Brasil deve se proteger de importações predatórias, diz ex-ministro
O Brasil precisa proteger setores industriais afetados por altas repentinas das importações sem criar incentivos permanentes à ineficiência, afirmou Armando Monteiro , ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria. Em entrevista ao Poder360 durante o Congresso Aço Brasil 2026 , Monteiro disse que as medidas de defesa comercial devem considerar o Custo Brasil –conjunto de dificuldades econômicas e burocráticas que encarecem a produção nacional. “Não é uma mera reivindicação de proteção pela proteção ou um pacto com a ineficiência.
Trata-se de reconhecer que não é justo impor aos jogadores uma regra que desconsidere as desvantagens de um deles. O Custo Brasil reúne ineficiências sistêmicas que dão ao produtor nacional uma desvantagem no cenário de competição global, tornando necessárias medidas de defesa comercial” , declarou. Monteiro também citou os “surtos predatórios de importação” associados a mudanças nos fluxos do comércio mundial, como o aumento das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos estrangeiros.
Uma alta repentina das importações pode pressionar produtores brasileiros quando mercadorias antes destinadas a outros mercados passam a entrar no país. “O Brasil precisa produzir uma política que equilibre a necessidade de proteger setores expostos a essa competição e ao Custo Brasil. Equilibrar não significa ter um viés tão protetivo que pactue com a ineficiência, devendo ser um processo reavaliado continuamente para calibrar as medidas de proteção conforme a evolução do próprio Custo Brasil”, disse.
Monteiro foi ministro de 2015 a 2016, no governo Dilma Rousseff (PT). Também foi deputado federal por Pernambuco de 1999 a 2011, senador pelo Estado de 2011 a 2019 e presidente da CNI de 2002 a 2010. Assista à entrevista de Armando Monteiro ao Poder360 : CONGRESSO AÇO BRASIL O Congresso Aço Brasil 2026 é o principal evento do setor do país.
O encontro é realizado em 29 e 30 de setembro no Transamérica Expo Center, em São Paulo. Em sua 36ª edição, reúne representantes da indústria do aço, especialistas e integrantes dos setores econômico e empresarial para discutir as perspectivas da atividade. Leia mais : Poder360 entrevista executivos no Congresso Aço Brasil 2026 ; Alckmin defende proteção e redução de custos para siderurgia ; Reforma tributária elevará exportações em 17%, diz Alckmin ; Gerdau questiona capacidade do Brasil de competir no comércio mundial ; Bitributação pode travar reciclagem de aço, diz deputado ; Carga tributária é “autotarifaço” que Brasil impõe a si, diz Troyjo ; Importação de aço chega ao dobro do patamar histórico no Brasil ; Ricardo Geromel vê “tsunami” de empresas chinesas no Brasil ; Brasil pode ampliar mercados com reorganização global, diz Aragão ; Alckmin defende Gas Release mesmo com pressão contrária da Petrobras ; Brasil precisa crescer mais de 3,5% ao ano, diz Roriz; “Se deixarmos, a China vai desindustrializar o mundo”, diz ex-embaixador ; Custo Brasil freia siderurgia, diz CEO da Aperam ; Importações chinesas ameaçam empregos brasileiros, diz ex-embaixador ; Defesa contra aço chinês é lenta na América Latina, diz professor .
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