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    Calor extremo aumenta risco de doenças respiratórias em bebês; entenda
    CNN Brasil·29 de set., 21:24

    Calor extremo aumenta risco de doenças respiratórias em bebês; entenda

    Bebês e crianças menores de 5 anos estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas intensificadas pelo Super El Niño , fenômeno que deve durar até o começo de 2027. Além disso, a geração atual e as próximas que estão por vir sofrerão por mais tempo do que qualquer outra geração já vista, principalmente no que diz respeito às doenças respiratórias. O alerta é feito por especialistas e será apresentado durante o 8º Congresso Internacional Sabará-Pensi de Saúde Infantil , criado para discutir os desafios do cuidado com esse público.

    O evento reunirá médicos e profissionais de todo o Brasil e do exterior entre esta quinta-feira (1º) e o próximo sábado (3), em São Paulo. O evento abordará o painel “Fatores ambientais e saúde infantil” , na Mesa Meio Ambiente, com mediação do pesquisador William Cabral, do Instituto Pensi. A ideia é debater o impacto da poluição, do calor extremo e das alterações nas condições que favorecem doenças respiratórias e infecciosas .

    O especialista conduziu um estudo publicado no Journal of Global Health que mostra que, apesar de o frio geralmente ser associado às doenças respiratórias , o calor também contribui para o aumento das mortes de crianças menores de 5 anos no Brasil . De acordo com a pesquisa, a primavera é a estação do ano com o maior número de internações hospitalares infantis, enquanto os dias secos representam uma grande parcela das internações por casos mais graves. O estudo utilizou inteligência artificial para cruzar dados das ocorrências registradas no Sabará Hospital Infantil.

    O centro médico atende cerca de 100 mil crianças por ano, das quais aproximadamente 50% apresentam problemas respiratórios . A amostra analisou mais de 24 mil consultas por doenças respiratórias e quase 3 mil internações. Segundo Cabral, o levantamento busca entender justamente como as condições ambientais influenciam a procura por atendimento pediátrico.

    “Essas crianças que foram expostas a dias mais secos também estavam associadas aos casos de internação por doença respiratória. Para os casos de bronquiolite, os dias com os índices de ozônio mais altos estavam associados às internações, bem como os dias mais úmidos. E para as infecções respiratórias foram associadas aos dias com temperaturas mais baixas” William Cabral, pesquisador do Instituto Pensi e coordena o Núcleo de Geoprocessamento e Ciências de Dados A visão é complementada pelo gerente médico do Sabará Hospital Infantil, Dr.

    Francisco Ivanildo de Oliveira . Segundo o infectologista, o aumento da temperatura vem acompanhado de maior concentração de poluentes e partículas no ar, o que pode agravar doenças respiratórias já existentes, como a asma. O calor em si, o aumento da temperatura, assim como outras condições que vêm associadas ao calor, como o aumento da circulação de elementos particulados e o aumento da concentração de poluentes, normalmente atua no sistema respiratório, fragilizando o sistema respiratório.

    Tudo isso vai fazer com que a taxa de internação de crianças tenda a aumentar durante esses períodos com altas temperaturas, principalmente se vier acompanhado de umidade do ar mais baixa Dr. Francisco Ivanildo de Oliveira, gerente médico e infectologista do Sabará Hospital Infantil. Leia Mais Entenda como o El Niño vai influenciar o inverno brasileiro Defesa Civil alerta para inverno com influência do El Niño em SP Super El Niño faz São Paulo lançar plano para "antecipar cenários de risco" “O risco não se distribui de forma igual”: ilhas de calor contribuem para aumento das doenças Segundo os especialistas, apesar de São Paulo manter um índice elevado de poluentes , nem todas as regiões da cidade sofrem da mesma maneira.

    Crianças que vivem em periferias da capital costumam ser as mais afetadas pelas doenças respiratórias. “Nem todas as crianças dentro de uma determinada área, dentro de uma determinada cidade, vão estar expostas do mesmo jeito. Pessoas que moram perto de áreas de grande circulação de veículos também têm um risco aumentado por conta da própria concentração de poluentes”, explica o infectologista.

    Isso acontece tanto pela falta de árvores que, consequentemente, gera as chamadas “ilhas de calor”, quanto pelas condições precárias em algumas residências. “O pior desfecho da saúde acontece nas populações mais vulneráveis socioeconomicamente falando. É aquela combinação entre o prejuízo do clima, a condição socioeconômica e o acesso ao serviço de saúde que não consegue dar suporte e evitar o óbito de uma criança, por exemplo”, complementa o pesquisador.

    Casos de síndrome respiratória crescem em bebês e acendem alerta no Brasil | LIVE CNN Calor também aumenta riscos para proliferação de outras doenças Apesar do aumento das doenças respiratórias no calor, os profissionais também explicam que as mudanças climáticas podem alterar a distribuição e a intensidade de doenças infecciosas, como malária e dengue. “As mudanças climáticas não estão associadas só a doenças respiratórias e a questões relacionadas ao aumento da temperatura em si. Todo o impacto na mudança do regime de chuvas, o aumento de inundações, em algumas regiões o aumento de secas, tudo isso acaba provocando um desequilíbrio ecológico em algumas situações, aumentando a chance de você ter uma maior presença dos vetores”, ressalta Dr.

    Francisco. Por este motivo, é importante evitar, principalmente nas residências, recipientes que possam se transformar em criadouros do mosquito. “A população tende a armazenar água, e a presença desses elementos de armazenamento de água, de potes, barris, enfim, água armazenada para consumo humano, também acaba se constituindo em um reservatório importante para o mosquito que vai fazer a transmissão da dengue, do chikungunya e da zica”, reforça o infectologista Como a inteligência artificial pode ajudar os médicos a se prepararem para os atendimentos pediátricos?

    O evento do Sabará Infantil também discutirá o uso da inteligência artificial na saúde. Cabral comentará sobre o assunto e sobre o projeto recente, especificado no estudo, de usar a IA para prever a demanda por atendimentos e internações no hospital. “A ideia é ter um sistema em que seja possível identificar os maiores fluxos de atendimento e de internação no hospital para que seja possível ter um gerenciamento frente a uma crise climática com esses piores índices de poluição e condições extremas do clima”, explicou.

    Já para o infectologista, isso pode auxiliar os médicos a definir um direcionamento para os pacientes. “Hoje em dia a gente também tem a vacina da dengue disponível para a população pediátrica. No caso das doenças respiratórias associadas às mudanças de temperatura, ao calor, ao clima seco e à alta concentração de poluentes, é importante que as famílias sejam orientadas a evitar atividades externas, principalmente em momentos do dia em que a temperatura está mais elevada”, conclui o médico.

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