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    Bioenergia ganha espaço e reforça potencial da indústria de base florestal
    CNN Brasil·28 de out., 19:58

    Bioenergia ganha espaço e reforça potencial da indústria de base florestal

    O setor de papel e celulose tem ampliado sua contribuição para a oferta de energia renovável no Brasil, impulsionado pelo aproveitamento energético de subprodutos industriais e pelo uso de biomassa florestal. A tendência é destacada pelo estudo Oferta de Energia Renovável pelo Agronegócio, do Observatório de Conhecimento e Inovação em Bioeconomia da FGV (Fundação Getúlio Vargas). Um dos principais destaques é o crescimento da oferta de energia proveniente da lixívia, também conhecida como licor negro, coproduto gerado no processo de fabricação de celulose.

    O volume passou de 10,1 milhões de tep (toneladas equivalentes de petróleo), em 2021, para 13,2 milhões de tep, em 2025, uma expansão de aproximadamente 30%. No mesmo período, a participação do licor negro na oferta interna de energia do Brasil avançou de 3,3% para 4%. O resultado evidencia a relevância do aproveitamento energético de resíduos e coprodutos industriais para ampliar a participação de fontes renováveis na matriz nacional.

    Leia Mais Biomassa de cana já responde por 15% da oferta de energia do Brasil Biometano pode reduzir emissões do transporte em até 75%, aponta estudo Produção de etanol de milho deve atingir 11,8 bilhões de litros Além do licor negro, a lenha e o carvão vegetal provenientes da silvicultura energética também integram a oferta de bioenergia vinculada ao agronegócio. Em 2025, essas fontes responderam por 16,8 milhões de tep, o equivalente a 5,1% da oferta interna de energia brasileira, segundo o levantamento. A combinação entre biomassa florestal e coprodutos do processamento industrial coloca o setor de papel e celulose em posição estratégica na transição energética, ao associar a produção de matérias-primas renováveis à geração e ao aproveitamento de energia.

    Bioenergia representa quase três quartos do consumo energético do setor A importância da bioenergia para a indústria de papel e celulose também aparece na composição de sua matriz energética. Segundo a FGV, as fontes vinculadas ao agronegócio representaram aproximadamente 74% do consumo total de energia do segmento em 2025. O percentual coloca papel e celulose entre as atividades industriais com maior presença de bioenergia, ao lado de alimentos e bebidas, setor no qual essa participação superou 80% no mesmo ano.

    De acordo com o estudo, a elevada utilização dessas fontes está associada à integração entre as atividades industriais e as cadeias produtoras de biomassa e seus coprodutos energéticos. No caso da celulose, o licor negro e a biomassa florestal constituem componentes relevantes dessa estrutura. O levantamento também mostra que a participação de papel e celulose na bioenergia destinada à indústria brasileira chegou a aproximadamente 30% em 2025.

    O segmento ampliou sua presença ao longo das últimas décadas e se consolidou como um dos principais consumidores industriais dessa energia, ao lado de alimentos e bebidas. Agroenergia avança na matriz brasileira O potencial do setor florestal está inserido em um movimento mais amplo de expansão da bioenergia no Brasil. De acordo com o estudo da FGV, a oferta de energia vinculada ao agronegócio atingiu 97,8 milhões de tep em 2025, o maior volume da série histórica iniciada em 1970.

    O resultado representa um crescimento de aproximadamente 16% em relação a 2021, quando a oferta somava 84,2 milhões de tep. A participação dessas fontes na oferta interna de energia também avançou, de 27,7% para 29,8% no período. Considerando todas as fontes renováveis contabilizadas pelo levantamento, o Brasil ofertou 162,3 milhões de tep em 2025.

    Desse total, cerca de 60% tiveram origem em cadeias vinculadas ao agronegócio, incluindo atividades agropecuárias, agroindustriais e florestais. Para os pesquisadores, a evolução da bioenergia demonstra que a contribuição do agronegócio para a matriz energética brasileira vai além dos biocombustíveis utilizados no transporte . A energia de origem biológica também abastece atividades industriais, nas quais pode atender à demanda por calor de processo e outras necessidades energéticas.

    Nesse cenário, o setor de papel e celulose reúne características relevantes para a expansão do aproveitamento energético da biomassa: a disponibilidade de matérias-primas florestais, a geração de coprodutos industriais e a participação expressiva de fontes renováveis no consumo de energia. Os dados da FGV mostram a dimensão que essa integração já alcançou no Brasil e reforçam a importância da indústria florestal para a oferta de energia renovável e para a diversificação da matriz energética nacional. Brasil lídera biotecnologia agrícola, mas falta rapidez regulatória   ]]>

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