Alugou as Torres Gêmeas Antes do 11 de Setembro: a História de Larry Silverstein
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Na manhã de 11 de setembro de 2001, Larry Silverstein se preparava para ir trabalhar no World Trade Center quando sua esposa, Klara, lembrou que ele tinha uma consulta com o dermatologista. O empresário tentou cancelá-la, mas ela insistiu.
A decisão acabou salvando sua vida. “Se não fosse pela preocupação diária de Klara com o meu bem-estar, eu não estaria aqui”, reconheceu Silverstein anos depois, em entrevista à Forbes. O detalhe que transformou aquela ausência em uma das maiores coincidências de sua vida é que, apenas sete semanas antes, ele havia assinado um contrato de arrendamento de 99 anos das Torres Gêmeas e de outras áreas do complexo.
Aos 70 anos, acabava de fechar a maior operação imobiliária de sua carreira. Vinte e cinco anos depois dos atentados, Silverstein tem 95 anos, um patrimônio estimado em US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões) e ainda vai ao escritório no 7 World Trade Center. De lá, acompanha o avanço da última grande peça de uma reconstrução que consumiu boa parte de sua vida.
Em julho, começaram as obras do 2 World Trade Center, futura sede mundial da American Express e torre que completará o projeto comercial iniciado após o 11 de Setembro. Como chegou a controlar as Torres Gêmeas Silverstein nasceu no Brooklyn, em 1931, e começou a carreira trabalhando na imobiliária de seu pai. Com o tempo, transformou o pequeno negócio familiar na Silverstein Properties, uma incorporadora que participou de projetos de escritórios, residências, hotéis e estabelecimentos comerciais que somam mais de 4 milhões de metros quadrados.
Silverstein Properties Silverstein assumiu o controle do complexo em 24 de julho de 2001, apenas sete semanas antes dos ataques. Sua ligação com a região começou em 1980, quando obteve o direito de desenvolver o 7 World Trade Center. Duas décadas depois, a Autoridade Portuária de Nova York e Nova Jersey abriu uma concorrência para transferir a operação do complexo para a iniciativa privada pela primeira vez desde sua inauguração.
A Vornado Realty Trust apresentou uma proposta superior à de Silverstein, mas abandonou as negociações antes de fechar o acordo. O empresário voltou à disputa e, em 24 de julho de 2001, assinou, junto com a Westfield America, uma operação avaliada em US$ 3,2 bilhões (R$ 16 bilhões). 500 metros quadrados de lojas.
A Silverstein Properties assumiu o controle dos escritórios, enquanto a Westfield America ficou à frente da área comercial. Silverstein não havia comprado nem o terreno nem os edifícios. Tornou-se arrendatário e assumiu obrigações que se estenderiam por 99 anos.
Uma das cláusulas estabelecia que ele deveria restaurar os imóveis em caso de catástrofe, mesmo que os seguros não fossem suficientes para cobrir os danos. 753 pessoas em Nova York. Dez dias depois, Silverstein apareceu diante da imprensa e anunciou que reconstruiria o World Trade Center.
Silverstein Properties) A reconstrução custou mais de US$ 20 bilhões e durou três décadas. A decisão abriu um debate que atravessou toda a cidade. Algumas propostas defendiam preservar a maior parte do que ficou conhecido como “Marco Zero” como um espaço de memória, enquanto outras buscavam incluir moradias.
Silverstein defendeu a recuperação dos escritórios e da atividade econômica, acompanhada da construção de um memorial dedicado às vítimas. “Foi um ambiente tipicamente nova-iorquino, apaixonado, barulhento e conflituoso”, lembrou ele na reportagem publicada pela Forbes em 2021. A batalha pelos seguros e a divisão da reconstrução Antes de iniciar as obras, Silverstein se envolveu em uma batalha judicial com as seguradoras.
As apólices contratadas para o complexo ofereciam uma cobertura de aproximadamente US$ 3,55 bilhões (R$ 17,75 bilhões) por sinistro, mas nem todas definiam o conceito da mesma maneira. O empresário argumentou que o impacto de cada avião constituía um evento independente e reivindicou cerca de US$ 7,1 bilhões (R$ 35,5 bilhões). As seguradoras sustentaram que os ataques faziam parte de um único episódio e que, portanto, deveriam pagar apenas uma cobertura.
Os júris chegaram a conclusões diferentes, de acordo com a redação de cada apólice. O conflito terminou em 2007 com uma indenização total de US$ 4,55 bilhões (R$ 22,75 bilhões), dividida entre a Silverstein Properties e a Autoridade Portuária. A indenização deveria ser destinada às obras e cobria apenas uma parte da reconstrução, cujo custo ultrapassou US$ 20 bilhões (R$ 100 bilhões) em investimentos públicos e privados.
