Brasilagro vê impacto limitado com mudança na escala 6×1
Uma eventual mudança na escala de trabalho 6×1 deve ter impacto direto limitado sobre a folha de pagamentos da Brasilagro, mas pode elevar os custos dos prestadores de serviços contratados pela companhia. A avaliação foi feita pelo CEO da empresa, André Guillaumon, durante conversa com jornalistas para divulgação de resultados financeiros. Segundo o executivo, a Brasilagro tem pouco mais de 400 funcionários registrados no Brasil, e uma parcela significativa trabalha em áreas administrativas e de gestão, principalmente em São Paulo.
Como esses profissionais já não costumam trabalhar aos sábados, a alteração da jornada teria efeito reduzido sobre esse grupo. A preocupação está concentrada nos trabalhadores que atuam diretamente nas fazendas e nas atividades operacionais. Nesse caso, uma mudança na escala pode exigir reorganização dos turnos e afetar a logística das propriedades rurais.
Leia Mais Fim da 6x1: Líderes pedem mais produtividade e novo pacto de trabalho Fim da escala 6x1 já deve pressionar inflação de janeiro, diz ABPA Prazo para fim da 6x1 deve ser adequado, diz Fiemg Guillaumon citou como exemplo o recebimento de insumos agrícolas. “Se um caminhão de fertilizantes chegar à fazenda em um sábado e não houver equipe disponível para descarregar a carga, o transportador poderá ter de aguardar até segunda-feira. ” A companhia ainda avalia como adaptar as atividades, considerando alternativas como turnos e escalas de revezamento.
Segundo o CEO, a análise envolve também a organização dos serviços terceirizados, que concentram parte importante da mão de obra operacional, como operadores de máquinas e tratoristas. Terceirização pode elevar custos Embora a empresa estime um impacto direto pequeno sobre sua própria folha, Guillaumon reconhece que a mudança pode pressionar os custos dos fornecedores de serviços. ” O executivo afirmou que a companhia considera esse efeito na avaliação econômica da mudança e lembrou que a Brasilagro pode ser corresponsabilizada por obrigações trabalhistas relacionadas à mão de obra terceirizada.
A empresa também destaca que vem reduzindo a necessidade de mão de obra por meio da adoção de tecnologia, telemetria e maior precisão nas operações agrícolas, especialmente no plantio. Para Guillaumon, esse processo ajuda a limitar a exposição da companhia ao aumento dos custos de pessoal. Sazonalidade pode facilitar adaptação Outro fator considerado pela Brasilagro é a sazonalidade das atividades agrícolas.
Diferentemente de setores industriais que operam continuamente ao longo do ano, as operações no campo têm períodos de maior e menor demanda, de acordo com o calendário de plantio, manejo e colheita. Essa característica pode permitir maior flexibilidade na organização das jornadas, inclusive com compensação de horas em períodos de menor atividade . Guillaumon afirmou que a companhia já utiliza banco de horas negociado com sindicatos há mais de dez anos.
Na avaliação do CEO, esse mecanismo pode ajudar na adaptação a novas regras, embora não resolva todos os desafios operacionais. Em situações nas quais não for possível flexibilizar a jornada, a empresa poderá organizar folgas para os trabalhadores. O executivo ponderou que o impacto econômico não será inexistente, sobretudo por causa dos serviços terceirizados, mas avalia que a exposição da Brasilagro tende a ser menor do que seria no período anterior à ampliação do uso de tecnologia nas operações agrícolas .
A companhia ainda não apresentou uma estimativa financeira para o eventual aumento de custos . Segundo Guillaumon, os efeitos estão sendo mapeados e dependerão das regras que vierem a ser adotadas e da forma como os prestadores de serviços reorganizarem suas equipes. ]]>
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