Berkshire de Greg Abel destina bilhões à IA e se afasta da cautela de Buffett
A Berkshire Hathaway começou a mudar sua estratégia de investimentos sob o comando de Greg Abel . No primeiro ano como CEO do conglomerado, o executivo direcionou bilhões de dólares para empresas ligadas à inteligência artificial, uma mudança em relação à postura cautelosa de seu antecessor, Warren Buffett, em relação às ações de tecnologia. Em poucos meses, Abel destinou US$ 10 bilhões (cerca de R$ 55 bilhões) à Alphabet, controladora do Google, para apoiar investimentos relacionados à inteligência artificial.
Também ampliou em US$ 930 milhões (aproximadamente R$ 5,1 bilhões) a participação na Bending Spoons, conglomerado italiano que utiliza a tecnologia para transformar negócios. A movimentação ocorre em um momento delicado para o setor. Com sinais de desgaste no mercado de inteligência artificial e quedas nas ações de empresas ligadas à tecnologia, a entrada da Berkshire pode parecer mal cronometrada.
Leia também Negócios Apple, Berkshire e Walmart têm novos CEOs. Quem vai se sair melhor? Negócios Apple: veja quanto Ternus e Cook receberão em seus novos cargos “Realmente acho que parte disso pode ser uma decisão consciente de aumentar a exposição”, disse Cathy Seifert, analista da CFRA Research.
” Desde junho, as ações classe A e classe C da Alphabet caíram mais de 24% e passaram a ser negociadas abaixo do preço pago pela Berkshire na aquisição, levantando dúvidas sobre o momento da operação. A Bending Spoons também teve uma reação inicial positiva depois que a Berkshire ampliou seu investimento, mas o entusiasmo perdeu força. As ações recuaram nas últimas três semanas.
A aposta de longo prazo de Greg Abel Para investidores que acompanham a Berkshire e seguem a estratégia de investimento em valor, a volatilidade recente pode não ser determinante. Um dos exemplos mais citados é a entrada de Warren Buffett na Apple, em 2016. Na época, o investimento foi criticado por ocorrer em uma fase considerada avançada da trajetória da fabricante do iPhone.
Mais tarde, porém, a posição se tornou uma das mais lucrativas da história da Berkshire. Abel provavelmente vê as atuais posições em inteligência artificial como uma aposta de longo prazo no potencial da tecnologia, segundo Meyer Shields, analista da Keefe Bruyette & Woods. “Ele não está tentando enviar uma mensagem aos mercados”, disse Shields.
Segundo o analista, o CEO pode avaliar os investimentos com o conservadorismo tradicional da Berkshire Hathaway. A capacidade financeira do conglomerado também ajuda a explicar a estratégia. Ao fim do segundo trimestre, a Berkshire ainda mantinha US$ 365,5 bilhões (cerca de R$ 2 trilhões) em caixa, um volume que a coloca entre as empresas mais bem posicionadas para financiar o desenvolvimento da inteligência artificial e aproveitar oportunidades no setor.
Os investidores deverão ter uma visão mais clara da estratégia em meados de novembro, quando serão divulgadas novas informações sobre as posições da companhia. Abel poderá aproveitar as preocupações do mercado com a IA e as avaliações mais baixas das ações para ampliar a exposição ao setor. Resultados da Berkshire no terceiro trimestre A Berkshire Hathaway deve divulgar seus resultados do terceiro trimestre neste sábado (7), oferecendo aos acionistas uma visão da situação financeira do conglomerado.
Com negócios que abrangem seguros, energia, transporte ferroviário e varejo, a companhia pode ter se beneficiado do crescimento da economia americana no período. “Parece que o crescimento econômico geral no trimestre foi bastante sólido, e uma parcela muito grande da Berkshire participa da economia”, disse Shields. Apesar disso, a inflação persistente e os preços elevados dos combustíveis podem pressionar algumas das operações de consumo do grupo.
Segundo Seifert, há sinais de que consumidores de maior renda continuam gastando, beneficiados pela valorização de suas carteiras de investimentos. Já as famílias de renda mais baixa enfrentam maior pressão financeira. “Podemos observar parte disso nos negócios de consumo da Berkshire”, disse a analista.
Geico e BNSF no radar O desempenho das operações de seguros também estará no foco dos investidores, especialmente o da Geico, seguradora de automóveis da Berkshire. No trimestre anterior, a unidade registrou queda nos lucros, em contraste com algumas concorrentes, diante do aumento das perdas e das despesas com publicidade. Para Shields, o mercado de seguros de automóveis nos Estados Unidos tem mantido uma concorrência relativamente racional.
O analista espera sinais de uma estratégia de crescimento mais agressiva da Geico. Já a BNSF, empresa ferroviária do conglomerado, pode se beneficiar de dados robustos de tráfego e de uma sobretaxa sobre combustíveis, segundo analistas. Recompra de ações Outro ponto acompanhado pelo mercado será a possibilidade de novas recompras de ações da Berkshire.
Depois de interromper as operações por mais de um ano, o conglomerado retomou as recompras no primeiro trimestre, indicando que Abel e Buffett consideravam os papéis negociados abaixo de seu valor intrínseco — uma estimativa do valor real da empresa com base em seus ativos e perspectivas de geração de caixa. Desde então, porém, as ações da Berkshire atingiram novas máximas e superaram o desempenho do índice S&P 500 neste ano. A valorização pode reduzir o interesse da companhia em recomprar seus próprios papéis.
“Se essa recente valorização das ações tiver reduzido o entusiasmo deles em comprar mais papéis, acho que os investidores podem ficar um pouco decepcionados”, disse Seifert. ]]>
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