Bioceres redefine seu futuro, enquanto renegocia dívida na Argentina e enfrenta ameaças na Nasdaq
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. A Bioceres Crop Solutions, empresa de biotecnologia agrícola, atravessa uma reestruturação financeira e operacional que pode modificar o alcance de seus negócios. A empresa encerrou seu exercício fiscal de 2026 com uma forte perda patrimonial, baixa liquidez e mais da metade de sua dívida financeira vinculada a um conflito judicial .
Ao mesmo tempo, renegocia vencimentos na Argentina e tenta recuperar o preço mínimo exigido pela Nasdaq. As receitas das operações continuadas alcançaram US$ 238,3 milhões (R$ 1,22 bilhão na cotação atual) durante o exercício encerrado em 30 de junho, 18% abaixo do ano anterior . Quase metade da queda foi explicada pela redução deliberada das atividades de sementes e HB4, como parte da transição para um modelo que exige menos estoques e capital de giro.
A Bioceres é uma voltada ao desenvolvimento e à comercialização de tecnologias para o agronegócio, incluindo sementes, bioinsumos, inoculantes, fertilizantes, proteção de cultivos e soluções de nutrição vegetal . Além da Argentina, a Bioceres atua comercialmente em cerca de 45 países , entre eles Brasil, Estados Unidos, Paraguai, Uruguai, Bolívia, Colômbia, África do Sul, França, Finlândia e Estônia . No Brasil, sua presença remonta a 1998, com a instalação da Rizobacter no país.
No exercício, a perda líquida das operações continuadas da empresa foi de US$ 54,4 milhões (R$ 277,5 milhões), ante US$ 49,1 milhões (R$ 250,45 milhões) em 2025. A esse resultado somou-se uma perda de US$ 179,4 milhões (R$ 915,10 milhões) proveniente das operações descontinuadas, principalmente pela saída da Pro Farm Group . Dessa forma, o resultado abrangente negativo chegou a US$ 231,4 milhões (R$ 1,18 bilhão).
Como consequência, o patrimônio líquido da Bioceres Crop Solutions caiu de US$ 295,2 milhões (R$ 1,51 bilhão), em junho de 2025, para US$ 64,1 milhões (R$ 326,97 milhões) no encerramento do último exercício. Uma recuperação ainda incipiente O quarto trimestre trouxe alguns sinais de estabilização. As receitas chegaram a US$ 55,9 milhões (R$ 285,14 milhões), praticamente sem alteração na comparação anual , depois de uma queda de 23% no terceiro trimestre.
O EBITDA ajustado voltou ao terreno positivo: chegou a US$ 600 mil (R$ 3,06 milhões na cotação atual), ante uma perda de US$ 9,6 milhões (R$ 48,97 milhões) no mesmo período do ano anterior. A melhora se apoiou principalmente na redução de despesas. Os custos de vendas, gerais e administrativos diminuíram 19% no trimestre e 24% durante todo o exercício, o que representou uma economia anual de US$ 22,5 milhões (R$ 114,77 milhões).
Bioceres “Os resultados do quarto trimestre oferecem sinais encorajadores de progresso” , afirmou Federico Trucco, CEO da Bioceres Crop Solutions. Segundo o executivo, a redução de custos permitiu voltar a gerar EBITDA ajustado positivo, apesar do impacto do conflito com os credores e da transformação do negócio. No entanto, a recuperação ainda não é suficiente para eliminar as dúvidas financeiras.
O EBITDA ajustado anual caiu 12%, de US$ 28,9 milhões (R$ 147,42 milhões) para US$ 25,5 milhões (R$ 130,07 milhões). Além disso, o lucro bruto diminuiu 21%, para US$ 82,9 milhões (R$ 422,86 milhões), e a margem bruta recuou de 36,3% para 34,8%. O último trimestre também incluiu um ajuste extraordinário de US$ 4 milhões (R$ 20,40 milhões) por obsolescência de estoques.
Sem esse efeito, segundo a companhia, várias categorias principais teriam apresentado uma melhora maior em sua rentabilidade. A dívida condiciona a estratégia Em 30 de junho, a Bioceres tinha uma dívida financeira total de US$ 225,9 milhões (R$ 1,15 bilhão) e apenas US$ 12,2 milhões (R$ 62,23 milhões) entre caixa e investimentos de curto prazo . A dívida financeira líquida ficou em US$ 213,6 milhões (R$ 1,09 bilhão na cotação atual), praticamente sem alteração em relação ao encerramento do terceiro trimestre.
Dentro dessa estrutura, US$ 118,6 milhões (R$ 604,97 milhões) correspondem a obrigações garantidas envolvidas na disputa com um grupo de credores. Após receber notificações de antecipação dos vencimentos, quase toda essa dívida permanece classificada no curto prazo. A companhia contesta tanto a antecipação das obrigações quanto a execução da Pro Farm Group .
Em janeiro de 2026, uma entidade vinculada aos credores adquiriu o negócio por meio de uma oferta de crédito de US$ 15 milhões (R$ 76,51 milhões). A Bioceres sustenta que o procedimento foi “comercialmente irrazoável” e mantém suas medidas judiciais em andamento em Nova York. A empresa esclareceu que o saldo de US$ 118,6 milhões (R$ 604,97 milhões) reivindicado pelos credores não contempla uma redução vinculada aos US$ 15 milhões (R$ 76,51 milhões) utilizados na execução.
