Brasilagro descarta recompra de ações e prioriza redução da dívida
A Brasilagro não pretende lançar um programa de recompra de ações no curto prazo, mesmo diante do desconto dos papéis na bolsa de valores. A prioridade da companhia é reduzir o endividamento , estratégia que, na avaliação do CEO, André Guillaumon, oferece hoje um retorno superior ao de outras alternativas de alocação de capital, como a aquisição de novas propriedades rurais ou a recompra dos próprios papéis. Durante conversa com jornalistas para divulgação de resultados financeiros, o executivo afirmou que a empresa compara três possibilidades de investimento: comprar terras, recomprar ações ou amortizar dívidas.
Na avaliação dele, a redução do endividamento é atualmente a alternativa mais vantajosa, diante do custo de capital e das perspectivas para os juros de longo prazo. “Se eu fizer uma TIR de cada negócio, comprar uma fazenda, recomprar a ação e pagar dívida, não tenho dúvida de que a melhor TIR hoje é a redução do endividamento”, afirmou. Leia Mais Ajuste no mercado de crédito desafia investimentos em infraestrutura Carteira de crédito do agro no BB cresce 4,1%, mas inadimplência pressiona CNA defende ajuste fiscal para impulsionar investimentos no agro Segundo Guillaumon, novos projetos de aquisição de terras apresentam taxas internas de retorno (TIR) estimadas entre 6% e 7%.
Já a redução da dívida proporcionaria um retorno de aproximadamente 9% a 10%, descontada a inflação. O CEO reconheceu que as ações da companhia sofreram com a volatilidade recente do mercado, principalmente no dia seguinte as eleições para presidente, mas avaliou que a queda foi menor do que a observada em outros setores mais sensíveis aos juros. “Papéis de construtoras e empresas industriais chegaram a recuar entre 40% e 45%, as ações da Brasilagro caíram 16% a 17% e já estão apresentando alguma recuperação”, afirmou.
Na avaliação do executivo, uma queda mais acentuada poderia tornar a recompra de ações mais atrativa. No entanto, com o nível atual dos papéis e o retorno esperado com a redução da dívida, a empresa não vê justificativa para iniciar um programa neste momento. “Estamos monitorando, mas não temos isso no radar para recomprar no curto prazo”, disse.
Oportunidades de aquisição de terras Apesar de priorizar a redução da dívida, a Brasilagro continua acompanhando oportunidades de aquisição de propriedades rurais. Guillaumon afirmou que a companhia observa sinais de estresse financeiro no setor, que podem abrir espaço para negócios envolvendo ativos agrícolas. A estratégia, porém, depende da capacidade de encontrar propriedades com retorno compatível com o custo de capital.
O executivo avalia que a alta dos juros de longo prazo reduz a atratividade de novos investimentos e exige maior disciplina na alocação de recursos. A companhia encerrou o primeiro trimestre fiscal de 2027 com dívida líquida ajustada de R$ 136,3 milhões, redução de 51% em relação aos R$ 280,5 milhões registrados em junho. A relação entre dívida líquida ajustada e Ebitda dos últimos 12 meses caiu de 2,82 vezes para 1,05 vez.
Juros e desempenho das ações Para Guillaumon, a recuperação das ações da Brasilagro dependerá de dois fatores, a trajetória da curva de juros e as expectativas de resultado operacional da companhia. O executivo avalia que o ambiente de juros elevados tende a pressionar empresas de diferentes setores, mas pondera que o negócio agrícola pode apresentar perspectivas relativamente melhores diante da recuperação das cotações internacionais da soja e da desvalorização cambial. Na leitura do CEO, a melhora das condições para os produtores pode favorecer os resultados do agronegócio e contribuir para uma recuperação dos papéis do setor.
Ainda assim, a empresa pretende manter o foco na disciplina financeira, priorizando a redução do endividamento antes de considerar uma recompra de ações. ]]>
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