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    Cerco a Nunes Marques pode favorecer candidato de Dino e Gilmar ao TRF-1
    Revista Oeste·25 de set., 06:00

    Cerco a Nunes Marques pode favorecer candidato de Dino e Gilmar ao TRF-1

    Uma disputa que começou há meses nos bastidores do Poder Judiciário ficou mais tensa nesta semana. A ofensiva ao ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), avançou em diferentes frentes, com ataques na Corte, vazamentos relacionados ao processo do Banco Master e uma operação contra seu aliado Newton Ramos, desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). O movimento deve produzir efeitos na corrida por uma vaga no TRF-1.

    Nunes Marques tenta emplacar seu juiz auxiliar Henrique Gouveia. Flávio Dino e Gilmar Mendes apoiam Fausto Mendanha — o ex-deputado Elias Vaz, amigo de Dino, ajudou a levar o nome do magistrado ao ministro e Mendes aderiu à articulação depois. Fontes do Palácio do Planalto afirmam que o desgaste de Nunes Marques pode enfraquecer seu candidato e pesar na escolha que cabe ao presidente Lula.

    Oeste revelou essa disputa velada ainda em julho deste ano. À época, Mendes e Dino já atuavam para conter a influência de Nunes Marques no Judiciário. O caso Master, contudo, acrescentou novas armas a uma guerra que, até então, era fria.

    Nunes Marques, Flávio Dino, Gilmar e a guerra que envolve o TRF-1 A cadeira no TRF-1 está aberta desde a aposentadoria do desembargador Novély Vilanova. Em fevereiro, o tribunal enviou ao Planalto uma lista com três candidatos. Mendanha ficou em primeiro lugar, com 31 votos.

    Itagiba Catta Preta recebeu 27. Gouveia obteve 24. Os três continuam formalmente na disputa.

    Nos bastidores, porém, interlocutores do governo consideram Catta Preta sem chances de ser escolhido, em virtude de ter suspendido a posse de Lula na Casa Civil, em março de 2016. A batalha política, portanto, ficou concentrada em Mendanha e Gouveia. Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes | Foto: Antonio Augusto/STF A disputa não envolve apenas um cargo.

    O TRF-1 é o maior dos seis tribunais regionais federais do país e tem jurisdição sobre o Distrito Federal e outros 12 Estados. Por estar sediado em Brasília, recebe processos de grande peso político e econômico que envolvem a União, órgãos federais, autarquias e decisões tomadas no centro do poder. Nunes Marques fez carreira no tribunal e preservou influência na Corte depois de chegar ao Supremo.

    Seus adversários enxergam Gouveia como mais um integrante desse grupo. A escolha, portanto, não define apenas quem ocupará uma cadeira: decide qual ala do STF ampliará seu espaço em um dos tribunais mais estratégicos. Nunes Marques já demonstrou força em indicações anteriores.

    Em novembro de 2023, conseguiu levar João Carlos Mayer ao TRF-1, enquanto Dino defendia Pablo Zuniga Dourado. Lula escolheu Mayer. Nunes Marques também alçou Carlos Brandão ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), apesar da resistência de Dino, enquanto Ramos chegou ao TRF-1 em 2023 também com o apoio de Nunes Marques.

    Essa sequência explica parte da reação. Uma vitória com Gouveia ampliaria o grupo de magistrados ligados a Nunes Marques justamente no tribunal onde ele construiu sua carreira. Fontes do Planalto afirmam que ministros do STF já levaram a Lula queixas da proximidade de Nunes Marques com o petista, que atendeu às reivindicações dele.

    v=-kucIEJkjeQ A munição do Master O caso Master não criou a disputa, mas entregou munição aos adversários de Nunes Marques. Informações extraídas dos celulares do empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do antigo Master, citam o nome de Kevin Marques, filho do ministro. Entre agosto de 2024 e julho de 2025, Kevin teria recebido aproximadamente R$ 300 mil da Consult Inteligência, empresa que também recebeu recursos do Master.

    Em notas divulgadas à imprensa, Kevin negou ter prestado serviços ao banco ou recebido dinheiro de Vorcaro. A frente mais recente da ofensiva contra Nunes Marques alcançou o desembargador Ramos. Na quinta-feira 24, a Polícia Federal auxiliou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em uma operação no gabinete de Ramos.

    Os agentes copiaram o disco rígido do computador usado pelo magistrado e recolheram informações sobre processos do setor sucroalcooleiro. O procedimento foi determinado pelo corregedor do CNJ, Benedito Gonçalves, indicado ao STJ por Lula e próximo da ala de Mendes no STF. O pano de fundo envolve decisões tomadas por Ramos e um contrato firmado posteriormente pela mulher e pelo filho dele com o Master.

    O acordo previa honorários que poderiam chegar a R$ 427 milhões em causas relacionadas a precatórios no setor. Cerco O cerco a Nunes Marques avança em duas direções. Para trás, põe sob suspeita uma indicação que o ministro já conseguiu emplacar.

    Para a frente, dificulta uma nova vitória com Gouveia. Lula acompanha a movimentação. Escolher o auxiliar de Nunes significaria preservar a força do ministro apesar da crise.

    Nomear Gonzaga entregaria a Dino e Mendes uma vitória na tentativa de conter o rival. Leia também: "Judiciário: o custo da toga" , reportagem publicada na Edição 341 da Revista Oeste O post Cerco a Nunes Marques pode favorecer candidato de Dino e Gilmar ao TRF-1 apareceu primeiro em Revista Oeste . ]]>

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