Calor de bomba atômica e consumo de usina inteira: a polêmica do projeto de C$ 70 bilhões que quer alimentar gigante de dados de 9 Gigawatts
Um data center previsto para construção no distrito de Greenview, em Alberta, pode gerar, todos os dias, “o equivalente em energia a 23 bombas atômicas como a de Hiroshima”. A afirmação é do físico Robert Davies da Utah State University, que completa: “Nas condições propostas, este local se tornará uma das maiores fontes únicas de calor no planeta”. As consequências, segundo Davies, incluem o aumento da temperatura do ar e o uso de gigantescos ventiladores industriais para resfriá-lo.
“Isso consome eletricidade e produz barulho considerável”, acrescentou. O cálculo foi encomendado pela nação indígena Sturgeon Lake Cree, que abriu processo jurídico exigindo uma análise do impacto ambiental da proposta antes de sua aprovação. O Wonder Valley é um projeto da O’Leary Digital com investimento de 70 bilhões de dólares canadenses, descrito como “o maior p arque industrial de data centers para IA”.
Ele incluiria usinas próprias de geração de energia a partir de fontes geotérmicas e do gás natural. Leia Mais: Eleições nos EUA: máquinas de leitura de cédulas apresentam problemas em NY O que pode favorecer republicanos e democratas nas eleições dos EUA Acidente aéreo na Flórida: avião pode ter se desintegrado antes da queda O intuito é satisfazer demandas de armazenamento de empresas de inteligência artificial e processamento de dados em “hiperescala”. No site oficial, a empresa do investidor e apresentador Kevin O’Leary promete um design pronto para capturar suas emissões de carbono.
Mas o relatório preparado por Davies questiona tal capacidade. “[A proposta] exigiria aproximadamente 9 gigawatts de eletricidade, produzida a partir de gás natural no mesmo local”, detalhou o especialista. ” O físico afirma que o Wonder Valley se tornaria a principal fonte de emissões de carbono em todo o Canadá.
Como dissipar o calor de 23 bombas atômicas? Os ventiladores necessários para resfriar o ar em torno do parque industrial são uma das principais preocupações descritas por Davies. “Requer cerca de dois mil ventiladores grandes, no mínimo, e possivelmente milhares de ventiladores menores”, estima.
” Além do consumo de energia, o físico destaca o barulho que poderia ser produzido por todos estes equipamentos. Os sons seriam ouvidos não apenas pelos trabalhadores do parque industrial e as fábricas ao redor, mas também pelos animais que habitam a floresta boreal adjacente e os habitantes nativos canadenses de Alberta. Oposição ao projeto O terreno para construção do Wonder Valley fica a 130 quilômetros de uma reserva indígena habitada pela Sturgeon Lake Cree Nation.
O relatório de Robert Davies foi encomendado por líderes da comunidade que questionaram o projeto na justiça, destacando seu impacto no meio ambiente. Autoridades políticas de Alberta justificam que a demanda de energia e de água (para resfriamento) seria coberta pelo próprio parque industrial , limitando seu impacto na rede pública. A empresa O’Leary Digital também afirma ter solicitado a consultoria da comunidade nativa.
“A consideração pelo meio ambiente está integrada em todo o processo, com foco em identificar impactos com antecedência e trabalhar em colaboração com comunidades, reguladores e especialistas técnicos para evitar, minimizar e mitigar efeitos ambientais no design, na localização e nas práticas operacionais do projeto”, afirma a empresa na página do Wonder Valley Alberta. ]]>
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
Leia a matéria completa em CNN Brasil →
