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    Money Times·22 de set., 11:29

    Ata do Copom: BC vê desaceleração ganhar força, mas deixa próximos cortes da Selic em aberto

    O Comitê de Política Monetária ( Copom ) reforçou a avaliação de que os juros elevados estão conseguindo desacelerar a economia brasileira, mas indicou que a inflação ainda pressionada pela demanda, as expectativas desancoradas e os riscos no cenário impedem uma flexibilização mais rápida da política monetária. Na ata da reunião de setembro, divulgada nesta terça-feira (22), o Banco Central destacou que as evidências de transmissão da política monetária restritiva para a atividade econômica “têm se acumulado gradualmente”. Na semana passada, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano.

    Segundo o documento, a atividade econômica manteve a trajetória de moderação já esperada pelo Comitê. A leitura do Produto Interno Bruto ( PIB ) do segundo trimestre confirmou a desaceleração indicada anteriormente por outros indicadores. O BC chamou atenção, principalmente, para o comportamento das partes da economia mais afetadas pelos juros.

    “A leitura mais recente do PIB, referente ao segundo trimestre de 2026, confirmou a desaceleração apontada por outros indicadores e revelou que o movimento foi mais intenso nas atividades econômicas e nos componentes da demanda mais sensíveis ao ciclo econômico”, afirmou. Para o Copom, esse esfriamento da economia faz parte do processo necessário para controlar os preços. O Comitê reiterou que “o arrefecimento da demanda agregada é um elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta”.

    Crédito também começa a sentir os juros Além dos dados de atividade, o Copom destacou o comportamento do crédito como mais uma evidência dos efeitos da política monetária. Segundo o BC, a evolução do crédito bancário com recursos livres é “consistente com um quadro de desaceleração do crescimento, em meio a uma política monetária restritiva”. A autoridade monetária observou redução especialmente nas modalidades de prazo mais longo, justamente aquelas mais sensíveis às mudanças na Selic .

    Já modalidades de curto prazo ou emergenciais, que costumam ser mais caras, continuaram crescendo, embora tenham desacelerado na margem. Na direção contrária, o crédito direcionado continuou avançando. Para pessoas físicas, o movimento foi sustentado pelo financiamento imobiliário, enquanto, para empresas, houve contribuição das operações com fundos garantidores.

    O mercado de trabalho também continua sendo acompanhado de perto. Apesar da desaceleração da ocupação e dos rendimentos na margem, a taxa de desemprego permanece em níveis historicamente baixos. Além disso, os salários ainda crescem, em termos reais, acima da produtividade do trabalho, um desequilíbrio relevante para o BC por seu potencial de manter pressões sobre os preços, especialmente no setor de serviços.

    Inflação cai, mas problema ainda não está resolvido A ata também reconheceu uma melhora no quadro inflacionário. Segundo o Copom, as leituras mais recentes mostram queda tanto da inflação cheia quanto da média das medidas subjacentes. Em ambos os casos, a inflação acumulada em 12 meses passou a ficar abaixo do limite superior do intervalo de tolerância da meta, embora permaneça acima do objetivo perseguido pelo Banco Central.

    A melhora dos dados correntes, porém, não foi acompanhada por uma melhora das projeções do próprio Copom. No cenário de referência, a autoridade monetária passou a projetar inflação de 5,2% em 2026 e de 3,9% em 2027 , ante 5,1% e 3,8%, respectivamente, na ata anterior. Para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, a estimativa permaneceu em 3,2% .

    As expectativas também seguem incomodando. O Copom afirmou que as projeções obtidas por diferentes instrumentos e grupos de agentes permanecem acima da meta em todos os horizontes. Nesse contexto, o Comitê repetiu um dos recados mais duros da ata anterior: “ em um ambiente de expectativas desancoradas , como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”.

    Fiscal permanece entre os riscos O Copom voltou a reforçar que a política fiscal interfere tanto na demanda no curto prazo quanto na percepção sobre a sustentabilidade da dívida pública e, consequentemente, no prêmio exigido pelos investidores na curva de juros. Segundo o Comitê, menor disciplina fiscal, incertezas sobre a estabilização da dívida e expansão do crédito direcionado podem elevar a taxa de juros neutra da economia e aumentar o custo necessário para controlar a inflação. “O Comitê mantém a firme convicção de que as políticas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas”, afirmou, acrescentando novamente a necessidade de políticas fiscal e monetária “harmoniosas”.

    No balanço de riscos, que continua assimétrico para cima, o BC também citou como ameaça estímulos à demanda agregada , especialmente ao consumo, que levem a economia a crescer acima de seu potencial e enfraqueçam os canais tradicionais de transmissão da política monetária. E os próximos cortes da Selic? Apesar das evidências mais claras de desaceleração da atividade, do crédito e da inflação corrente, o Copom manteve uma postura cautelosa sobre os próximos passos da política monetária.

    O Comitê afirmou que a política monetária “está contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação”, mas ponderou que “a inflação permanece pressionada pela demanda”, o que exige a manutenção de uma política monetária restritiva. Além disso, o BC manteve a avaliação de que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, estão acima do usual e apresentam “assimetria altista”. Diante desse cenário, o Copom não assumiu compromisso com o tamanho dos próximos movimentos da Selic.

    “A magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, afirmou. Para o Comitê, o cenário de incerteza elevada, expectativas desancoradas e riscos em torno das projeções ainda “demanda serenidade e cautela na condução da política monetária”. ]]>

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