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    Forbes Brasil·16 de set., 19:20

    Aroma de Figo

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Muitas coisas se falam sobre viagens, mas alguns importantes detalhes escapam. Por exemplo, viajar pela Grécia significa viajar por ilhas de um grande arquipélago.

    Quando pensamos em planejar um roteiro pela Grécia, devemos ponderar sobre quantas ilhas iremos visitar e isso sempre depender dos nossos objetivos e de quanto tempo dedicaremos para essa viagem. Qualquer viajante experiente sabe que, para se visitar várias ilhas, talvez o maior dos problemas é como se deslocar entre elas. Na Grécia, por exemplo, as ilhas mais interessantes não ficam próximas e transitar entre elas pode ser demorado e caro.

    O jeito mais rápido seria o descolamento de avião; porém, como não existem voos diretos entre as ilhas é preciso, na maioria das vezes, fazer conexão em Atenas ou Creta. Entendido isso, decidi fazer uma viagem de barco, de forma que eu poderia conhecer ilhas menos turísticas e fazer deslocamentos menores. Havia também a opção de ferry-boats, que são grandes navios que levam centenas de passageiros e, durante o período de verão, existem várias empresas e navios que fazem trajetos interessantes, mas nesse caso é preciso reservar diferentes hotéis para cada noite.

    A decisão de viajar a bordo de um pequeno barco, onde eu pudesse estar hospedada e a oportunidade de explorar as ilhas de bicicleta foi assertiva. Surgiu no meu radar uma viagem de 8 dias quando seria possível visitar 4 ilhas gregas: Kós, Nisyros, Tilos e Symi . Numa rápida exploração seria possível ver de perto belezas que eu não conhecia de perto e aprender um pouco sobre a cultura local.

    A viagem seria uma travessia marítima de barco, com trechos terrestres feitos de bicicleta. A melhor parte de uma viagem de bicicleta é a facilidade de podermos entrar com tranquilidade no ritmo do local sendo possível explorar de perto pequenas aldeias. Essa viagem teve início em Bodrum, na Turquia.

    Após visitar a fortaleza medieval muito conservada, símbolo da cidade, o Castelo de Bodrum (também conhecido como Castelo de São Pedro), o melhor programa foi passear pelo calçadão à beira mar, que é na verdade uma enorme marina pública, encontrei a maior concentração de veleiros e barcos de turismo que já vi. Foi num deles que embarquei e encontrei a bicicleta que seria minha companheira nessa experiência. Éramos 12 passageiros, de diferentes origens e diferentes experiências de vida.

    Cada um dava seu ritmo, mas procurávamos nos manter relativamente próximos. Viajar em grupo, principalmente com pessoas que não conhecemos, nos traz mais entusiasmo e diversão. O difícil era observar, pedalar, fotografar e estar próxima ao grupo.

    O compasso que damos a uma viagem de bicicleta é dado pelo esforço das nossas pernas. Com isso, é possível ver a viagem passar mais devagar, e temos tempo para vermos coisas que não veríamos numa viagem de turismo convencional. O que os guias de viagem e mesmo os influenciadores mais competentes não conseguem transmitir é o sentimento que se experimenta quando se está descobrindo um novo lugar.

    De tudo o que eu vivi nessa viagem, talvez a minha maior surpresa tenha sido os cheios que senti enquanto pedalava. Ladeira acima, ladeira abaixo, ao sairmos das vilas, imediatamente vinha no ar um forte aroma de figos. Nem sei se eram figos ou algo parecido, mas esse aroma, marcante e maravilhoso, esteve presente em cada curva do caminho.

    Outra coisa que não se fala sobre viagens de bicicleta são os sons da natureza. Nas longas estradas, entre retas e curvas, o som predominante é dos insetos que se misturam com o canto dos pássaros. As cigarras reinavam soberanas nas estradas da Grécia.

    Algumas vezes parei no acostamento apenas para fechar os olhos e ouvir a gritaria delas. Posso dizer também que não conhecia a força da simbologia mística atribuída ao Olho Grego, presente de forma marcante por todo o país. Poder me sentar sob a sombra de uma árvore decorada por uma infinidade de olhos gregos foi mais um momento especial.

