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    InvestNews·24 de set., 11:59

    China reduz compras de soja do Brasil antes de encontro entre Trump e Xi

    As importações chinesas de soja brasileira diminuíram drasticamente à medida que os preços elevados comprimem as margens das processadoras, aumentando o risco de uma escassez de oferta no maior consumidor mundial caso a desaceleração persista. As compras comerciais de soja brasileira caíram para menos de cinco cargas nas últimas duas semanas, ante uma média semanal de cerca de 20 em agosto, segundo traders familiarizados com o assunto. As processadoras teriam prejuízo ao esmagar os grãos sul-americanos, disseram os traders, sob condição de anonimato porque não estavam autorizados a falar com a imprensa.

    Os compradores também aguardam sinais sobre o comércio bilateral na reunião de cúpula entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping. Leia também Economia Brasil exporta óleo de soja barato após atraso no plano do biodiesel Economia China e Brasil concordam em flexibilizar exigências sanitárias para soja As processadoras privadas da China dependeram fortemente da soja brasileira depois que as tensões entre as duas maiores economias do mundo se intensificaram na última temporada, disseram os traders. Mas o ritmo atual de compras pode não ser suficiente para atender à demanda.

    Leia também Economia Chance do ‘Super El Niño’ supera 90%. Saiba como o fenômeno vai afetar os mercados Economia Máquinas velhas e juros altos travam a produtividade da indústria brasileira e desafiam próximo governo Estados Unidos e China vêm discutindo reduções de tarifas sobre alguns produtos, incluindo mercadorias agrícolas americanas . Os traders acompanham a possibilidade de retirada da tarifa adicional de 10% sobre a soja americana durante as negociações em Washington, o que tornaria o produto mais atraente para as processadoras comerciais chinesas.

    “Em 2025, a China não tinha alternativa e continuou comprando do Brasil até o fim do ano”, disse Raphael Mandarino, diretor-geral da AgResource Brasil. Empresas estatais chinesas já aumentaram as compras de soja americana, enquanto Pequim trabalha para cumprir sua promessa de comprar pelo menos 25 milhões de toneladas por ano até 2028. As vendas ultrapassaram a metade dessa meta no início deste mês.

    Prêmio da soja brasileira sobe em relação à americana Movimento indica oferta mais restrita no maior fornecedor mundial. As processadoras privadas, porém, evitaram em grande parte a soja americana devido às tarifas elevadas, ficando dependentes do Brasil, maior exportador mundial. Essa alternativa está se tornando cada vez menos econômica.

    As processadoras enfrentam prejuízos de cerca de 150 yuans (US$ 22,30) por tonelada de soja brasileira com embarque em novembro e de 470 yuans nas cargas de dezembro, segundo a consultoria Mysteel. O Brasil já não oferece a vantagem de preço observada durante as recentes safras americanas, escreveram analistas da corretora Stag International em relatório divulgado na terça-feira. A soja com embarque em novembro pelo porto de Paranaguá era negociada com prêmio de US$ 1,35 por bushel em relação aos contratos futuros de Chicago e estava mais cara que as cargas americanas do Golfo do México.

    A oferta mais restrita, após o país latino-americano vender grandes volumes quando os contratos futuros de Chicago dispararam em agosto, também está pressionando os preços. Mais de 91% da safra velha já foi comercializada, ante uma média de cinco anos de 88%, segundo a AgRural. Os agricultores estão retendo os estoques restantes na expectativa de preços mais altos, disse Daniele Siqueira, analista da consultoria.

    Enquanto isso, a oferta americana está aumentando com o início da colheita da nova safra. Os estoques dos Estados Unidos normalmente ganham participação no mercado global no quarto trimestre. China e Estados Unidos concordaram em estender a trégua comercial por mais dois meses, embora o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, tenha dito que não sabia “se um acordo maior pode ser fechado”.

    “O que determinará o prêmio da soja brasileira da safra velha não é a demanda chinesa hoje”, disse Mandarino. ” ]]>

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