Bradesco (BBDC4) derreteu quase 40% após as eleições, mas Morgan Stanley diz que a conta não fecha — e mantém compra
O tombo das ações do Bradesco (BBDC4) desde a vitória de Lula nas eleições de 2026 pode ter levado os papéis a um patamar atrativo para os investidores, na avaliação do Morgan Stanley . Desde o segundo turno das eleições presidenciais, em 25 de outubro, os papéis do Bradesco acumulam queda de 37%, desempenho pior que o do Ibovespa em dólares, que recuou 24%, e o do Itaú (ITUB4), com baixa de 26% no mesmo período. Para o banco de investimentos, a reação do mercado foi desproporcional à evolução dos fundamentos da instituição, criando uma oportunidade de compra.
Em relatório, os analistas reiteraram a recomendação overweight (equivalente à compra) para o Bradesco. A decisão veio acompanhada, porém, de um corte no preço-alvo dos papéis negociados nos Estados Unidos, de US$ 5,50 para US$ 4,75. A cifra implica valorização potencial de 86,3% em relação ao fechamento anterior.
Ação do Bradesco caiu demais? Para o Morgan Stanley, a reação do mercado foi excessiva. O principal argumento está no valuation : o Bradesco negocia a 0,7 vez o valor patrimonial (P/VPA), próximo das mínimas da última década, embora mantenha retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 16,6%.
Na avaliação dos analistas, a rentabilidade atual justificaria um múltiplo mais elevado. O ROE do banco supera a taxa Selic em 2,9 pontos percentuais. Pela relação histórica entre esse indicador e o múltiplo patrimonial, o Bradesco deveria negociar próximo de 1,3 vez o valor patrimonial, quase o dobro do patamar atual, segundo o Morgan Stanley.
A diferença de valuation em relação ao Itaú também chamou a atenção do Morgan Stanley. Atualmente, o Bradesco negocia com desconto de 62% em relação ao concorrente, considerando o múltiplo P/VPA: são 0,7 vez no caso do BBDC4, contra 2 vezes no ITUB4. Segundo o banco, esse é o maior desconto da última década.
A diferença de rentabilidade entre as duas instituições, por outro lado, não aumentou na mesma proporção. O Bradesco apresenta ROE de 16,6%, ante 25,5% do Itaú — uma distância de 8,9 pontos percentuais. Na leitura dos analistas, portanto, o desconto aplicado às ações do Bradesco parece exagerado diante da diferença efetiva de rentabilidade entre os dois bancos.
Nem na crise de 2016 o Bradesco ficou tão barato Para reforçar a tese, o Morgan Stanley recorre a um dos períodos mais difíceis da economia brasileira recente: janeiro de 2016, em meio à recessão e à crise política que culminou no impeachment de Dilma Rousseff. Naquele momento, o Bradesco negociava a aproximadamente 1 vez o valor patrimonial, mesmo com a economia em forte contração. O PIB brasileiro havia recuado 3,5% em 2015, enquanto a taxa de desemprego subiu de 5,3% em janeiro daquele ano para 8,6% em janeiro de 2016.
A Selic, por sua vez, chegou a 14,2%, e o banco apresentava ROE de 18,8%. A comparação chama a atenção porque, atualmente, o cenário econômico é menos adverso. A Selic está em 13,7%, a atividade econômica e o mercado de trabalho seguem em terreno positivo e o Bradesco mantém rentabilidade de 16,6%.
Ainda assim, o múltiplo patrimonial está em 0,7 vez, cerca de 30% abaixo do piso observado em janeiro de 2016. Para o Morgan Stanley, a precificação atual parece mais pessimista do que os fundamentos justificariam. Corte de custos e carteira de crédito mais conservadora Além do valuation , o Morgan Stanley destaca fatores que podem ajudar o Bradesco a proteger seus resultados caso a economia desacelere nos próximos trimestres.
Um deles é o processo de transformação digital e de eficiência operacional. Nos últimos dois anos, o banco reduziu sua rede de agências em aproximadamente um terço, enquanto o número de funcionários caiu apenas 8%. Na avaliação dos analistas, essa diferença indica que ainda há espaço para ajustar a estrutura de pessoal e capturar novas economias nos próximos 12 a 24 meses.
Outro ponto destacado é a mudança gradual no perfil da carteira de crédito. Os empréstimos com garantia para pessoas físicas — como crédito consignado, financiamento de veículos e imobiliário — passaram a representar 64% da carteira de varejo, ante 62% dois anos antes. Mesmo nas modalidades sem garantia, como cartão de crédito e empréstimo pessoal, a administração tem priorizado clientes de menor risco, segundo o relatório.
Na visão do Morgan Stanley, a combinação de uma estrutura de custos mais enxuta e uma carteira de crédito mais conservadora pode dar sustentação ao lucro e à rentabilidade do Bradesco em um cenário macroeconômico menos favorável. ]]>
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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