Brasil Pode Antecipar Preenchimento da Cota de Carne na China para Abril
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Uma antecipação de embarques de carne bovina do Brasil para a China, para o cumprimento da cota de 2027, pode levar ao preenchimento dos volumes totais de 1,128 milhão de toneladas estabelecidos para o ano até o final de março ou abril, avaliou o presidente da associação da indústria Abiec, Roberto Perosa, nesta quinta-feira. Em entrevista a jornalistas, ele disse que os embarques de carne bovina do Brasil para a China, para cumprimento da cota do ano que vem com tarifa menor de 12%, devem começar em novembro de 2026.
O país asiático, maior importador do produto brasileiro, estabeleceu salvaguardas no final do ano passado visando preservar a indústria local, colocando uma tarifa de 55% para compras fora da cota em 2026, 2027 e 2028. Os chineses garantiram um aumento de apenas 22 mil toneladas na cota do ano que vem em relação a 2026 para o Brasil, maior exportador de carne bovina. “Se for o que estamos esperando, pode haver o final da cota em março, mais tardar em abril”, afirmou o presidente da Abiec.
Ele defendeu que embarques de carne bovina brasileira aos chineses deveriam ser dosados, por meio de alguma medida governamental, para que a cota chinesa não seja cumprida rapidamente, o que gera desafios adicionais ao setor. Ele ponderou, contudo, que há incertezas sobre o “apetite” chinês quando as vendas para a China forem retomadas, uma vez que os chineses estão com estoques elevados das principais proteínas. “Ela (China) tem alto estoque de carne bovina, está no seu nível máximo de produção de carne suína e está produzindo também carne de aves.
Precisamos ver esse apetite da China em relação ao Brasil, se tem estoque alto…”, afirmou Perosa. Ele comentou que há consenso no setor frigorífico de que deveria haver uma divisão da cota entre as empresas, para reduzir impactos de uma aceleração de vendas para o preenchimento da cota. Após isso acontecer em 2026, por volta de julho, o setor teve meses de “sufoco”, com margens menores pela ausência do mercado chinês.
Não fosse a cota com tarifa mais alta, o Brasil poderia ter exportado 2 milhões de toneladas de carne bovina aos chineses em 2026, ante aproximadamente 1,7 milhão de toneladas em 2025, afirmou o dirigente. De janeiro a agosto, a exportação brasileira da proteína para a China somou 899,2 mil toneladas, enquanto o volume total para todos os destinos foi de 2,2 milhões de toneladas, segundo dados da Abiec. Para a cota de 2026, a China considerou embarques que ingressaram no país a partir de 1º de janeiro, alguns deles realizados no Brasil ao final de 2025.
Esperança com União Europeia Perosa disse acreditar que o Brasil não vai conseguir resolver o embargo europeu à carne bovina até o final do ano, mas disse ter esperanças de que no primeiro semestre de 2027 o país volte a exportar para a União Europeia, à medida que as negociações avancem. Desde 3 de setembro, o Brasil não exporta carne bovina para a UE, mercado que paga os melhores preços pelo produto nacional, devido a exigências europeias em torno da comprovação da não utilização de antimicrobianos — o embargo vale também para outras carnes, ovos e mel. Mas o segmento de carne bovina enfrenta desafios adicionais, já que o ciclo de vida do animal é mais longo, de cerca de dois anos, em relação a aves, por exemplo.
E a UE exige a comprovação da ausência do antimicrobiano desde o nascimento. Para tentar voltar à lista de países habilitados a exportar para a UE, a indústria protocolou no Ministério da Agricultura um termo de adesão às regras europeias assinado por 100% das indústrias, disse Perosa, que espera agora o reconhecimento europeu. Entre os desafios, entretanto, está a baixa adesão de pecuaristas ao protocolo, em um país que tem o maior rebanho bovino comercial do mundo.
Considerando o ciclo de vida mais longo dos bovinos, Perosa disse que a indústria quer negociar um período de transição para que o Brasil volte a exportar carne bovina em breve. O período de transição está sendo estudado no âmbito do Ministério da Agricultura, afirmou Perosa, evitando dar detalhes sobre o que será proposto aos europeus. Ele afirmou também não ter informação sobre uma eventual visita de europeus para avaliar a indústria de carne bovina brasileira.
O mercado da UE representou embarques de cerca de US$1 bilhão para o setor no ano passado, sendo que nos últimos quatro meses — período de maior demanda — foram pouco mais de US$500 milhões. O dirigente ressaltou ainda que o Brasil exporta para cerca de 170 países, destacando a qualidade do produto brasileiro, e que não há estudo científico que diga que o antimicrobiano vetado pela UE pode causar algum problema à saúde humana. O post Brasil Pode Antecipar Preenchimento da Cota de Carne na China para Abril apareceu primeiro em Forbes Brasil .
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