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    Argentina oferece isenção de regras e imposto menor para atuar com IA na Patagônia
    Olhar Digital·03 de nov., 14:52

    Argentina oferece isenção de regras e imposto menor para atuar com IA na Patagônia

    A Argentina quer transformar a Patagônia em um polo de data centers voltados à inteligência artificial. Para atrair grandes empresas de tecnologia, o presidente Javier Milei promete reduzir impostos e manter a IA livre de regulamentações. A estratégia já despertou o interesse de empresas como OpenAI , Amazon e Google, mas também levanta questionamentos sobre os impactos ambientais e os benefícios dos investimentos para a população local.

    A Patagônia reúne grandes áreas disponíveis, temperaturas amenas e ventos fortes, características citadas para atrair data centers. – Imagem criada por inteligência artificial: Gemini/Olhar Digital Patagônia atrai empresas de tecnologia A região reúne condições favoráveis à instalação de data centers : grandes extensões de terras disponíveis, temperaturas amenas, ventos fortes e acesso ao gás da formação de xisto de Vaca Muerta, que pode ser utilizado na geração de energia e no resfriamento das instalações. Enquanto comunidades dos Estados Unidos e da Europa contestam novos empreendimentos pela disputa por eletricidade, o governo argentino tenta aproveitar essas condições para atrair investidores.

    No mês passado, durante encontro com a Câmara de Comércio dos Estados Unidos, Milei declarou: “Não vamos regulamentar a inteligência artificial. Vamos deixá-la livre”. Registros de visitantes obtidos pela Associated Press mostram que representantes de empresas e investidores do setor se reuniram com o presidente e seus assessores nos últimos meses.

    Entre eles estão o investidor Peter Thiel e representantes da OpenAI, Amazon , Google e Oracle . A movimentação também envolve a desenvolvedora de data centers Crusoe, que procurou autoridades argentinas neste ano para discutir investimentos apoiados pelo governo dos Estados Unidos. A empresa participou da construção do principal campus da OpenAI no Texas.

    Outro empreendimento em negociação é o da polonesa Green Capital, que planeja investir US$ 3 bilhões (cerca de R$ 16,05 bilhões) em um complexo na Patagônia . A estrutura seria alugada a grandes empresas de tecnologia para processamento de IA, mas ainda não tem cliente definido. Incentivos fiscais e preocupações ambientais Para atrair projetos desse porte, Milei defende um programa que reduziria de 25% para 15% a alíquota do imposto de renda corporativo em investimentos de pelo menos US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,45 bilhões) ligados à inteligência artificial e a outros setores emergentes.

    A proposta aguarda aprovação do Senado. O incentivo, porém, não estabelece contrapartidas relacionadas ao uso da infraestrutura no próprio país. As empresas não precisam reservar capacidade computacional para o mercado argentino nem divulgar quanto de água e energia seus empreendimentos consumirão.

    A questão da soberania tecnológica está entre as preocupações de pesquisadores e ambientalistas. Alan Rocha Varsanyi, do grupo argentino Observatorio Petrolero Sur, avalia que a capacidade de processamento será destinada principalmente à demanda internacional das empresas contratantes, e não ao desenvolvimento tecnológico local. A falta de regulamentação também levanta preocupações sobre riscos como vigilância em massa e ataques cibernéticos.

    Nicolás Wolovick, professor de ciência da computação da Universidade Nacional de Córdoba, teme que o país se transforme em um laboratório para tecnologias que não seriam testadas em mercados mais regulados. Especialistas em computação alertam que a ausência de regras pode transformar o país em um laboratório para testes sem salvaguardas. – Imagem: FOTOGRIN/Shutterstock Projeto bilionário enfrenta resistência local Na província de Chubut, a Green Capital planeja instalar seu complexo em uma área de 130 mil hectares arrendada de 14 proprietários rurais.

    Entre eles está a família de Francisco Sáenz, engenheiro agrônomo e criador de ovelhas que vê no empreendimento uma alternativa de renda diante do declínio da atividade pecuária. A construção não deve começar antes de 2028. Quando estiver em operação, o campus poderá consumir, em um ano, cerca de 2,7 vezes a eletricidade utilizada por toda a cidade de Buenos Aires em 2025, segundo cálculo da Associated Press.

    A Green Capital afirma que produzirá a própria eletricidade, utilizando turbinas eólicas, fazendas solares e geradores a gás. As autoridades provinciais esperam que o projeto atraia bilhões de dólares em investimentos, crie empregos especializados e ofereça um mercado para o excedente de energia eólica. As garantias, porém, ainda não convenceram todos os moradores de Trelew, cidade próxima ao local previsto para a construção.

    Os estudos ambientais estão em andamento, as licenças continuam pendentes e a empresa não detalhou o consumo de água nem a participação do gás na geração de energia. A falta de informações motivou mobilizações presenciais e na internet sob o lema “Trelew Livre de Data Centers”. A resistência também chegou ao Congresso, onde a oposição conseguiu modificar uma proposta de flexibilização das regras para a propriedade de terras por estrangeiros e bloquear o plano de Milei para permitir que agentes de inteligência artificial controlem empresas.

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