Algodão Brasileiro Atinge R$ 36,4 Bilhões E Mira Novo Salto Global
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. “A mudança é estrutural. ” A avaliação de Aurélio Pavinato, CEO da SLC Agrícola, resume uma das principais conclusões do debate “O algodão brasileiro no tabuleiro global: perspectivas e estratégias para a safra 2026/27”, realizado na quarta-feira (23), no segundo dia do 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), em Belo Horizonte.
O evento começou na terça-feira (22), segue até quinta-feira (24), e vem sendo acompanhado pela Forbes Agro. O tamanho dessa transformação aparece também nos números econômicos. O Valor Bruto da Produção (VBP) do algodão chegou a R$ 36,36 bilhões em 2025, o maior valor da série histórica analisada pelo Ministério da Agricultura .
Em 2026, o VBP preliminar, calculado com dados de janeiro a agosto, está em R$ 35,14 bilhões, ainda o segundo maior resultado da série. Além de Pavinato, à frente de um dos maiores grupos produtores de algodão e que faturou R$ 8,6 bilhões em 2025, também participaram o evento o consultor de mercado e CEO da Agroconsult, André Pessôa, a produtora rural Alessandra Zanotto Costa, presidente Associação Baiana de Produtores de Algodão (Abapa), e o produtor Alexandre De Marco, CEO do Grupo BDM, de Mato Grosso. De R$ 4 bilhões para mais de R$ 36 bilhões Divulgação/CBA André Pessoa: “A presença constante de produto brasileiro disponível para o mercado internacional é uma característica muito relevante” O avanço do VBP ajuda a contar a história de uma cultura que praticamente mudou de endereço, escala e modelo produtivo no Brasil.
O menor valor da série ocorreu em 1997, quando o algodão gerou R$ 3,96 bilhões. A partir dos anos 2000, a expansão no Cerrado, a mecanização, a tecnologia e a integração com a soja deram novo padrão à atividade. A diferença de escala é ainda mais expressiva quando se olha para a produtividade.
000 quilos de pluma por hectare. Nesse mesmo período, a China também elevou fortemente sua produtividade, mas reduziu a área plantada. É justamente nessa combinação entre escala, produtividade e capacidade de produzir em segunda safra que está uma das principais vantagens brasileiras.
“O que garante nossa competitividade é a condição de fazer duas safras, ter alta produtividade e a possibilidade de ofertar algodão 12 meses por ano”, afirmou Pavinato. “Além da alta eficiência em produção, o que ajudou muito o Brasil a chegar onde chegou foi a organização da cadeia,” diz Alessandra. André Pessôa, consultor de mercado e CEO da Agroconsult, reforçou durante o painel que o Brasil já ultrapassou os Estados Unidos em produção de algodão considerando Mato Grosso isoladamente e que a Bahia também está acima da Austrália.
Na exportação, segundo ele, o Brasil passou os Estados Unidos por duas safras consecutivas e, no ciclo encerrado em julho, embarcou 27% mais algodão que os norte-americanos. No ano passado, as exportações brasileiras de algodão em pluma foram de 3,1 milhões de toneladas, o que correspondeu a 74,8% da safra 2025/26 , com receita de US$ 5,2 bilhões (R$ 26,6 bilhões, na cotação atual). A vantagem brasileira vai além da porteira Divulgação/CBA Pavinato: “O que garante nossa competitividade é a condição de fazer duas safras e ter alta produtividade” O salto não aconteceu apenas porque o produtor brasileiro passou a colher mais por hectare.
O país construiu uma cadeia capaz de entregar grandes volumes ao mercado externo durante praticamente todos os meses do ano. Para o comprador internacional, essa regularidade passou a ser um diferencial. “A presença constante de produto brasileiro disponível para o mercado internacional é uma característica muito relevante na comercialização que passamos a ter”, afirmou Pessôa.
Segundo o consultor, o Brasil já consegue superar 400 mil toneladas exportadas em determinados meses e mantém embarques acima de 200 mil toneladas na maior parte dos períodos. Essa mudança também alterou a relação do Brasil com os concorrentes. China, Índia, Estados Unidos, Austrália e Paquistão continuam relevantes, mas enfrentam limitações específicas.