    Ali me conectei com a energia de muitos daqueles que depositaram nas fitinhas onde pendiam pequenos olhos de diferentes cores seus vários sonhos e esperanças. Na Ilha KOS (Cós) aprendi sobre Hipócrates, considerado o pai da medicina e pude observar de perto famoso Plátano, árvore símbolo da medicina. A árvore atual, localizada numa praça no centro da ilha, em frente ao Castelo dos Cavaleiros é sucessora da sua matriz, que vem sendo conservada ao longo dos tempos.

    400 anos, Hipócrates ensinava a seus discípulos sua teoria sobre a arte de cura através de hábitos saudáveis, foi mais um momento especial. A ilha NISYROS (Nisiros) que é praticamente a borda da cratera do vulcão Stefano, traz na memória do visitante, a lembrança do forte contraste entre a cor azul do mar e das molduras das janelas, em contraponto aos terraços brancos, além dos pisos dos pavimentos serem em parte ornados com seixos brancos e pretos. A praia Nikia, popularmente chamada Pebble Beach, formada por seixos vulcânicos pretos, de todos os tamanhos, lisos, polidos e arredondados.

    Esse conjunto torna visitar a ilha uma experiência inesquecível. Na ilha TILOS , famosa por ser a primeira no mundo a atingir o selo de lixo zero e autonomia energética renovável, pude conhecer o sistema híbrido de energia solar e eólica com baterias. Ali também conheci algo inesperado: o Museu dos Elefantes Anões.

    000 anos atrás, tornando-se os últimos exemplares nativos da Europa. Os elefantes de Tilos mediam 10% do tamanho de seu ancestral continental e demonstra o fenômeno evolutivo do nanismo insular em ilhas do Mediterrâneo na pré-história. A Ilha SYMI (Simi) é pequena e pitoresca, bem diferente das demais.

    Ao contrário das famosas vilas brancas e azuis das Cíclades, a arquitetura de Simy é inconfundível por ter uma concentração de casas coloridas em tons de ocre, rosa-velho, amarelo-manteiga e azul desbotado. Essas casas coloridas com fachadas simétricas, janelas altas e frontões trabalhados de influência italiana no estilo neoclássico, remonta ao século XIX e o apogeu do ciclo do comércio de esponjas marinhas e da construção naval. Passear pelo porto, mesmo sendo pequeno e estar sempre cheio de turistas, foi uma experiência maravilhosa.

    O Monastério de Panormitis localizado na mesma ilha, guarda um ícone de São Miguel Arcanjo muito venerado e faz da imagem do santo, uma das principais atrações da ilha e um dos maiores centros de peregrinação ortodoxa do Mar Egeu. A última atividade dessa viagem de barco e bicicleta foi em Knidos (Cnidos), na Península de Datça, na Turquia. Ali o mar Egeu se encontra com o mar Mediterrâneo e de onde se vê o mar na cor azul intenso, se observado do alto do monte, a partir das ruinas de 2 anfiteatros.

    Aquele importante sítio arqueológico já foi, na antiguidade, um centro de cultura, ciência e comércio. Segundo registros, o lugar é famoso por ter abrigado uma célebre estátua de Afrodite; porém, a tal escultura jamais foi localizada. Ali está também os alicerces do famoso Monumento do Leão.

    Infelizmente esse leão já não está mais ali. Atualmente ele instalado no grande tribunal em Londres sendo destaque na maior praça pública coberta na Europa. Mas vale a pena passear pelas ruinas e imaginar o que aquele lugar já foi um dia.

    Foram muitas descobertas ao longo da jornada. Quando viajamos de bicicleta nos sentimos mais vivos do que nunca. A cada pedalada podemos sentir o vento soprando no nosso rosto e a temperatura do dia abraçando o nosso corpo.

    ) e da brisa marinha. De bicicleta entramos no ritmo que os moradores locais imprimem ao seu cotidiano. Não imaginei que viajar de bicicleta por ilhas gregas seria uma experiência tão surpreendente.

    Até a próxima jornada! Por Marina Bandeira Klink: fotógrafa de natureza, com atuação reconhecida internacionalmente por registros das regiões mais remotas do planeta. É autora de três livros de fotografia e dois livros infantojuvenis adotados em escolas públicas e privadas.

    Seus trabalhos estão em exposições, livros didáticos, jornais e revistas no Brasil e no exterior. Em suas palestras, aborda temas como mudança de mindset, liderança, empreendedorismo, superação e meio ambiente a partir de experiências vividas em expedições pouco convencionais. O post Aroma de Figo apareceu primeiro em Forbes Brasil .

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