BC vê 90% de chance de IPCA estourar teto da meta em 2026
O BC (Banco Central) estimou em 90% a probabilidade de o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) superar o teto da meta de inflação em 2026. O teto do intervalo de tolerância é de 4,50%. A meta contínua é de 3,00%, com margem de 1,50% a 4,50%.
Segundo o BC, a probabilidade de descumprimento subiu 11 pontos percentuais. Era de 79% antes desta avaliação. 2026).
Leia a íntegra (PDF – 3 MB). O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. 2026), na 281ª reunião do colegiado.
O corte se deu com a inflação projetada acima do teto. Segundo o BC, a política monetária segue contracionista, o que se justifica pela incerteza fiscal e pela desancoragem das expectativas de longo prazo, isto é, projeções de inflação acima da meta. O relatório reúne os dados que sustentam essa cautela: inflação – o IPCA em 12 meses recuou de 4,72% em maio para 4,22% em agosto, abaixo do teto de 4,50%.
p. acima do teto; expectativas – a Pesquisa Focus, do BC, projeta IPCA de 4,30% em 2027 e de 3,80% em 2028, ambos acima da meta de 3,00%; atividade – o BC reduziu a projeção do PIB (Produto Interno Bruto) de 2026 de 2,0% para 1,8%. O consumo das famílias caiu 0,4% no 2º trimestre.
Segundo o relatório, a desaceleração demonstra o aperto monetário e a redução dos impulsos do governo; crédito – a inadimplência chegou a 4,9% em julho, recorde da série. O BC trata o arrefecimento do crédito como parte da transmissão da política monetária para a desinflação; contas públicas – o BC projeta deficit primário de R$ 52 bilhões do Governo Central em 2026 e aponta o cenário fiscal como principal fator de incerteza para a ancoragem das expectativas. p.
p. O BC projeta que o IPCA volte a subir no último trimestre de 2026 e feche o ano em 5,2%. Para 2027, a probabilidade de estouro do teto de 4,50% é de 33%.
A Selic real ex-ante –que desconta a inflação esperada– segue acima da taxa neutra, estimada em 5,00%, de acordo com o BC. A mediana da Pesquisa Focus para o IPCA de 2026 caiu para 4,90%, abaixo da projeção do BC (5,2%). Para 2027 e 2028, as projeções subiram e seguem acima da meta em todo o horizonte.
O BC busca a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, o 1º trimestre de 2028. ATIVIDADE E EMPREGO Para 2027, o BC projeta crescimento de 1,4% do PIB, abaixo dos 1,8% estimados para 2026. O PIB cresceu 0,5% no 2º trimestre, depois de avançar 1,1% no 1º trimestre.
O resultado foi afetado pela queda de 0,4% no consumo das famílias, segundo o relatório. Outros dados do mercado de trabalho: desocupação – 5,4% no trimestre encerrado em julho; emprego formal – 52 mil vagas líquidas por mês no trimestre até julho, segundo o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged); rendimento médio real habitual – queda de 0,6% na margem. O BC aponta riscos para a agropecuária associados a um El Niño intenso.
Milho, algodão e arroz são as lavouras mais afetadas negativamente. Os efeitos sobre a soja tendem a variar por região. CRÉDITO O percentual de atrasos superiores a 90 dias no SFN (Sistema Financeiro Nacional) subiu para 4,9% em julho.
É o maior valor da série histórica. Os segmentos com os maiores índices foram: crédito livre para pessoas físicas – 7,8%, o maior nível da série; crédito rural direcionado para pessoas físicas – 8,8%, também representando o maior nível. O endividamento das famílias está em 49,9% da renda disponível.
O comprometimento da renda com o serviço da dívida chegou a 28,9% em junho. O BC projeta expansão de 9,1% do saldo de crédito do SFN em 2026 e de 8,8% em 2027. CONTAS PÚBLICAS O RARDP (Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias) do 3º bimestre projeta deficit de R$ 52 bilhões para o Governo Central em 2026.
Com exclusões legais de R$ 63 bilhões, o resultado é um superávit de R$ 11 bilhões no critério da meta fiscal. Segundo o BC, o deficit projetado aciona os gatilhos da Lei Complementar nº 235 de 2026 para o Orçamento de 2027. A medida reduz gastos obrigatórios em cerca de R$ 9 bilhões.
Para 2027, as projeções divergem: projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) – superavit primário de R$ 19 bilhões; mercado (Focus/QPC) – deficit de R$ 54 bilhões. p. e chegará a 100% do PIB em 2033.
O Tesouro Nacional projeta pico de 88% do PIB em 2029. SETOR EXTERNO O BC estima deficit em transações correntes de US$ 60 bilhões em 2026 (2,3% do PIB) e de US$ 55 bilhões em 2027 (2,0% do PIB). O IDP (Investimento Direto no País) está projetado em US$ 75 bilhões nos 2 anos, o equivalente a 2,7% do PIB.
O valor cobre integralmente o deficit corrente, de acordo com o relatório. O BC também citou conflitos no Oriente Médio e gargalos logísticos no estreito de Ormuz como fatores de volatilidade do petróleo Brent. Segundo o relatório, o repasse de custos de combustíveis e insumos petroquímicos causa impactos secundários em várias cadeias produtivas.
O Copom informou que segue acompanhando como a política fiscal afeta a política monetária e os ativos financeiros. 2026). ]]>
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
Leia a matéria completa em Poder360 →