Braskem (BRKM5) divulga propostas de reestruturação, mas sem acordo com credores; XP coloca petroquímica sob revisão
A Braskem (BRKM5) divulgou ao mercado informações não públicas anteriormente compartilhadas com determinados investidores no âmbito das negociações da recuperação extrajudicial, incluindo seu plano de negócios atualizado, projeções financeiras e as propostas mais recentes para a reestruturação da dívida. De acordo com o fato relevante, divulgado no sábado (24), os materiais compartilhados com determinados titulares e gestores de investimentos de notas seniores e debêntures da companhia haviam sido entregues ao longo de agosto, setembro e outubro. A empresa disse que, pelos acordos de confidencialidade assinados em setembro, ficou obrigada a tornar públicas as informações após o fim do prazo previsto.
De acordo com a Braskem, após diversas reuniões presenciais com seus principais acionistas e os investidores, nenhuma das propostas foi aceita e ainda não houve acordo sobre os termos da reestruturação. A companhia, porém, disse que continuará as negociações com os credores financeiros para cumprir o marco previsto no protocolo de negociação, prorrogado para 30 de outubro de 2026. O comunicado também destaca que os materiais compartilhados trazem projeções sobre preços, volumes, consumo e fornecimento de matéria-prima, custos, produção, taxa de utilização e indicadores financeiros até 2035.
A Braskem protocolou em 24 de agosto um pedido de recuperação extrajudicial envolvendo cerca de US$ 10,9 bilhões em créditos financeiros sem garantia. Por dentro dos mercados Receba gratuitamente as newsletters do Money Times OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários. XP coloca petroquímica sob revisão A XP Investimentos colocou a Braskem sob revisão.
Dessa maneira, a recomendação, preço-alvo e estimativas anteriores não são mais válidos. Os analistas destacam que a companhia, seus principais acionistas e um grupo ad hoc de credores ainda não chegaram a um acordo. As partes buscam definir os principais termos da reestruturação até 30 de outubro, prazo prorrogado em relação à data anterior de 9 de outubro.
A Braskem tem até 22 de novembro, 90 dias após o protocolo do pedido, para obter o apoio necessário dos credores para aprovação judicial. As propostas mais recentes ainda divergem em relação ao montante e ao cronograma de uma eventual injeção de capital, ao preço de conversão da dívida em ações e aos termos da dívida remanescente (takeback debt), pondera a XP. “Diante das incertezas em torno dos termos finais da reestruturação, estamos retirando nossas estimativas e avaliação das ações até que haja maior clareza”, dizem os analistas.
Propostas A XP pontua que a Braskem propõe uma oferta de direitos de subscrição de US$ 2,25 bilhões, com desconto de 20% em relação ao preço de mercado. Os principais acionistas ou terceiros garantiriam US$ 1,2 bilhão dessa oferta, sendo metade desembolsada no fechamento da operação e o restante 12 meses depois. Até US$ 0,5 bilhão adicional poderia ser aportado em junho de 2029, mas apenas se necessário para reduzir a alavancagem líquida para o patamar de 4,0 vezes.
Entre US$ 3,3 bilhões e US$ 3,8 bilhões da dívida seriam convertidos em ações ao preço de mercado. Desse montante, até cerca de US$ 2,8 bilhões seriam convertidos no fechamento da operação. Outros US$ 0,5-1,0 bilhão poderiam ser convertidos em junho de 2029 juntamente com o aporte contingente de capital, com o valor final ainda em negociação.
Os 71% restantes dos créditos, cerca de US$ 6,8 bilhões, seriam convertidos em dívida garantida, incluindo a parcela potencialmente conversível em 2029. A nova dívida teria remuneração 125 bps (pontos-base) acima da taxa média atual e incluiria uma opção de pagamento integral em espécie (PIK) por três anos. Já o grupo ad hoc propõe a mesma oferta de direitos de subscrição de US$ 2,25 bilhões, porém com US$ 1,85 bilhão garantidos e integralmente desembolsados no fechamento da operação.
Os analistas da XP pontuam que o preço de subscrição seria de R$ 1,60 por ação, equivalente a um desconto de 20% em relação ao preço de conversão da dívida. Não haveria aporte contingente de capital. No fechamento da operação, US$ 1,85 bilhão da dívida seriam convertidos em ações a R$ 2,00 por ação.
Outros US$ 450 milhões se transformariam em dívida conversível, com preço de conversão inicial de R$ 2,00 por ação e redução de 4% ao ano. Em junho de 2029, o montante necessário para reduzir a alavancagem líquida para 4,0 vezes seria convertido obrigatoriamente em ações. No total, até US$ 2,3 bilhões da dívida seriam convertidos em patrimônio.
Os cerca de US$ 7,3 bilhões restantes seriam convertidos em dívida garantida, com custo médio de aproximadamente 8,5%, opção de PIK de 50% até dezembro de 2027 e um pacote mais amplo de garantias. ]]>
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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