SJX NEWS

    investnews.com.br

    InvestNews

    SJXNEWS
    InvestNews·29 de set., 17:15

    Cinco anos após adotar Bitcoin, El Salvador recorre a stablecoins para movimentar dólares

    Cinco anos após El Salvador tornar o Bitcoin moeda de curso legal, em uma tentativa de reinventar a forma como o dinheiro circula pela economia, o governo recorre agora a outra tecnologia de criptoativos para cumprir esse papel: stablecoins lastreadas em dólar. O governo de Nayib Bukele desenvolve com a Modveon um aplicativo respaldado pelo governo que permitirá aos salvadorenhos enviar e manter dólares digitais, inclusive para remessas, por meio da rede Base, da Coinbase. A mudança representa uma guinada marcante para um governo que já apresentou o Bitcoin como uma nova forma de dinheiro para uso cotidiano.

    Leia também Investimentos Criptomoeda “fora do radar” decola 300% após parceria com gigante dos pagamentos Tecnologia Ethereum cansou de ser só uma blockchain. Agora quer ser o computador mundial criptográfico A plataforma, chamada Sivar, verificará os usuários por meio de documentos de identidade emitidos pelo governo antes de agrupá-los em comunidades com base no endereço residencial. Os usuários poderão então enviar dinheiro, publicar conteúdo, participar de discussões ao vivo e enquetes e votar em eleições locais mesmo que morem no exterior.

    El Salvador é o primeiro cliente da Modveon, e a empresa afirmou que não pretende entrar em outros mercados até demonstrar que o modelo funciona no país. A iniciativa, lançada cinco anos após El Salvador se tornar o primeiro país a adotar o Bitcoin como moeda de curso legal, indica uma mudança simbólica diante do apoio anterior de Bukele ao token e da promoção da criptomoeda como instrumento financeiro e investimento. A experiência pouco contribuiu para transformar a volátil criptomoeda em um meio de pagamento amplamente utilizado.

    Em 2024, cerca de 92% dos salvadorenhos disseram não ter usado Bitcoin, segundo pesquisa da Universidade Centro-Americana. O Fundo Monetário Internacional constatou ainda que apenas cerca de 1,75% das remessas foram transferidas por meio de carteiras de criptoativos. Embora o Bitcoin continue sendo moeda de curso legal em El Salvador, reformas vinculadas a um programa de US$ 1,4 bilhão do FMI em 2025 reduziram o apoio do governo à criptomoeda, encerraram a obrigatoriedade de sua aceitação como moeda de curso legal e diminuíram o papel da carteira Chivo, respaldada pelo Estado.

    A Sivar passa a ocupar esse espaço e oferece aos salvadorenhos outra forma de fazer transações e movimentar dinheiro por meio da infraestrutura de criptoativos. “El Salvador continua apostando no Bitcoin para as reservas do Tesouro e como reserva de valor”, afirmou Nana Murugesan, CEO e cofundador da Modveon, que já trabalhou na Samsung, Snap Inc. e Coinbase.

    ” O governo provavelmente responde à forte demanda por stablecoins — tokens digitais vinculados a moedas — em toda a América Latina. A região registrou US$ 594 bilhões em atividade com criptoativos neste ano, com as stablecoins respondendo por quase um terço das transações internacionais e 22% das transferências domésticas entre pessoas, segundo a Chainalysis. A guinada para as stablecoins aponta para uma abordagem diferente: em vez de pedir às pessoas que façam transações em uma criptomoeda volátil, os aplicativos podem usar a infraestrutura blockchain para movimentar dólares digitais — e potencialmente conquistar o mercado de remessas que o Bitcoin um dia deveria transformar.

    Salvadorenhos que vivem no exterior enviaram cerca de US$ 9 bilhões ao país em 2025, aproximadamente 92% desse montante com origem nos EUA. Por uma tarifa fixa de US$ 2, usuários da Sivar nos EUA podem transferir dólares digitais para usuários em El Salvador. “Nosso objetivo é permitir que a tecnologia ajude a criar confiança, engajamento e um senso de conexão, além de facilitar o acesso a serviços e informações”, afirmou Adriana Mira, vice-ministra das Relações Exteriores de El Salvador, em entrevista.

    ” A Modveon receberá o que a empresa descreveu como um pagamento de “milhões de dólares” para fornecer a plataforma durante um contrato de cinco anos, mas não revelou o valor exato. A empresa, sediada em Palo Alto, captou US$ 10 milhões de investidores que incluem AAB, Coinbase Ventures e Firebolt Ventures, entre outros. ]]>

    Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.

    Leia a matéria completa em InvestNews →