SJX NEWS

    agenciabrasil.ebc.com.br

    Agência Brasil

    SJXNEWS
    Agência Brasil·19 de set., 15:21

    Apostas em bets avançam entre jovens e ampliam risco de dependência

    Cada vez mais jovens têm buscado ajuda para largar a dependência de bets, avalia Luiz Carlos*, integrante de um grupo de apoio para pessoas com problemas de jogo, a irmandade Jogadores Anônimos . Segundo ele, já é comum encontrar adolescentes na faixa de 14 anos procurando ajuda para conter o vício. “Hoje quem chega à irmandade é muito jovem.

    Já chegou até de 14 anos acompanhado pelo psiquiatra. Mas chegam jovens de 15, 16, 19, 20 anos, até 30, 35 anos", conta ele. Notícias relacionadas: Bets: quatro em cada dez mulheres apostam ou já apostaram online.

    Prevenção ao suicídio: profissionais de saúde destacam riscos com bets. Famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para bets em 2025. O jovem Gustavo Pereira é um dos que enfrentaram graves problemas financeiros e de saúde mental por conta da compulsão por bets.

    Atualmente com 24 anos de idade, ele começou a fazer apostas online aos 18 anos. Em um período de seis anos, chegou a perder meio milhão de reais por causa do vício. “Ganhava muito bem na época, já fiz R$ 10 mil virarem R$ 300 mil, já fiz bancas inimagináveis, fiz R$ 10 mil virarem R$ 200 mil, R$ 240 mil, e perdi tudo.

    Então o dinheiro começou a perder valor para mim, eu comecei a perder a dimensão do dinheiro, na minha conta não tinha todo aquele valor, mas lá na bet tinha, e o vício faz isso, te enche de ganância", diz o jovem. Gustavo Pereira começou a vender café nas ruas de Lages, em Santa Catarina, para recomeçar a vida após deixar de apostar em bets - Foto: Gustavo Pereira/Arquivo Pessoal Gustavo conta que está há cerca de dois meses sem apostar e tenta recomeçar a vida vendendo café nas ruas de Lages (SC). Ele mantém um perfil no Instagram onde posta conteúdos sobre seu trabalho e sobre como faz para superar o vício e evitar recaídas.

    "Eu dormia pensando em apostar e acordava pensando em apostar. Nestes seis anos, eu enfrentei muitas coisas, mudei com a depressão, uma síndrome do pânico, e graças a Deus eu me libertei disso. Hoje vendo café na rua e, se estou aqui, foi graças a Deus, à minha fé, me apeguei nas pessoas que amo, consegui superar isso, e hoje meu propósito de vida é ajudar pessoas”, relata Gustavo.

    Especialistas afirmam que a facilidade de acesso às plataformas de jogos pelo celular amplia a exposição de jovens às bets. Dados do Fundo das Nações Unidas para a infância (Unicef) mostram que uma em cada cinco pessoas no mundo começa a apostar em jogos online até os 11 anos de idade . O número chega a 78% a partir de 12 anos.

    Os dados, de 2021, continuam atuais. É o que indica uma pesquisa deste ano feita no Brasil e divulgada pela Frente Parlamentar Mista de Educação. 912 estudantes dos ensinos médio e fundamental, 9,5% fizeram a primeira aposta aos 11 anos.

    Quase metade dos entrevistados no 3º ano do ensino médio fizeram apostas. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) mostrou que canais voltados ao público infantil exploram a falta de maturidade financeira de crianças e adolescentes para promover apostas ilegais. Psicóloga Mariana Kehl, membro da Sociedade Brasileira de Psicologia - Foto: Mariana Kehl/Arquivo Pessoal A psicóloga Mariana Kehl, membro da Sociedade Brasileira de Psicologia, explica que o jovem é mais vulnerável a apelos desse tipo porque o cérebro dele ainda está em construção.

    Enquanto o núcleo ligado à sensação de prazer e à dopamina funciona em ritmo acelerado, as regiões que controlam os impulsos e avaliam riscos só terminam de amadurecer aos 20 e poucos anos. “O adolescente sente intensamente o prazer de ganhar uma aposta, mas ele, em contrapartida, ainda não dispõe do aparato para frear o impulso da aposta seguinte”, diz. Cassino no bolso Luiz Carlos tem 71 anos e lembra que, quando começou a jogar, na década de 1980, não existia celular.

    Na época, o vício eram as máquinas de videopôquer. ” ”Graças a Deus eu não jogo hoje, porque, se eu jogasse, estava perdido. Na minha época, a gente tinha que sair de casa para jogar.

    Hoje não precisa mais, você carrega um cassino dentro do seu bolso", afirma. A dependência de Luiz Carlos é a mesma de quem aposta online , como Rogério* (53 anos), Rodrigo* (47) e Carla Xavier* (41), também frequentadores do Jogadores Anônimos. Luiz Carlos está há 15 sem jogar.

    Carla e Rogério estão há mais de um ano longe do vício, enquanto Rodrigo está há seis meses sem apostar. A abstinência foi conquistada graças à irmandade Jogadores Anônimos. Segundo Carla, o grupo tem recebido principalmente pessoas que já perderam tudo por causa de apostas.

    "[Elas] já não tem mais onde pedir ajuda. Então já estão desacreditadas da vida, já estão pensando em suicídio, estão devendo para um monte de gente. Essas são as pessoas que procuram o grupo.

    ” Ouça na Radioagência Nacional Compulsão e endividamento Relatório do IBICT concluiu que pelo menos 24 milhões de brasileiros apostaram em bets em 2024, sendo que quase metade ficou endividada. São muitos os relatos de quem passou pelo problema, como Rogério, que frequenta a irmandade Jogadores Anônimos. Ele diz que no começo as apostas pareciam inofensivas.

    Percepção que mudou quando elas começaram a controlar a vida dele de forma negativa. ” Segundo o diretor do IBICT, Tiago Braga, as apostas online não são um investimento, mas um gasto. O descontrole aumenta o risco.

    “Quanto mais você aposta ou quanto mais você gasta recursos com a aposta, menos você terá recursos para o seu futuro. ” Endividamento e ensino superior Pesquisa da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) aponta que 34% dos entrevistados afirmaram que precisariam parar de gastar com apostas para conseguir iniciar uma graduação em 2026. Entre aqueles que já estão no ensino superior, 14% relataram ter atrasado as mensalidades ou trancado o curso por causa dos gastos com bets.

    Diretor-geral da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), Paulo C

    Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.

    Leia a matéria completa em Agência Brasil