Bolsa retoma negociação após circuit breaker e Ibovespa cai mais de 16%. Dólar passa de R$ 5,60
Nem bem abriu e a bolsa entrou em circuit breaker , ou seja, a paralisação temporária das negociações em momentos de altíssima volatilidade. A B3 decidiu suspende as negociações por 30 minutos dos ativos à vista, renda fixa privada e opções referenciadas em ações, BDR , Ibovespa, Ibovespa B3 BR+, IBrX-50, Índice Small Cap e ETFs. O mecanismo foi acionado após queda de 10% em relação ao fechamento anterior.
Na retomada do pregão, o principal índice da bolsa continuou a desabar: queda de mais de 16% por volta de 11h10. 959 pontos . Quedas dessa magnitude foram vistas pela última vez no auge da crise financeira de 2008, quando a bolsa chegou a ter baixas acima de 20% na mesma sessão.
O circuit breaker foi criado em 1997 e já foi acionado 23 vezes. Entre os principais momentos estão: 1997 – Crise asiática: o Ibovespa registrou queda de 10,19%; 1999 – Desvalorização do real: o Ibovespa caiu 10,29% no dia; 2008 – Crise do subprime nos Estados Unidos: houve seis interrupções em menos de um mês; 2020 – Pandemia de Covid-19: o circuit breaker foi acionado seis vezes em março. Juros em pânico O Tesouro Direto também ficou paralisado por quase três horas devido ao forte ajuste de taxas que ocorre na manhã desta segunda-feira após o segundo turno.
Abriu, efetivamente, perto de 12h30, quando o normal ee inciar as negociações às 9h30. Após a abertura, os títulos Tesouro Prefixado superam os 15% ao ano, com altas de mais de dois pontos percentuais comparado a sexta-feira (23), antes do segundo turno. O Tesouro Prefixado 2032 negocia com taxa de 15,78%, enquanto o Tesouro IPCA+ segue com inflação mais 7,64% ao ano.
Já os futuros de DI mostram um forte estresse e dão uma boa indicação do como deve abrir o ambiente de negociação de títulos públicos. O contrato futuro de DI com vencimento em janeiro de 2028 tinha alta de 2,12 pontos percentuais para 14,95% ao ano. Já o de janeiro de 2029 subia 2,76 pontos para 15,36%.
Nos vencimentos mais próximos dos papéis Tesouro Prefixado oferecidos no Tesouro Direto , as altas são ainda maiores. O DI futuro para janeiro de 2032 tinha um avanço de 3,1 pontos percentuais para 15,69%. O Tesouro informou ainda que cancelou os leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação previstos para os dias 27 a 29 de outubro (terça-feira e quinta-feira próximas), mantendo apenas o leilão de papéis vinculados à Selic na terça-feira.
Tudo por causa da virada inesperada no segundo turno. Leia também Investimentos Dólar sobe mais de 12% e passa de R$ 5,60 no day after da eleição Investimentos B3 aumenta limite de queda para contratos futuros de Ibovespa, de dólar e DI com perspectiva de alta volatilidade No fim da apuração, o presidente Lula venceu a corrida presidencial contra o candidato da oposição Flávio Bolsonaro (PL) com uma margem de cerca de de 3,5 pontos percentuais dos votos válidos, o equivalente a quase 4,4 milhões de votos. As pesquisas indicavam o contrário, uma vantagem entre 1 e 2 pontos para o oposicionista no segundo turno.
O cenário de manutenção do governo frustra a maior parte do mercado que apostou na vitória de Flávio e de um prometido ajuste fiscal, o que já começava a derrubar os chamados prêmios de risco dos ativos brasileiros. Dólar passa de R$ 5,60 Outros mercados também apresentam uma pesada oscilação. É o caso do dólar.
Por volta de 10h30, o dólar subia 12,43%, negociado a R$ 5,5958. Mas chegou a passar de R$ 5,60 um pouco antes. O avanço da moeda era esperado por gestores e analistas após a confirmação da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito para um quarto mandato de forma inesperada – dado o conjunto de pesquisas que apontavam a vitória do adversário, Flávio Bolsonaro.
Leia também Investimentos Vitória de Lula surpreende mercado e pressiona títulos brasileiros no exterior O dólar sobe em meio a uma volta dos prêmios mais altos pedidos pelos investidores em um cenário de risco fiscal mais elevado. A forte e rápida elevação da divisa dos EUA também traz de volta temores sobre pressão inflacionária e pode reduzir o espaço para o Banco Central cortar a Selic mais vezes. A moeda americana volta aos patamares visto em janeiro deste ano.
A última vez que a divisa dos EUA alcançou esse nível foi em 5 de janeiro. Analistas veem dólar acima de R$ 5,60 Várias casas passaram a revisar os patamares projetados para a moeda americana. O ASA, por exemplo, enxerga o dólar a R$ 5,50 no fim de 2026 e R$ 5,70 no encerramento de 2027.
O Morgan Stanley enxerga o dólar em R$ 5,60, mas com potencial para voltar a superar R$ 6, caso o cenário fiscal se deteriore e surja o risco de dominância fiscal, ou seja, quando a política fiscal (os gastos e o endividamento do governo) dita os rumos da economia e anula a eficácia da política monetária. ]]>
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
Leia a matéria completa em InvestNews →