A Austrália depende fortemente da disponibilidade de água; Paquistão e Índia perderam área e produtividade; e Estados Unidos e China utilizam diferentes mecanismos de proteção e apoio à produção, segundo a análise apresentada no congresso. Para Alexandre De Marco, CEO do Grupo BDM, existe ainda uma vantagem estrutural brasileira. ” Isso não significa, porém, que exista espaço para crescer sem limite.
Pavinato fez um alerta importante: a expansão precisa ocorrer em áreas de alto potencial produtivo. ” O verdadeiro concorrente está fora da lavoura Divulgação/CBA Alessandra Zanotto Costa: “Além da alta eficiência em produção, o que ajudou muito o Brasil a chegar onde chegou foi a organização da cadeia” Se há uma conclusão estratégica que apareceu com força no debate, é que o principal adversário do algodão brasileiro não é necessariamente o algodão produzido em outro país. É o poliéster, fibra sintética derivada da cadeia petroquímica .
Nos últimos anos, o petróleo mais barato ajudou o poliéster a ganhar competitividade. Agora, o movimento dos preços internacionais do petróleo mudou parte dessa equação. “Na medida em que ficou mais cara a fibra sintética, aumentou a posição relativa de competitividade do algodão brasileiro, americano e australiano”, explicou Pessôa.
Pavinato resumiu a mudança de cenário de outra maneira. Segundo ele, durante anos a indústria trabalhou com a percepção de que a volatilidade era um problema principalmente do algodão. Os conflitos recentes, porém, levaram essa instabilidade para o petróleo e, consequentemente, para o poliéster.
” É uma mudança importante porque coloca a cotonicultura diante de uma questão maior do que conquistar participação de mercado de outros países produtores: como aumentar o consumo mundial de algodão? Pavinato afirmou que a cadeia discute justamente novas tecnologias de fiação e tecidos mistos capazes de ampliar o uso da fibra natural. Para De Marco, o objetivo estratégico deve ser ganhar espaço sobre as fibras sintéticas por meio do aumento do consumo global de fibras naturais.
Safra 2026/27: mais área, mas com olho no custo e no clima Divulgação/CBA Alexandre De Marco: “A gente não controla o preço final; no fim do dia, a gente trabalha por margem” Para a próxima temporada, a Agroconsult projeta crescimento de 7% a 8,5% na área plantada, chegando a aproximadamente 2,2 milhões de hectares. O Mato Grosso deve superar novamente 1,5 milhão de hectares, enquanto a Bahia deve passar de 400 mil hectares. A expansão, contudo, encontra uma limitação importante: crédito e financiamento.
O clima será outro ponto de atenção. O El Niño pode alterar a distribuição das chuvas e reduzir a segurança da janela de plantio, especialmente no Nordeste e na segunda safra do Centro-Oeste. Na Bahia, porém, a expansão da irrigação elevou a capacidade de resposta do produtor.
Segundo Pessôa, quase 200 mil hectares de algodão já são irrigados no estado. O custo também entra no centro da equação. A alta dos fertilizantes, especialmente os fosfatados, impediu uma redução mais expressiva do custo de produção para 2026/27.
Ainda assim, a valorização recente do algodão melhorou a relação de troca do produtor. Pessôa avalia que o setor deve manter um nível adequado de rentabilidade na próxima safra, embora longe dos maiores picos históricos. Para De Marco, o ponto crítico está cada vez menos no custo direto da lavoura e mais nas despesas administrativas, comerciais, financeiras e logísticas.
” Até quinta-feira (23), a Forbes Agro acompanhará os principais debates, anúncios e tendências que devem influenciar os rumos de uma das cadeias mais estratégicas do agronegócio nacional. O post Algodão Brasileiro Atinge R$ 36,4 Bilhões E Mira Novo Salto Global apareceu primeiro em Forbes Brasil . ]]>
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