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    Poder360·23 de set., 19:37

    Argentina fecha 31.000 empresas durante governo Milei

    342 empresas, 6,1% do total das companhias registradas no país. O número de postos formais de emprego privado caiu em 245,6 mil em 31 meses. “Se observarmos os dados do governo Milei, vemos que, durante essa gestão, a quantidade de empresas caiu tanto quanto na pandemia” , diz o último informe Monitor Mensal de Empresas, da Fundar, centro de pesquisas da Argentina.

    Eis a íntegra do levantamento, em espanhol (PDF – 362 kB). O balanço da Fundar sobre as empresas argentinas abrange os meses de novembro de 2023, quando Milei assumiu o governo, até junho de 2026. Dos 18 setores pesquisados, 14 tiveram queda no número de empresas.

    A única exceção é a província de Neuquén, onde a exploração de gás natural de Vaca Muerta tem impulsionado as exportações argentinas. A indústria do país vizinho também vem apresentando retração, no acumulado de 12 meses, de 2,6%, fechados em julho deste ano. A indústria de equipamentos eletrônicos e médicos tem o pior resultado, com queda acumulada de 19,1% em 1 ano, segundo dados oficiais do Indec (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos).

    Desemprego O fechamento de empresas tem afetado o nível de empregos no país ao longo do governo Milei. De novembro de 2023 a junho de 2024, perderam-se 245,6 mil empregos privados registrados, queda de 3,9% do total, segundo levantamento do Cepa (Centro de Economia Política Argentina). A perda foi compensada, em parte, por um aumento dos trabalhadores autônomos de 169 mil no período, crescimento de 8,3% nesse perfil de emprego.

    “Os empregos perdidos são parcialmente substituídos por atividades desprotegidas” , diz o informe da Cepa. ) no 1º semestre de 2026, se comparado com o mesmo período de 2025, chegando a 7,9% da população economicamente ativa, calcula o Indec. Inflação vs empregos A redução do emprego e da atividade industrial contrasta com a melhora dos indicadores de inflação , que caiu de uma taxa anual de 289%, em abril de 2024, para 33,5%, em agosto deste ano, considerando o acumulado dos 12 meses anteriores.

    O professor de economia da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, Paulo Gala, comentou à Agência Brasil que a estabilidade inflacionária no país vizinho é frágil. Segundo o especialista, essa estabilidade é resultado do corte de gastos públicos, dos empréstimos bilionários com o FMI (Fundo Monetário Internacional) e de uma moeda sobrevalorizada. Porém, ele explica que o peso mais valorizado prejudica a indústria do país.

    “A moeda sobrevalorizada ajuda a controlar a inflação, só que ela detona o setor industrial. Estamos vendo agora é a contração industrial, perda de empregos industriais, desemprego com quase 8% e o crescimento perdendo muito fôlego” , afirmou. A dívida externa de US$ 350 bilhões é outro fator que, segundo o economista, evidencia a fragilidade da situação econômica do principal parceiro comercial do Brasil na América Latina.

    “The Economist” A agenda econômica do governo de Javier Milei, desde o início do seu mandato, tem recebido apoio de setores do mercado financeiro e da mídia especializada que defendem uma agenda considerada liberal ou neoliberal na economia, com desregulação trabalhista, corte de gastos e abertura comercial. Mesmo publicações entusiastas da agenda de Milei, como a publicação inglesa The Economist , têm alertado para problemas na gestão econômica. Em editorial crítico ao governo da Casa Rosada, publicado neste mês, a The Economist escreveu que “os salários reais ainda são menores do que quando ele assumiu o cargo; empregos formais estão desaparecendo”, destacou a revista, acrescentando que “Milei se mostrou relutante em aceitar que seus esforços para conter a inflação tenham prejudicado o crescimento” .

    Governo Milei Em discurso durante conferência sobre a economia argentina, no fim de agosto, o presidente Javier Milei respondeu às análises negativas sobre o desempenho econômico do país. Ele destacou como positivos os indicadores de exportações, consumo privado, inflação e do Produto Interno Bruto, que cresceu 4,4% em 2025, depois de uma retração de 1,3% em 2024. “Se fosse realmente o caso de todas as empresas estarem fechando e nenhuma abrindo, o desemprego teria que estar disparando, e o desemprego não está disparando” , justificou.

    Milei ainda criticou empresários que dependam do Estado. “Queremos ser grandes? Precisamos amadurecer, e esses capitalistas de compadrio precisam falir” , disse.

    Este texto foi publicado originalmente pela Agência Brasil, em 23 de setembro de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360 . ]]>

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