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    Anvisa investiga 13 casos de doença rara ligada a canetas para diabetes e controle do peso
    Olhar Digital·27 de set., 17:14

    Anvisa investiga 13 casos de doença rara ligada a canetas para diabetes e controle do peso

    A Anvisa investiga 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noia) em pacientes que usavam medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 , indicados para diabetes e obesidade . A doença é rara e pode provocar perda permanente da visão. Os casos envolvem Ozempic , Wegovy , Rybelsus e Mounjaro .

    A relação entre os medicamentos e a doença ainda não foi comprovada. Um estudo encontrou associação entre a semaglutida e maior risco de Noia, mas os próprios pesquisadores apontaram limitações para estabelecer uma relação de causa e efeito. Estudo com mais de 1,6 mil prontuários encontrou associação entre semaglutida e maior risco de perda de visão causada pela Noia.

    – Imagem: Alones/Shutterstock O que mostram as notificações As 13 notificações fazem parte de um conjunto de 24 suspeitas de neuropatia isquêmica óptica registradas no painel de farmacovigilância da Anvisa desde 2018. Os demais casos envolvem outras classes de medicamentos. Entre os agonistas de GLP-1, os registros citam: Ozempic: 5 notificações; Wegovy: 3 notificações; Wegovy FlexTouch: 2 notificações; Rybelsus: 2 notificações; Mounjaro: 1 notificação.

    A Anvisa esclarece que as notificações podem se sobrepor entre os medicamentos. No sistema, são 12 registros relacionados à semaglutida e um à tirzepatida. A Noia ocorre quando pequenos vasos que irrigam a parte frontal do nervo óptico ficam obstruídos.

    O processo reduz o fornecimento de oxigênio e nutrientes para as células nervosas e pode provocar uma perda repentina da visão, geralmente sem dor. Desde junho de 2025, a condição aparece na bula dos medicamentos com semaglutida, por determinação da Anvisa, como reação adversa muito rara. O que dizem os estudos Um estudo publicado na JAMA Ophthalmology analisou mais de 1,6 mil prontuários e encontrou um risco de Noia entre quatro e sete vezes maior em pacientes que receberam semaglutida, em comparação com pessoas que usavam outros medicamentos.

    Os pesquisadores ressaltaram, porém, que os dados não permitem estabelecer uma relação de causa e efeito. Muitos dos pacientes também tinham diabetes, condição que pode aumentar a vulnerabilidade dos vasos sanguíneos e do nervo óptico. Essa é uma doença rara, mas que a gente tem em alguns pacientes com doenças preexistentes como é o caso da diabetes.

    Esse tipo de paciente já tem a doença atacando seus vasos, trazendo mais risco. Com isso, fica difícil saber se esse paciente já teria a doença pelo quadro dele ou se ele tem porque está usando o medicamento. Rubens Belfort Neto, oftalmologista, ao g1 .

    O painel da Anvisa também reúne 74 registros de outras complicações visuais entre usuários das canetas. Visão turva aparece em 37 registros, enquanto comprometimento visual soma 29. Como uma mesma notificação pode apresentar mais de um sintoma, os números não representam necessariamente a quantidade de pacientes.

    Quem usa as canetas com indicação médica não deve interromper o tratamento por conta própria. Imagem: JNemchinova/iStock O que dizem as fabricantes A Novo Nordisk afirma que uma análise de ensaios clínicos, com mais de 83 mil pacientes-ano de observação no grupo que recebeu semaglutida, não identificou aumento na incidência de Noia em comparação com placebo. A empresa também considera favorável a relação entre benefícios e riscos da semaglutida.

    Leia mais: Canetas emagrecedoras: Ministério da Saúde pede avaliação de semaglutida e liraglutida para o SUS Canetas emagrecedoras expõem o preço da desigualdade na saúde Dormir mal afeta a expectativa de vida? Estudo revela possível relação entre sono e longevidade A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, afirma que monitora, avalia e comunica às autoridades informações de segurança relacionadas aos seus medicamentos, incluindo possíveis questões oftalmológicas. Para quem usa essas canetas com indicação médica, não há recomendação para interromper o tratamento por conta própria.

    Em caso de perda súbita ou recente da visão, o paciente deve procurar avaliação médica. Quando há diagnóstico de Noia, as sociedades médicas recomendam a suspensão do medicamento. Pacientes com diabetes também devem manter os exames periódicos da retina.

    A Anvisa continua acompanhando as notificações para verificar se existe uma relação entre os medicamentos e os casos registrados. O post Anvisa investiga 13 casos de doença rara ligada a canetas para diabetes e controle do peso apareceu primeiro em Olhar Digital . ]]>

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