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    InvestNews·17 de set., 22:20

    Cade decide aprofundar análise da compra da Medley pela EMS

    O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) decidiu nesta quinta-feira (17) aprofundar a análise da compra da farmacêutica Medley pela EMS , apurou o InvestNews . A Superintendência-Geral da autarquia declarou a operação “complexa” e determinou novas diligências para avaliar os efeitos do negócio sobre a concorrência. As principais preocupações estão nas vendas em farmácias de medicamentos que estimulam a ovulação, usados em tratamentos de infertilidade, e de uma classe de remédios contra enxaqueca.

    Nesses segmentos, o órgão ainda não se convenceu de que os concorrentes da dupla seriam capazes de conter eventuais aumentos de preços após a aquisição. Leia também Negócios O mundo corre atrás do efeito Ozempic e da próxima geração de GLP-1. A Medley escolheu outro caminho Na categoria que reúne os estimulantes da ovulação, a participação combinada das empresas ficaria entre 90% e 100% das unidades vendidas, segundo dados de 2025 apresentados na nota técnica.

    Entre os produtos desse segmento está o Clomid, da Medley. A concentração apontada pelo Cade se refere a essa categoria específica, não ao conjunto dos tratamentos para infertilidade. Já na classe dos remédios contra a enxaqueca, que inclui a naratriptana, a fatia conjunta seria de 50% a 60% em volume.

    Os percentuais se referem a essas categorias específicas, não ao mercado total de medicamentos para fertilidade ou enxaqueca. O Cade reconheceu que o setor de genéricos reúne muitos fabricantes, capacidade produtiva instalada e consumidores pouco fiéis às marcas.   Por isso, quer aprofundar a análise da competição entre os laboratórios já presentes nesses segmentos.

    Copo meio cheio A preocupação, porém, não se estende a toda a aquisição. O negócio envolve 253 medicamentos, em sua maioria genéricos, examinados em 120 mercados. Em 70 deles, o Cade identificou baixa sobreposição entre as empresas ou pouco efeito da compra sobre a concentração.

    Mesmo entre os mercados mais concentrados, a superintendência considerou que a presença de concorrentes importantes seria suficiente para preservar a disputa, com exceção dos segmentos dos remédios já citados. A compra da Medley pela EMS foi anunciada em março , em uma operação avaliada em cerca de US$ 600 milhões, aproximadamente R$ 3,2 bilhões à época. O grupo da família Sanchez venceu uma disputa que atraiu Aché , Hypera , Biolab e a indiana Sun Pharma .

    A aquisição de 100% da Medley será feita pela Novamed, uma subsidiária da EMS. Para a EMS, o negócio amplia ainda mais sua presença em genéricos, uma especialidade da casa. Para a francesa Sanofi, a venda faz parte da estratégia de concentrar investimentos em medicamentos inovadores e vacinas, conforme o anúncio conjunto .

    A expectativa inicial é de que o negócio pudesse ser aprovado ainda este mês . Contudo, as novas diligências tornam essa expectativa menos provável, embora a decisão não descarte uma conclusão ainda neste mês. O Cade abriu prazo de 15 dias após a publicação do despacho para apresentação de informações, incluindo eventuais propostas para enfrentar os riscos concorrenciais e demonstrações de benefícios ao consumidor.

    Não houve exigência de venda de ativos nem decisão de veto. O prazo máximo da análise também não foi prorrogado: permanece em 22 de janeiro de 2027 . A superintendência pode pedir uma extensão posteriormente, mas afirmou que isso não é necessário por enquanto.

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