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    InvestNews·17 de set., 22:42

    Braskem: credores rejeitam plano de dívida e cobram aporte da Petrobras

    Bondholders internacionais (investidores que compram títulos de dívida de empresas) da Braskem resistem à proposta de reestruturação apresentada pela petroquímica e aumentam a pressão sobre a Petrobras para aportar capital novo no negócio, segundo pessoas a par do assunto. As tensões nas negociações para reformular uma dívida de US$ 11 bilhões se intensificaram depois que os controladores da Braskem, a Petrobras e a IG4 Capital, suavizaram o texto sobre um aporte de capital, disseram as fontes, que pediram anonimato por discutir informações não públicas. Pela proposta mais recente da Braskem, apresentada no fim de agosto, os credores forneceriam cerca de US$ 2 bilhões em recursos novos, segundo parte das fontes ouvidas.

    Cerca de US$ 1,25 bilhão seria usado para recomprar dívida existente por até 50% do valor de face, enquanto os US$ 750 milhões restantes iriam para capital de giro . Leia também Negócios Petrobras amplia operação na África, com contratos de exploração de oito novos blocos Economia Produtores menores de minério de ferro do Brasil são prejudicados pela alta do frete marítimo Credores da Braskem querem compromisso vinculante Os termos representam uma mudança em relação às discussões iniciais, que não previam deságio da dívida. Os credores também exigem compromisso vinculante (que representa obrigação legal) dos acionistas, e parte deles deixou claro que não há acordo sem aporte de capital.

    A Petrobras se envolveu cada vez mais nas negociações. Embora queira evitar que a Braskem entre com pedido de recuperação judicial , a estatal até agora resistiu a oferecer o tipo de compromisso vinculante de capital exigido pelos credores. Os dois lados seguem tão distantes que parte dos credores cogita não apresentar contraproposta alguma.

    A possibilidade de um pedido de recuperação judicial voltou a ganhar espaço nas discussões diante da distância entre as partes. Braskem e IG4 não comentaram. A Petrobras não respondeu de imediato a pedido de posicionamento.

    O Valor Econômico havia noticiado na quarta-feira (16) que a Braskem apresentou uma proposta aos credores, sem detalhar os termos. Reestruturação após atrasos de pagamentos Maior produtora de petroquímicos da América Latina, a Braskem enfrenta anos de turbulência, com o caixa reduzido após o desastre ambiental em uma de suas minas de sal e um longo período de preços deprimidos no setor petroquímico. Sucessivas tentativas fracassadas da Novonor (ex-Odebrecht), conglomerado empresarial em graves dificuldades financeiras, de vender sua participação de controle agravaram a situação.

    A petroquímica pediu proteção emergencial contra credores em junho, ganhando tempo para reunir apoio suficiente à renegociação extrajudicial. Em agosto, tornou-se a mais recente empresa brasileira a ser forçada a reestruturar dívidas após atrasar pagamentos. Cerca de US$ 7 bilhões do total incluído na renegociação são devidos a detentores de títulos, segundo pessoas a par do assunto na época.

    O plano inicial apresentado pela Braskem previa a entrada de capital novo após o chamado “Período de Alívio”, intervalo em que a empresa buscaria recuperar as operações e equacionar as necessidades de capital e liquidez, mostram documentos. Isso poderia ocorrer por meio de uma oferta pública de ações sem direito a voto, segundo pessoas ouvidas à época. Agora, parte dos credores não considera uma oferta subsequente suficiente.

    As partes têm até 9 de outubro para fechar um term sheet , prazo especialmente sensível por cair entre o primeiro e o segundo turno das eleições e por poder definir se as negociações continuam ou se a empresa se aproxima de um processo de recuperação judicial, tema delicado com a Petrobras como acionista estatal. A empresa tem até o fim de novembro para apresentar um plano final com apoio de mais da metade dos credores e evitar o pedido de recuperação judicial. Os rendimentos dos títulos da Braskem em dólar com vencimento em 2030 subiram para cerca de 26%, patamar típico de dívida em situação de estresse.

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