Casas Bahia contrata executiva que liderou recuperação da Americanas para negociar dívida de R$ 17,3 bilhões
O grupo Casas Bahia anunciou a contratação de Camille Faria , executiva que liderou a recuperação judicial da Americanas e participou da reestruturação da Oi , para conduzir as negociações com seus credores. A chegada ocorre dois dias depois de a Justiça de São Paulo autorizar o processamento da recuperação judicial da varejista, que busca renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas. A contratação marca também a primeira grande operação anunciada pela Althia Partners , gestora criada recentemente por Camille para atuar na reestruturação de empresas em dificuldades financeiras.
Em setembro, a executiva contou ao InvestNews os planos para o novo negócio, voltado a companhias com faturamento superior a R$ 1 bilhão e pelo menos R$ 500 milhões em dívidas. Na Casas Bahia, Camille assume a frente das negociações em substituição a Mateus Tessler, responsável por ajudar a estruturar o plano de recuperação da companhia. Segundo a varejista, a transição foi consensual e Tessler continuará contribuindo pontualmente com o processo.
A Alvarez & Marsal, consultoria especializada em reestruturações, também permanece na operação, apoiando a modelagem do plano de recuperação. A mudança tem o respaldo do Conselho de Administração e da Mapa Capital, gestora de situações especiais que assumiu o controle da Casas Bahia em 2025, após converter em ações títulos de dívida adquiridos de bancos credores. Leia também Negócios Nos escombros da Oi, a briga de bilhões entre BTG e uma gestora americana Negócios Tem gente que foge de empresa em crise.
Esta executiva carioca criou uma gestora para assumi-las Agora, uma gestora especializada em recuperar empresas em crise recorre à experiência de outra profissional do mesmo mercado para tentar reorganizar as finanças de uma das maiores redes de varejo do país. Segundo a Casas Bahia, a chegada de Camille não representa uma mudança na estratégia de reestruturação. A companhia afirma que pretende manter o diálogo com os credores e construir uma solução sustentável para suas obrigações financeiras.
A contratação ocorre em um momento decisivo. Na quarta-feira (21), a Justiça de São Paulo deferiu o processamento da recuperação judicial, permitindo o avanço de um processo iniciado em agosto. A decisão, porém, não significa que o plano de pagamento das dívidas tenha sido aprovado.
A companhia ainda precisa apresentar sua proposta, que será submetida às etapas de negociação e deliberação previstas na legislação. A Justiça também determinou que a Casas Bahia complemente documentos apresentados no processo em até 30 dias. A análise judicial envolveu, entre outros pontos, questionamentos sobre a situação trabalhista da companhia após uma série de demissões.
Da Americanas à própria gestora Carioca, Camille construiu a carreira em algumas das reestruturações empresariais mais complexas do Brasil. Foi diretora financeira da Oi durante sua primeira recuperação judicial e, posteriormente, assumiu a mesma função na Americanas, onde liderou a condução financeira de um processo iniciado após a descoberta de inconsistências contábeis bilionárias. Camille Faria (Reprodução/ Ilustração: Daniela Arbex) Depois de deixar a varejista, teve uma passagem breve pela Oncoclínicas, entre fevereiro e março de 2026, antes de decidir abrir o próprio negócio.
Em setembro, anunciou a criação da Althia, gestora dedicada a assumir ou assessorar companhias em dificuldades financeiras, com atuação concentrada em sete setores: óleo e gás, telecomunicações, varejo, energia, saúde, navegação e infraestrutura. Em entrevista ao InvestNews, Camille explicou que a ideia nasceu da demanda de credores interessados em contar com sua experiência para reorganizar empresas que não necessariamente teriam condições de contratar uma executiva com seu currículo. A proposta da Althia é atuar tanto na estruturação financeira quanto na recuperação operacional das companhias.
A gestora também poderá investir diretamente nos negócios, dependendo das características de cada operação. “Creio que nossa casa vai misturar um perfil difícil de encontrar hoje no mercado, de pessoas que passaram pelas cadeiras de CEO e CFO e também já foram bankers . Conhecemos as duas realidades”, afirmou Camille na ocasião.
A executiva defendia que o processo de reestruturação não pode se limitar à renegociação de dívidas. Muitas vezes, é preciso rever custos, vender ativos, redesenhar operações e até alterar o modelo de negócio. “As companhias raramente entram em dificuldade só por causa de uma estrutura de capital desbalanceada.
Elas têm algum problema operacional para ser endereçado também”, disse. A Casas Bahia reúne justamente esses dois desafios. Além do endividamento elevado, enfrenta a necessidade de recuperar a rentabilidade de suas operações em um ambiente de juros altos e consumo pressionado.
Ao anunciar a Althia, Camille também avaliou que o mercado brasileiro continuaria oferecendo oportunidades para gestoras de reestruturação, mesmo em um cenário de redução dos juros. “Infelizmente, a gente ainda está no início de um ciclo”, afirmou. O desafio na Casas Bahia A chegada de Camille acrescenta mais um nome especializado em reestruturações a uma operação que já está sob o comando de uma gestora de situações especiais.
A Mapa Capital assumiu o controle da Casas Bahia depois de comprar do Banco do Brasil e do Bradesco R$ 1,65 bilhão em debêntures conversíveis, títulos de dívida que poderiam ser transformados em ações. Os papéis haviam sido emitidos no âmbito da recuperação extrajudicial concluída pela varejista em 2024, quando a companhia buscou reorganizar parte de suas obrigações financeiras sem recorrer a uma recuperação judicial. Em agosto de 2025, a Mapa converteu os títulos em ações e passou a deter 85,5% do capital da empresa.
O movimento seguiu uma estratégia comum entre gestoras especializadas em special situations : adquirir dívidas de companhias em dificuldades, muitas vezes com desconto, e utilizá-las como caminho para assumir o controle. A expectativa é que a reorganização financeira e operacional permita recuperar o valor do negócio e, consequentemente, o investimento realizado. No caso da Casas Bahia, porém, a mudança de controle não foi suficiente para estabilizar as finanças.
Em agosto deste ano, a varejista entrou com um pedido de recuperação judicial, apenas dois anos depois da reestruturação extrajudicial. O novo processo envolve R$ 17,3 bilhões em dívidas, dos quais cerca de R$ 16,4 bilhões são créditos sem garantia real. O pedido mostrou a dimensão das dificuldades que persistiram mesmo depois da entrada da Mapa no capital.
A companhia precisa, ao mesmo tempo, renegociar suas obrigações financeiras, preservar a operação e recuperar a capacidade de gerar caixa. O laudo pericial elaborado para subsidiar a análise da Justiça também apontou a pressão sobre as atividades da varejista. Entre abril e agosto, o valor dos estoques recuou 40,5%.
647 pessoas em agosto. ]]>
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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