobre o assunto acompanha os hábitos das pessoas e seus desfechos de saúde, sem determinar quem vai beber ou deixar de beber. Alimentação, atividade física, tabagismo e condições de vida podem influenciar os resultados . Por isso, atribuir ao vinho uma proteção observada nesses estudos pode levar a uma conclusão equivocada.
A declaração científica publicada em 2025 pela Associação Americana do Coração reconhece que ainda existem incertezas sobre os efeitos cardiovasculares do consumo baixo a moderado. Alguns estudos sugerem associações favoráveis para determinadas doenças , mas isso não estabelece uma relação de causa e efeito. A entidade não recomenda começar a beber, nem consumir vinho ou outra bebida alcoólica para obter benefícios à saúde.
Leia Mais Veja quais hábitos podem estar ameaçando a sua saúde cardíaca Azeites: entenda 8 mitos e verdades que todo consumidor deveria conhecer sobre o ingrediente Saúde cardíaca: Especialistas alertam sinais e medidas ao Dr. Kalil Os efeitos sobre o coração e o cérebro Quando o consumo é excessivo, os riscos estão mais bem estabelecidos. Beber muito, tanto de forma habitual quanto em episódios concentrados, está associado a hipertensão, arritmias, enfraquecimento do músculo cardíaco e acidente vascular cerebral, o AVC .
A elevação da pressão arterial é um dos caminhos pelos quais o álcool pode contribuir para comprometer a circulação e o cérebro. Os efeitos cerebrais também podem ocorrer por outros mecanismos . O consumo intenso e prolongado pode causar danos diretos às células nervosas, favorecer deficiências nutricionais e alterar processos metabólicos.
Mudanças na resposta imunológica e processos inflamatórios também participam dos danos relacionados ao álcool. Não se trata, portanto, apenas dos efeitos passageiros percebidos durante a embriaguez. Outros hábitos precisam entrar nessa avaliação.
Tabagismo, sedentarismo e alimentação inadequada podem coexistir com o consumo elevado e acrescentar riscos. Isso, porém, não permite afirmar que todas as pessoas que bebem apresentem essas características, nem elimina os efeitos próprios da bebida sobre o organismo. Existe uma quantidade sem risco?
Não há uma quantidade de álcool que possa ser apresentada como completamente isenta de riscos para a saúde. Isso não significa que beber ocasionalmente represente o mesmo risco que consumir grandes volumes todos os dias. A quantidade, a frequência e os episódios de excesso fazem diferença, assim como as características de cada pessoa .
A Organização Mundial da Saúde ressalta que mesmo níveis baixos podem trazer riscos , embora a maior parte dos danos esteja relacionada ao consumo intenso, contínuo ou episódico. Também é preciso olhar além do coração. O álcool aumenta o risco de diferentes tipos de câncer , incluindo os de mama, fígado, intestino e esôfago.
Uma possível associação favorável em determinado desfecho cardiovascular não pode ser interpretada, isoladamente, como benefício para a saúde como um todo. Para quem não bebe, não existe motivo médico para começar em busca de proteção. Para quem bebe, reduzir a quantidade e evitar episódios de excesso são medidas que ajudam a diminuir os riscos.
A prevenção cardiovascular deve se apoiar em cuidados com benefícios comprovados , como controlar a pressão arterial, praticar atividade física, não fumar e manter uma alimentação adequada. A taça de vinho não substitui esses cuidados. *Texto escrito pelo cardiologista e Livre-Docente pela FMUSP, Prof.
Dr. Carlos Alberto Pastore – CRM 24264 | RQE 69372 | Membro da Brazil Health Beber muito álcool causa arritmia mesmo horas após consumo, diz estudo ]]>
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
Leia a matéria completa em CNN Brasil →
