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    InvestNews·23 de out., 12:31

    Barilla compra Goodles, marca de macarrão dos EUA, para disputar mercado com a Kraft

    A fabricante italiana de massas Barilla comprou a Goodles, empresa americana de macarrão com queijo, por US$ 750 milhões (cerca de R$ 4 bilhões). O negócio, anunciado em setembro e concluído nesta semana, tornou dezenas de funcionários da companhia milionários, segundo uma pessoa familiarizada com as negociações ouvida pela Bloomberg. O valor pago equivale a 28 vezes o total captado pela Goodles em rodadas de investimento.

    Além da quantia inicial, a Barilla concordou em fazer um pagamento adicional de centenas de milhões de dólares caso a empresa atinja determinadas metas de desempenho, segundo a fonte. Os termos financeiros da aquisição não haviam sido divulgados anteriormente. Leia também Negócios Cepêra compra dona da marca Colonial e amplia presença no mercado de extrato de tomate Negócios Kraft Heinz entra na batalha da maionese para dobrar de tamanho no Brasil.

    E precisa se defender no ketchup A Goodles registrou US$ 190 milhões em vendas líquidas nos 12 meses anteriores à conclusão da operação. Fundada em outubro de 2020 por Jen Zeszut, a empresa tem sede em Santa Cruz, na Califórnia, e continuará operando como uma marca independente, sob a atual liderança. A companhia também pretende manter todos os funcionários, segundo Zeszut.

    Em comunicado, a Barilla afirmou que pretende apoiar a próxima etapa de crescimento da Goodles sem alterar as características que ajudaram a marca a conquistar consumidores. Concorrência com marcas tradicionais A Goodles ganhou espaço no mercado americano com embalagens coloridas, produtos com maior teor de proteína e sabores como gouda e pimenta Hatch. A estratégia ajudou a empresa a conquistar participação de mercado da Kraft Heinz, fabricante do tradicional macarrão com queijo vendido em caixas azuis, mesmo com preços mais altos.

    A Goodles também concorre com a Annie’s, marca que pertence à General Mills. Zeszut afirmou que pretende mostrar aos consumidores que a entrada em um grupo maior não vai comprometer a qualidade dos produtos nem a relação da marca com seus clientes. Segundo ela, a aquisição permitirá ampliar a presença da Goodles nos Estados Unidos e, futuramente, entrar em mercados internacionais.

    A aproximação com a Barilla começou neste ano. Zeszut contou que conheceu executivos da fabricante italiana no fim do ano passado, durante uma corrida de Fórmula 1 em Las Vegas, mas que não houve conversas sobre uma possível aquisição naquela ocasião. A Barilla procurou a Goodles por iniciativa própria meses depois.

    “Para mim, foi algo que surgiu completamente do nada”, disse Zeszut, acrescentando que a Barilla já acompanhava de perto o crescimento da empresa. Interesse por alimentos menos processados A aquisição ocorre em um momento em que empresas menores vêm conquistando espaço na indústria de alimentos dos Estados Unidos. Parte desse crescimento está associada à procura por produtos considerados mais saudáveis, com listas de ingredientes mais curtas e simples.

    Uma análise do BNP Paribas divulgada em junho mostrou que, em categorias como refeições congeladas, iogurtes e pastas de oleaginosas, os produtos menos processados apresentam desempenho de vendas, em média, cerca de 7 pontos percentuais superior ao dos itens mais processados. Para Genevieve Gilbreath, cofundadora do fundo de investimentos Springdale Ventures, que investiu US$ 1,5 milhão na Goodles em duas rodadas, a categoria oferecia espaço para novos concorrentes. A gestora também investiu na BeatBox, marca de bebidas alcoólicas prontas para consumo que teve 85% de sua participação adquirida pela Anheuser-Busch no início deste ano.

    “Mesmo para as grandes empresas, continua sendo muito difícil inovar e criar algo que desperte uma verdadeira paixão pela marca”, afirmou Gilbreath. ]]>

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