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    Forbes Brasil·04 de nov., 18:15

    Bolsa Ensaia Trégua, Mas Mercado Segue Cauteloso com “Efeito ALR” e Fiscal

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. A Bolsa paulista ensaiava uma trégua nesta quarta-feira, 4, depois de seis pregões seguidos de queda. 808 pontos, após acumular perdas superiores a 19% na sequência de baixas.

    O alívio, porém, não significa que investidores estejam mais confiantes nos planos econômicos do próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva . Na véspera, o índice caiu 1,42%, enquanto o dólar futuro avançou cerca de 0,65%, para R$ 5,524. A curva de juros também permaneceu pressionada.

    O mercado aguarda a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), com a maioria das estimativas apontando para a manutenção da Selic em 13,75%. Parte da pressão está associada ao chamado “efeito ALR”, referência a André Lara Resende e ao receio de que a discussão sobre sua proposta de redução dos juros sinalize uma mudança na condução da política econômica, diz Jason Vieira, economista-chefe da Lev. Na avaliação dele, as negativas do ministro da Fazenda, Dario Durigan, não encerraram o assunto.

    Sem anúncios concretos, a proposta continua como um “bode na sala” para o mercado, avalia. O economista diz que investidores esperam um compromisso mais explícito de Lula com a condução econômica e o equilíbrio das contas públicas. Aliados defendem que o presidente use um pronunciamento para afastar dúvidas sobre uma eventual mudança de regime.

    Vieira também cita sinalizações de Rafael Fonteles em favor da disciplina fiscal, mas afirma que o mercado aguarda medidas concretas antes de rever sua percepção. Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, também aponta a falta de propostas e de definição sobre o nome que comandará o Ministério da Fazenda como preocupação principal. Para ele, a fala de Durigan contra a proposta de Lara Resende não foi suficiente para reduzir a incerteza.

    “Por mais que o Dario Durigan tenha rechaçado essa ideia maluca do André Lara Resende, que a gente já sabe que não funcionaria, teria que ter uma combinação muito maluca de astros para isso acontecer e funcionar”, afirmou Marcatti. ” Segundo o economista, a ausência de novidades positivas aumenta a reação dos investidores a propostas que possam indicar uma mudança de rumo. “Vai se somando a essa ausência de novidades positivas, a criação de ideias malucas, e o mercado continua batendo, testando a paciência do governo”, disse.

    Para Marcatti, o governo precisa tratar o tema fiscal com “urgência e responsabilidade”. Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, afirma que não é possível separar com precisão quanto da pressão vem da proposta e quanto decorre da incerteza fiscal. ” Quartaroli lembra que a autonomia do Banco Central é garantida por lei e que o objetivo fundamental da política monetária é assegurar a estabilidade de preços.

    Ainda assim, diz que a falta de clareza sobre medidas para estabilizar a dívida mantém a incerteza. ” Para reduzir a pressão, acrescenta, são importantes o respeito à autonomia do BC e uma sinalização fiscal mais consistente. O que propõe André Lara Resende Lara Resende publicou o artigo “Eu Acuso: uma proposta para eliminar os juros absurdos” em seu Substack em 25 de setembro.

    O texto voltou ao debate no início de novembro, quando foi republicado pelo RED, em 2 de novembro. Um dos formuladores do Plano Real , Lara Resende foi diretor do Banco Central e presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ele tem doutorado em economia pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

    O economista atribui o desequilíbrio fiscal principalmente ao custo dos juros sobre a dívida pública. Sua proposta prevê a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional para definir metas fiscais e monetárias conjuntas para um período de quatro a cinco anos. O plano também prevê a redução gradual da Selic para perto de 7,5% ao ano, ao longo de cerca de 12 meses, e a atuação do Banco Central no câmbio para suavizar uma eventual depreciação do real.

    Lara Resende sustenta que a queda dos juros reduziria o custo da dívida e ajudaria a estabilizar as contas públicas. Ele reconhece que a redução poderia pressionar a inflação no curto prazo, principalmente por meio do câmbio, e argumenta que a atuação do BC e o perfil da dívida ajudariam a conter esse risco. A proposta provocou questionamentos sobre a autonomia do Banco Central e sobre os efeitos de uma redução da Selic sem uma âncora fiscal considerada confiável por investidores.

    Nesta terça-feira, Durigan afirmou que a proposta não estava sendo considerada por Lula e que não havia reunião marcada entre o presidente e Lara Resende. O ministro disse ver “várias deficiências” na ideia e afirmou que o governo ainda discutia medidas de ajuste fiscal gradual. A pressão sobre as contas públicas também aparece nas projeções do Tesouro.

    Em relatório divulgado ontem, o órgão estimou que a dívida bruta do governo geral fechará 2026 em 83,7% do PIB. Em uma simulação na qual o resultado primário se deteriora em 0,5 ponto percentual do PIB por ano, a dívida chegaria a 91,5% do PIB em 2036. Com melhora equivalente, cairia a 81,1%.

    O Tesouro aponta a importância de mudanças estruturais para reduzir a relação entre dívida e PIB de forma sustentada. As negativas do ministro afastaram a possibilidade de que a proposta já estivesse na mesa do governo. Os agentes ouvidos pela Forbes, porém, seguem cobrando medidas e definições para a equipe econômica.

    A trégua da Bolsa nesta quarta-feira não eliminou as dúvidas sobre a política fiscal e o rumo da economia no próximo mandato. O post Bolsa Ensaia Trégua, Mas Mercado Segue Cauteloso com “Efeito ALR” e Fiscal apareceu primeiro em Forbes Brasil . ]]>

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