Busca pelo Paraguai aumentou com reforma tributária, diz consultoria
A busca por empresas brasileiras interessadas em produzir no Paraguai aumentou com as discussões sobre a reforma tributária e o cenário de juros elevados no Brasil , segundo Suelen Raizer , fundadora da Frontexa , consultoria especializada na instalação de empresas no país vizinho. Raizer afirmou que cerca de 100 indústrias procuraram a empresa em 2026, interessadas no país vizinho. O número inclui também distribuidoras que buscam alternativas para aumentar a competitividade.
“Quando saem notícias sobre a reforma tributária, sobre alguma questão econômica, sobre aumento da taxa de juros, a gente acaba recebendo mais demanda aqui no nosso time de venda”, afirmou em entrevista ao Poder360. Assista à entrevista completa (29min54): Além de menor carga tributária , o Paraguai apresenta maior previsibilidade. “Como o país quer atrair capital estrangeiro para que o investidor se sinta confortável num ambiente que é tributariamente fácil, economicamente confortável de investir, ele é previsível”, declarou Raizer.
A Reforma Tributária do Consumo entra em vigor em 2027, data em que o PIS e a Cofins serão integralmente extintos e substituídos pela nova CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). Nesse mesmo dia, a alíquota do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) será reduzida a zero na maioria dos produtos, terá início a cobrança do Imposto Seletivo sobre itens nocivos à saúde e ao meio ambiente. Começará a transição prática do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), exigindo que as empresas adaptem urgentemente seus sistemas de emissão de notas fiscais, revisem contratos e ajustem suas estratégias de precificação antes do início desse novo modelo.
MUDANÇA PARA O PARAGUAI Desde 2007, mais de 230 empresas saíram do Brasil para operar no Paraguai sob o regime de maquila, de acordo com levantamento do Poder360, feito em maio. O número corresponde a 70% das mais de 320 empresas estrangeiras que optaram pelo país vizinho. Desde 2013, esse movimento vem ganhando força.
A lei de Maquila é uma norma legal que permite às companhias estrangeiras voltadas para a exportação produzirem em um país vizinho pagando menos impostos. O principal atrativo do Paraguai é a baixa carga tributária . As maquiladoras têm impostos e encargos trabalhistas totais de 12%, em média, contra 80% no Brasil.
As maquiladoras pagam só 1% de imposto sobre o valor agregado e têm isenção de Imposto de Renda, inclusive sobre o pagamento de dividendos, na compra de máquinas e na importação de matéria-prima. COMO FUNCIONA O PROCESSO A decisão de migrar uma operação para o Paraguai passa por uma análise de viabilidade, segundo Raizer. A consultoria calcula custos de produção, disponibilidade de mão de obra, investimento necessário e prazo de retorno do projeto.
Se a empresa aprovar os números, começa o processo de instalação. A documentação pode levar de 3 a 6 meses, enquanto o período entre o início da análise e o começo da produção pode chegar a 7 a 18 meses. O projeto precisa ser apresentado ao Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai e demonstrar geração de valor agregado no país, com contratação de trabalhadores locais e utilização de fornecedores paraguaios, quando aplicável.
“É um projeto sério, não pode escrever uma coisa no projeto e depois fazer outra, porque também existe a fiscalização” , disse a fundadora da Frontexa. Precisa ser considerado também que existe um mínimo de 40% de valor agregado regional, também chamado de “elemento paraguaio” . É o requisito básico exigido para que um produto industrializado no Paraguai obtenha o Certificado de Origem do Mercosul, garantindo que a mercadoria possa ser exportada para outros países do bloco, como o Brasil, com alíquota zero de Imposto de Importação.
Raizer citou ainda que a transferência da produção não é viável para todos os setores. Empresas que dependem de mão de obra altamente especializada, manual ou artesanal, podem ter mais dificuldade. A mão de obra qualificada no país vizinho é mais escassa.
PARAGUAI COMO COMPLEMENTO Raizer disse não considerar o Paraguai um concorrente que necessariamente prejudique a indústria brasileira. Para ela, as operações dos 2 países podem ser complementares. De acordo com ele, na maioria dos casos, funções como marketing, design e decisões estratégicas permanecem no Brasil, enquanto parte da produção é transferida para o Paraguai.
“ Eu não acredito que o Paraguai é o inimigo do Brasil. Nem sempre os meus clientes fecham a fábrica no Brasil, mas na hora de expandir, eles acabam escolhendo o Paraguai para ter essa competitividade também no preço e também porque a gente vê essa facilidade de mão de obra no Paraguai”, afirmou Raizer. ]]>
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