A disputa com as seguradoras foi apenas um dos obstáculos. Silverstein também precisava continuar pagando cerca de US$ 102 milhões (R$ 510 milhões) por ano pelo contrato de arrendamento, embora os edifícios originais já não existissem. Em 2006, ele chegou a um acordo decisivo com a Autoridade Portuária para destravar as obras.
O empresário cedeu seus direitos sobre o One World Trade Center e concentrou sua participação nas torres 2, 3 e 4. Em troca, conseguiu acesso a financiamento por meio de títulos Liberty isentos de impostos para avançar com esses projetos. A Autoridade Portuária ficou responsável pelo edifício mais alto do complexo.
Os processos judiciais, a busca por financiamento, as discussões sobre os projetos e as negociações com governos, bancos e potenciais inquilinos prolongaram o processo por décadas. Silverstein contou essa batalha em “The Rising”, livro de memórias que publicou em 2024. O 7 World Trade Center foi o primeiro edifício a reabrir, em maio de 2006.
A reconstrução continuou com a inauguração do 4 World Trade Center, em 2013; do One World Trade Center, em 2014; e do 3 World Trade Center, em 2018. A transformação do terreno incluiu as duas grandes piscinas construídas sobre as áreas onde ficavam as Torres Gêmeas, que fazem parte do memorial do 11 de Setembro e foram abertas ao público em 2011. Com o passar dos anos, foram acrescentados o museu, o centro de transporte Oculus, projetado por Santiago Calatrava, a Igreja Ortodoxa Grega de São Nicolau e o Perelman Performing Arts Center.
Silverstein Properties O Museu do 11 de Setembro foi inaugurado em 2014 e abriga artefatos, depoimentos e vestígios estruturais recuperados do Marco Zero. 776 pés, em referência ao ano da Declaração de Independência dos Estados Unidos. Silverstein passou então a concentrar seus esforços na construção das demais torres comerciais do terreno.
A última torre comercial que faltava Durante anos, o grande espaço pendente foi o 2 World Trade Center. Parte de suas fundações já estava construída, mas Silverstein não podia avançar sem uma empresa que garantisse a ocupação do edifício e facilitasse seu financiamento. O projeto passou por várias transformações.
Em 2006, Norman Foster apresentou um arranha-céu coroado por quatro estruturas em formato de diamante. Em 2015, a chegada da News Corp. e da 21st Century Fox como possíveis inquilinas impulsionou um novo projeto de Bjarke Ingels, formado por blocos escalonados com terraços, segundo a Wired.
As empresas desistiram da mudança um ano depois, e o plano voltou a ficar paralisado. O Deutsche Bank também avaliou instalar ali sua sede nos Estados Unidos, mas acabou escolhendo outro edifício em Manhattan. A definição veio em fevereiro de 2026, quando a American Express anunciou que construiria ali sua nova sede mundial.
As obras começaram oficialmente em julho, com um projeto atualizado da Foster + Partners. A torre terá 55 andares, quase 186 mil metros quadrados e capacidade para abrigar cerca de 10 mil funcionários. A multinacional ocupará todo o edifício, será sua proprietária e arrendará o terreno da Autoridade Portuária.
A empresa não receberá financiamento nem incentivos da cidade, do estado ou da autoridade portuária para sua construção. A inauguração está prevista para 2031 . Foster + Partners A American Express será proprietária do edifício 2 World Trade Center e arrendará o terreno à Autoridade Portuária.
O início das obras aproxima Silverstein do cumprimento da promessa que fez depois dos atentados. Segundo o New York Post, as torres comerciais concluídas do World Trade Center estão 97% alugadas. O complexo ainda tem outro projeto pendente.
160 apartamentos. Um terço das unidades será destinado a moradias acessíveis, mas o aumento dos custos e as dificuldades para obter financiamento atrasaram sua construção. A reconstrução do World Trade Center acompanhou uma transformação mais ampla de Lower Manhattan, a região sul de Manhattan.
446 habitantes em 2001 para mais de 70 mil em 2024, enquanto a economia local se diversificou com a chegada de empresas de tecnologia, veículos de comunicação, hotéis e estabelecimentos comerciais. Se o cronograma for cumprido, Silverstein terá 100 anos quando o 2 World Trade Center abrir suas portas. “Depois do 11 de Setembro, fiz uma promessa aos nova-iorquinos: reconstruiríamos o World Trade Center, lembraríamos aqueles que perdemos e restauraríamos a atividade comercial de Lower Manhattan”, afirmou ao New York Post.
O contrato que ele acreditava que coroaria sua carreira acabou se transformando em uma obrigação que o acompanhou pelo restante de sua vida profissional. com O post Alugou as Torres Gêmeas Antes do 11 de Setembro: a História de Larry Silverstein apareceu primeiro em Forbes Brasil . ]]>
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