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    Caso Lito Sousa: o que acontece no cérebro e como a neurociência explica por que a luta do influenciador mexeu tanto com a internet
    CNN Brasil·25 de set., 11:51

    Caso Lito Sousa: o que acontece no cérebro e como a neurociência explica por que a luta do influenciador mexeu tanto com a internet

    A confirmação de que o influenciador e especialista em aviação Lito Sousa , de 59 anos, tornou-se o primeiro humano a receber o medicamento experimental ALN-6457 mobilizou milhões de usuários na internet. Diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) — uma condição neurodegenerativa rara e de evolução rápida provocada por príons —, o criador do canal Aviões e Música iniciou o tratamento em uso compassivo autorizado pela Anvisa no Hospital Israelita Albert Einstein . Em atualizações públicas, sua esposa, Mila Seidl , de 41 anos, ressaltou o desafio entre a velocidade do avanço da doença e o tempo necessário para a medicação atingir seu efeito máximo.

    O caso levantou uma questão que ultrapassa o campo da medicina : quais mecanismos cerebrais fazem com que a dor de uma pessoa acompanhada exclusivamente pelas telas gere uma comoção coletiva de proporções tão profundas? Leia Mais Operação traz medicamento "urgente" para tratamento de Lito Sousa Lito Sousa começará tratamento com remédio compassivo: "Primeiro no mundo" Lito Sousa: como é o tratamento home care da doença de Creutzfeldt-Jakob? O espelho da dor: como o cérebro simula o sofrimento alheio A explicação para essa conexão imediata reside na própria arquitetura do sistema nervoso humano.

    Na década de 1990, a equipe do neurocientista Giacomo Rizzolatti descobriu os chamados neurônios-espelho . Essas células cerebrais disparam tanto quando uma pessoa realiza uma ação quanto quando ela observa outra pessoa vivenciando uma experiência . No contexto da dor e da vulnerabilidade, quando o público assiste a relatos de sofrimento físico ou emocional, os neurônios-espelho simulam essa mesma vivência nas áreas cerebrais humanas ligadas à dor .

    Paralelamente, pesquisas lideradas por cientistas como Paul Zak demonstram que histórias comoventes e a percepção de fragilidade estimulam a liberação de oxitocina . Conhecido como o hormônio do vínculo social, a oxitocina reduz o medo em interações humanas e aumenta a capacidade de confiar e sincronizar emoções com terceiros. Evolução e o instinto ancestral do cuidado coletivo A reação em cadeia diante do diagnóstico de Lito Sousa também possui raízes na biologia evolutiva.

    Segundo a Hipótese do Cuidado Cooperativo , formulada pela antropóloga Sarah Blaffer Hrdy, a espécie humana evoluiu diferentemente de outros primatas ao estabelecer o cuidado coletivo de doentes e vulneráveis como estratégia de sobrevivência. Sinais evidentes de enfermidade grave ativam um sistema de cuidado ancestral , projetado pela evolução para desarmar respostas agressivas e priorizar a proteção mútua. Além disso, teorias sociobiológicas como a Seleção de Parentesco e o Altruísmo Recíproco , desenvolvidas por William Hamilton e Robert Trivers, indicam que o cérebro humano interpreta o sofrimento de membros conhecidos do grupo como um sinal para a manutenção da coesão social .

    Proteger os vulneráveis foi o mecanismo que garantiu a preservação das tribos ao longo da história. Projeção mental e a força da preocupação empática Do ponto de vista da psicologia cognitiva, o fenômeno do engajamento público apoia-se na Teoria da Mente . ” .

    Conforme a Hipótese da Empatia-Altruísmo , proposta pelo psicólogo Daniel Batson, a identificação com o sofrimento alheio pode seguir dois caminhos: gerar estresse pessoal – desejo de afastar-se da situação – ou preocupação empática . Quando há forte valorização do bem-estar do outro — como no vínculo construído ao longo de anos por um criador de conteúdo com seu público —, a preocupação empática assume o controle , gerando uma motivação voltada para aliviar o sofrimento alheio e torcer pela sua recuperação.   ]]>

    Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.

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