Bradesco (BBDC4): após frustração eleitoral, Itaú BBA corta ação; veja novo preço-alvo
O Bradesco ( BBDC4 ), que era, até pouco tempo atrás, o favorito do Itaú BBA entre os bancões, perdeu o brilho aos olhos dos analistas. Em relatório divulgado mais cedo, o BBA cortou a recomendação da ação de compra para neutra e reduziu o preço-alvo de R$ 22 para R$ 20, em meio a uma deterioração das perspectivas para a economia. A tesoura ajuda papel a afundar ainda mais.
Por volta das 16h33, a ação caia 6,10%, a R$ 14,77. Segundo o BBA, o bancão terá mais dificuldade para atravessar o cenário que se desenha à frente, marcado por juros mais altos e menor crescimento econômico. No terceiro trimestre, o Bradesco (BBDC4) já deu sinais de fadiga.
O banco voltou a registrar aumento nas provisões para perdas e redução na cobertura da inadimplência. “O ambiente macroeconômico previsto para 2027 aponta para atividade econômica e níveis de confiança mais fracos, o que provavelmente restringirá a demanda por crédito e/ou prejudicará a capacidade de pagamento dos tomadores de empréstimos”, destaca o relatório. Ainda de acordo com o BBA, a expectativa de juros mais elevados também joga contra o banco, ajudando a desacelerar a recuperação do segmento de atacado e prolongando a pressão sobre os tomadores de crédito corporativo.
Além disso, a disparada do endividamento das famílias e os riscos de crédito entre pequenas empresas podem restringir ainda mais a demanda por crédito e deteriorar a capacidade de pagamento dos clientes. Na avaliação do Itaú BBA, a saída passa por uma originação de crédito mais criteriosa, o que ajudaria a conter perdas futuras. “Mas esperamos que os benefícios surjam gradualmente, limitando o potencial para uma melhoria nos custos de crédito no curto prazo”, afirma o banco.
Receitas mais fracas No crédito automotivo, por exemplo, o Bradesco viu sua receita crescer 27% na comparação anual e 6% em relação ao trimestre anterior no terceiro trimestre. A administração do banco segue otimista em relação à qualidade da carteira, mas sustentar esse crescimento em uma economia mais fraca será um desafio. Outro destaque foi o crédito corporativo para grandes empresas, que avançou 14,8% na comparação anual e 0,7% frente ao trimestre anterior.
Ainda assim, o Itaú BBA pondera que, embora uma maior participação do crédito corporativo possa sustentar volumes e spreads, juros mais altos tendem a limitar o crescimento futuro. “Portanto, esperamos um crescimento mais lento da receita líquida de juros (NII) de clientes, de 6% em relação ao ano anterior em 2027, em comparação com os 12% estimados para 2026”, diz o relatório. Colchão contra calotes Outro ponto de preocupação é a inadimplência acima de 90 dias, que atingiu 4,6% no terceiro trimestre de 2026, alta de 30 pontos-base na comparação trimestral.
Preocupante? Para o Bradesco, o indicador foi impactado pelo aumento da participação de operações com garantias FGI/FGO e pela sazonalidade da carteira da John Deere. O Itaú BBA, porém, alerta que atrasos nos pagamentos das garantias e na regularização dos empréstimos podem prolongar as pressões sobre a qualidade dos ativos.
Além disso, o momento de recuperação das margens ajustadas ao risco segue incerto. Nas contas do BBA, o Bradesco encerrará 2027 com índice de inadimplência de 4,9% e custo de risco de 3,87%, ante estimativas anteriores de 4,2% e 3,33%, respectivamente. Com isso, as despesas com provisões para 2027 devem subir 16%, para R$ 47,1 bilhões.
O Itaú BBA também manteve praticamente inalterada sua projeção de lucro para 2026, em R$ 28 bilhões. Para 2027, contudo, a expectativa é de crescimento limitado, com lucro líquido de R$ 28,5 bilhões e retorno sobre o patrimônio (ROE) de 14,4%. ]]>
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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