A solução desse conflito será um dos fatores centrais para definir sua futura estrutura financeira. Renegociação na Argentina A reestruturação também chegou à Rizobacter , uma das principais subsidiárias da Bioceres na Argentina. Durante o exercício, a companhia reprogramou obrigações bancárias e iniciou um processo voluntário para estender os vencimentos de títulos emitidos no mercado local.
Segundo apurou a Forbes Argentina, a Bioceres já chegou a acordos para renegociar seus compromissos com bancos e fornecedores . A companhia não informou publicamente o montante envolvido, os novos prazos, as condições acordadas nem o custo financeiro da reestruturação. Os documentos apresentados aos investidores confirmam, porém, a reprogramação da dívida bancária da Rizobacter e o processo de extensão das obrigações negociáveis na Argentina.
O acordo reduz a pressão imediata sobre a operação local, embora não resolva a principal questão financeira do grupo : os US$ 118,6 milhões (R$ 604,97 milhões na cotação atual) em obrigações garantidas que permanecem em disputa com os credores vinculados à execução da Pro Farm. A posição da Bioceres na Nasdaq À pressão financeira soma-se a deterioração no mercado acionário. A Bioceres Crop Solutions recebeu uma notificação da Nasdaq depois que suas ações permaneceram durante 30 pregões consecutivos abaixo do preço mínimo de US$ 1 (R$ 5,10) exigido para manter a listagem.
A empresa recebeu inicialmente um prazo até 14 de setembro de 2026 para voltar a cumprir a exigência, o que exigia fechar acima de US$ 1 (R$ 5,10) durante pelo menos dez pregões consecutivos. Em meados de setembro, a ação era negociada perto de US$ 0,43 (R$ 2,20), e o valor de mercado girava em torno de US$ 33 milhões (R$ 168,30 milhões). O descumprimento do preço mínimo não significa uma exclusão automática .
A companhia pode solicitar uma extensão se atender às condições estabelecidas pela Nasdaq ou adotar outras medidas permitidas, como uma consolidação de ações. No entanto, a distância entre o preço atual e o limite regulatório acrescenta outra questão a uma crise que já combina dívida, litígios e perda patrimonial. , a sociedade argentina que deu origem ao grupo e possuía uma participação na empresa listada em bolsa.
, enquanto o balanço, a dívida consolidada e a advertência da Nasdaq pertencem à Bioceres Crop Solutions. Venda de ativos e uma estrutura menor A companhia contratou um assessor externo para revisar seu portfólio, seus canais comerciais, a estrutura societária, as políticas de alocação de capital e os investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Essa avaliação resultou em um plano que contempla a saída de ativos não estratégicos ou sua monetização.
A Bioceres também pretende simplificar sua oferta para concentrar-se nos produtos com maior contribuição, reduzir as devoluções comerciais para menos de 5% das vendas e transformar suas operações na Europa e na América do Norte em modelos apoiados por distribuidores. O ajuste inclui uma redução de pessoal. A apresentação aos investidores antecipa uma diminuição de 26% no quadro de funcionários entre os exercícios de 2026 e 2027, distribuída entre sete centros de custos.
Segundo a empresa, grande parte dessa otimização já está em andamento. A meta é elevar a margem bruta ajustada de 37,8% em 2026 para 40% em 2027 e mais de 42% em 2028 . As despesas fixas de vendas, gerais e administrativas devem cair do equivalente a 24% das receitas para 19% e 18%, respectivamente.
O negócio que cresce na Argentina A transformação tem impacto direto sobre a composição das receitas. Sementes e Produtos Integrados faturou US$ 37,7 milhões (R$ 192,30 milhões) durante o ano, 41% menos, em razão da redução das vendas de sementes, grãos e atividades associadas ao HB4. Proteção de Cultivos continuou sendo o principal segmento, com receitas de US$ 123,7 milhões (R$ 630,98 milhões), embora tenha registrado queda de 16%.
A empresa atribuiu o recuo às menores vendas de adjuvantes na Argentina e no Brasil, juntamente com uma comercialização menor de produtos de terceiros no mercado argentino. Nutrição de Cultivos apresentou o melhor desempenho no último trimestre. Suas receitas cresceram 36%, para US$ 23,5 milhões (R$ 119,87 milhões), impulsionadas pelos fertilizantes microgranulados na Argentina.
Seu lucro bruto aumentou 37%, acompanhado por uma melhora das margens. A companhia considera praticamente concluída a reconfiguração de seu negócio de sementes, um processo que levou cerca de dois anos. A nova prioridade será recuperar a rentabilidade e a geração de caixa com uma estrutura menor.
A Bioceres inicia, assim, uma etapa em que seu futuro dependerá menos da expansão do HB4 e mais de sua capacidade para resolver o conflito com os credores, refinanciar seus vencimentos, vender ativos e manter sua cotação nos Estados Unidos. A melhora operacional do quarto trimestre representa um primeiro avanço, mas a dívida, a baixa liquidez e a deterioração patrimonial mantêm a crise em aberto. Publicado originalmente em Forbes Argentina O post Bioceres redefine seu futuro, enquanto renegocia dívida na Argentina e enfrenta ameaças na Nasdaq apareceu primeiro em Forbes Brasil .
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Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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