Ataque à Binance: Trump comenta suspeita de envolvimento de hackers norte-coreanos
O governo dos Estados Unidos está investigando se hackers ligados à Coreia do Norte foram responsáveis por um ataque que desviou cerca de US$ 6,3 bilhões (aproximadamente R$ 34 bilhões) da Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo. A possibilidade foi comentada pelo presidente Donald Trump nesta sexta-feira (30), enquanto empresas especializadas em análise de blockchain apontam indícios de envolvimento de um grupo hacker norte-coreano. Questionado por jornalistas no Salão Oval da Casa Branca sobre a possível participação da Coreia do Norte, Trump respondeu que o governo estava investigando o caso.
“Estamos analisando isso”, afirmou. O presidente também reconheceu que houve um ataque hacker, mas não confirmou a autoria. A suspeita ganhou força após análises da TRM Labs e da Chainalysis, duas empresas especializadas em rastreamento de transações com criptomoedas.
As companhias identificaram semelhanças entre o incidente e operações anteriores atribuídas a hackers norte-coreanos. A TRM Labs apontou o grupo TraderTraitor, unidade de hackers de elite ligada à Coreia do Norte. A empresa afirmou ter alto grau de confiança nessa atribuição, conclusão que também foi compartilhada pela Chainalysis.
A Binance, porém, ainda não confirmou quem realizou o ataque. Como aconteceu o roubo bilionário? Os invasores conseguiram retirar aproximadamente US$ 6,3 bilhões em criptomoedas de carteiras utilizadas pela Binance para processar transações.
A maior parte das transferências aconteceu em cerca de 20 minutos, a partir do final da quinta-feira (29); Uma investigação inicial da corretora indicou que o ataque pode ter começado com o comprometimento do computador de um engenheiro da empresa. Posteriormente, a Binance identificou outros possíveis pontos de invasão; O co-CEO Richard Teng descreveu o episódio como um ataque complexo, que envolveu a manipulação de um sistema responsável por aprovar transações. Dessa maneira, os criminosos conseguiram movimentar recursos de uma carteira conectada à internet sem passar pelos controles habituais de autorização; A empresa também relatou o uso de software capaz de apagar rastros e evidências das atividades dos invasores, dificultando o trabalho de investigação; O ataque atingiu carteiras conectadas à internet, conhecidas como hot wallets.
Elas permitem movimentações mais rápidas de criptomoedas, mas ficam mais expostas a ameaças digitais do que as chamadas cold wallets, que mantêm os ativos offline. Binance promete cobrir as perdas Após identificar o ataque, a Binance suspendeu temporariamente os saques e iniciou operação para localizar e bloquear os ativos roubados. A corretora informou que conseguiu localizar aproximadamente US$ 3 bilhões (R$ 16,2 bilhões) dos recursos desviados com a ajuda de parceiros.
Entre as empresas que bloquearam ativos estão a Tether, que congelou cerca de US$ 1,57 bilhão, e a Circle, responsável por bloquear mais de US$ 800 milhões. A Binance também afirmou que reservou aproximadamente US$ 6,34 bilhões (R$ 34,3 bilhões) em recursos próprios para cobrir as perdas e garantir que os clientes não sejam prejudicados. “Nunca usamos recursos dos clientes, portanto eles não são afetados”, declarou Richard Teng em publicação no X.
Na manhã desta sexta-feira, a empresa informou que esperava retomar os serviços de saque nas 48 horas seguintes. Até então, não havia esclarecido o destino dos US$ 3,3 bilhões restantes. O FBI confirmou que estava ciente do incidente e em contato com parceiros públicos e privados para avaliar a dimensão do ataque e coordenar medidas investigativas.
Segundo a Reuters , a Binance também trabalha com o Serviço Secreto dos Estados Unidos. Trump confirmou que os EUA investigam a possível participação da Coreia do Norte no ataque – Imagem: YousufDean / Shutterstock Leia mais: Ataque hacker na Binance mostra ‘transformação’ nas ameaças digitais Binance garante segurança de brasileiros após ataque de R$ 33 bi Modelo de IA chinês realiza ataques em simulações e ignora regras de segurança Coreia do Norte é suspeita de outros ataques A possível participação de hackers norte-coreanos chama a atenção porque o país já foi associado a outros grandes roubos de criptomoedas. Em fevereiro de 2025, a corretora Bybit sofreu ataque que resultou no desvio de aproximadamente US$ 1,5 bilhão (R$ 8,1 bilhões) em ativos digitais.
Na ocasião, o FBI atribuiu a operação à Coreia do Norte e ao grupo TraderTraitor. Segundo empresas de análise de blockchain, o ataque à Binance apresenta características semelhantes às observadas naquele episódio. A Coreia do Norte, por sua vez, nega rotineiramente acusações de envolvimento em ataques cibernéticos.
Representantes do país na Suíça e na China não responderam aos pedidos de comentário enviados pela Reuters . O roubo também provocou preocupação no mercado de criptomoedas. 178 (R$ 11,8 mil).
O episódio pode ampliar as dúvidas sobre a segurança dos ativos mantidos em corretoras centralizadas. Para analistas, um ataque dessa dimensão pode reduzir a confiança dos investidores e aumentar a pressão por mecanismos mais rigorosos de proteção. O post Ataque à Binance: Trump comenta suspeita de envolvimento de hackers norte-coreanos apareceu primeiro em Olhar Digital .
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