Auren vê espaço limitado para novas grandes hidrelétricas nos próximos anos
O sistema elétrico brasileiro não deve contar com grandes novos projetos de hidrelétricas no curto e médio prazo, na avaliação de João Guillaumon, vice-presidente de Clientes e Comercialização da Auren Energia. Segundo o executivo, as usinas já existentes terão papel crescente na operação do sistema à medida que aumentam a participação de fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica. As falas foram ditas durante o CNN Talks Energia: O Brasil diante de um novo mercado, nesta quinta-feira (24), em São Paulo, com especialistas e lideranças do setor.
Leia mais Setor elétrico enfrenta desafios para abrir mercado e garantir oferta Mercado livre pode ter preço maior, mas qualidade pode atrair, diz Ultragaz Mercado livre não pode gerar concentração privada, alerta Aneel Guillaumon destacou que as hidrelétricas têm capacidade de aumentar rapidamente a geração em momentos de maior necessidade do sistema, especialmente no período entre o meio-dia e o início da noite, quando a geração solar começa a cair enquanto a demanda permanece elevada. Segundo o executivo, há cerca de dez anos essa chamada rampa de geração era de aproximadamente 1 gigawatt a 1,5 gigawatt. Hoje, chega a cerca de 35 gigawatts, o que aumenta a importância da capacidade de modulação das usinas.
“A hidrelétrica tem esse papel extremamente importante. Quando a solar, quando outras renováveis deixam de gerar, ou ainda não estão em plena capacidade, ela consegue garantir que o sistema funcione”, afirmou. Apesar da importância para a operação do sistema, Guillaumon avalia que esse serviço ainda não é plenamente reconhecido na remuneração das hidrelétricas.
Segundo ele, as usinas são remuneradas pela modulação, mas outros serviços prestados ao sistema, como a regulação de frequência, não são completamente considerados. Abertura do mercado O executivo afirmou que a tendência é de um sistema elétrico cada vez mais diversificado, com a combinação de diferentes fontes de geração, baterias, expansão da transmissão e eventual repotenciação de hidrelétricas. Nesse cenário, a capacidade das usinas existentes de responder às variações de geração ganha relevância.
A avaliação sobre a expansão da geração ocorre em paralelo à abertura do mercado livre de energia para consumidores menores. Para Guillaumon, a ampliação desse mercado também exigirá uma simplificação dos produtos oferecidos pelas comercializadoras. “Não tem como eliminar a complexidade do setor elétrico, mas, quanto menor for o consumidor, mais simples tem que ser essa oferta”, afirmou.
Segundo o executivo, consumidores residenciais e pequenos empresários não devem precisar renegociar contratos com frequência. Para ele, uma solução que exija do cliente uma nova escolha a cada seis meses ou um ano pode dificultar a experiência e reduzir a atratividade do mercado livre. Guillaumon defendeu que a oferta seja apresentada de forma semelhante à de produtos de consumo, permitindo que o cliente entenda com facilidade o que está contratando.
Consumidores de alta tensão, segundo ele, podem continuar tendo acesso a produtos personalizados, enquanto os menores precisam de uma alternativa simples para entrar no mercado. Para o executivo, a transformação pode ser comparada à evolução dos planos de telefonia, que passaram a esconder parte da complexidade técnica por trás de ofertas mais simples. O CNN Talks Energia: O Brasil diante de um novo mercado reúne especialistas e lideranças do setor para debater as principais urgências e apontar caminhos.
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Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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