Argentina privatiza empresa de saneamento em vitória para Milei
A Argentina escolheu o vencedor da disputa pela participação de 90% que o governo detém na empresa responsável pelo abastecimento de água e pelo saneamento de Buenos Aires. O negócio, de US$ 340 milhões, representa uma vitória para a agenda de privatizações do presidente Javier Milei, após um revés em uma licitação ferroviária. O governo informou nesta quinta-feira que venderá sua participação na Agua y Saneamientos Argentinos a um consórcio formado por empresas argentinas e brasileiras.
O contrato será assinado no próximo mês. A privatização tem valor simbólico para Milei, que tenta desmantelar políticas econômicas intervencionistas consolidadas ao longo de anos pela dinastia política Kirchner. O presidente libertário pretende disputar um segundo mandato no próximo ano, em meio a dúvidas sobre os resultados de sua experiência de livre mercado.
Leia também Economia Em revés para Milei, Grupo México desiste de disputa por ferrovias na Argentina Economia Argentina pode recorrer à China para financiar dívida de US$ 5 bilhões em 2027 O ex-presidente Néstor Kirchner cancelou, em 2006, a concessão do serviço de água de Buenos Aires a um grupo liderado por uma empresa francesa e criou a estatal AySA para assumir a operação. A medida foi uma das que marcaram o início de um período em que investidores perderam a confiança nas garantias jurídicas da Argentina. O governo também perdeu uma arbitragem internacional relacionada à empresa, cujo acordo foi concluído em 2019.
Um dia antes da conclusão do acordo envolvendo a AySA, um conglomerado controlado pelo bilionário mexicano Germán Larrea desistiu da disputa pela concessão de uma rede estatal de ferrovias de carga. O Grupo México SAB, que contava com apoio de interesses americanos, havia manifestado preocupação com o modelo operacional escolhido pelo governo Milei. A decisão de abandonar a disputa evidencia os resultados mistos da agenda de privatizações do presidente até agora.
As privatizações eram um dos pilares do programa econômico de Milei quando ele chegou ao poder, há quase três anos. Mas o processo tem enfrentado obstáculos. Em 2024, parlamentares se recusaram a autorizar a venda de diversas empresas, incluindo a petrolífera estatal YPF SA, a companhia aérea nacional e o banco estatal.
Milei conseguiu concluir algumas operações. Na primeira delas, o governo vendeu a empresa de engenharia Impsa. Também está desmobilizando a Enarsa, sua estatal de energia, por meio da venda de ativos individualmente.
Em junho, a Enarsa vendeu sua participação na operadora de linhas de transmissão de energia Transener por US$ 356 milhões. Em determinado momento, o plano de privatização da AySA previa uma oferta pública inicial de ações ( IPO, na sigla em inglês ), com a venda de parte dos papéis na bolsa, mas a proposta não foi adiante. Ofertas de ações têm sido raras durante o governo Milei.
No início deste mês, investidores da geradora de energia YPF Luz também desistiram de um IPO e optaram por uma venda privada. ]]>
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